Cuadernos de Educación y Desarrollo

Vol 1, Nº 7 (septiembre 2009)

INSTITUIÇÕES DE ENSINO SUPERIOR ENQUANTO ORGANIZAÇÃO


 

Cristiane Hoffmann Moreira (1)
Victória Hoffmann Moreira (2)
Eduardo Mauch Palmeira (3)

eduardopalmeira@brturbo.com.br
 

 

RESUMO

No contexto atual, o setor educacional está sendo, particularmente afetado e começa a dar evi-dências da necessidade de se inserir em uma nova fase evolutiva, isto é, partir para a adoção de estraté-gias administrativas que lhe permitam elevar os padrões de qualidade e produtividade, tal como ocorre nas empresas comerciais e industriais. Procura-se revisar os conceitos das Instituições de Ensino Superior (IES), por estas serem organizações que possuem sistemas organizacionais com características diversas, classificando-as como organizações complexas. Os referênciais teóricos, identificam as fontes dos conceitos que começam a ser utilizados nas IES, procurando assim, caracterizá-las em linhas gerais e analisar a evolução do Ensino Superior, situando as IES enquanto organizações institucionalisadas.

Palavras-Chave: Instituições de Ensino Superior, Organizações Institucionalizadas

ABSTRACT

In the actual context, the educational sector is being, particullary affected and starts to show evidences of the necessity of the insertion of a new evolution phase, that is, start on the adoption of manegement strategies that allow elevate the standarts of quality and productivity, like what occurs in commercial and industrial companies. We try to review the concepts of the Superior Teaching Institutions, because this organizations have organizational systems with differents characteristics, classifying them as complex organizations. The theorics references, identify the source of the concepts that start to being used in the Superior Teaching Institutions, trying to characterize them in general view and analyse the evolution of the Superior Teaching, placinf them as intitucionalized or-ganizations.

Keywords: Superior Teaching Institutions, Intitucionalized Organizations.

1. INTRODUÇÃO

Nas últimas décadas, o ensino superior tem ocupado, progressivamente, um lugar de destaque nas agendas governamentais, por ser considerado como essencial ao desenvolvimento científico, tecno-lógico, cultural, econômico e social das nações. Simultaneamente, observam-se mudanças profundas ao nível dos sistemas de ensino superior e das suas instituições.

Este estudo contempla uma breve revisão de conceitos. Para atingir o objetivo desta pesquisa, a Teoria Institucional (Selznick, 1972; DiMaggio & Powell, 1991; Scott, 1987; Meyer & Rowan, 1991) e os escritos de Durkheim (1999) foram considerados apropriados ao objeto em estudo, pois caracterizam-se pela preocupação com o modo como determinadas estruturas atuam sobre a ação dos indivíduos, co-mo um fator coercitivo externo.

Pretende-se, ao rever os referenciais teóricos, identificar as fontes dos conceitos que começam a serem utilizados nas IES, procurando caracterizá-las em linhas gerais e analisar a evolução do Ensino Superior, situando as IES enquanto organizações institucionalizadas.

2. TEORIAS INSTITUCIONAIS

No contexto da administração, Durkheim (1858-1917) é a primeira referência da Teoria Institu-cional, embora esta não fosse assim denominada. Durkheim (apud Quintaneiro, Barbosa & Oliveira, 2000) define instituição como sinônimo de regulação social. A Sociologia é a ciência das instituições, ou seja, dos fatos sociais.

Para Durkheim (apud Quintaneiro, Barbosa & Oliveira, 2000) os fatos sociais só poderiam ser explicados por meio dos seus efeitos sociais. A sociedade não é o resultado de um somatório das consci-ências e ações particulares de cada indivíduo que a compõem. Ao serem combinados, nasce uma nova dinâmica externa àquelas consciências. Sendo que o todo só se forma pela soma das partes, a associação origina fenômenos que não provêem, diretamente, da natureza dos elementos associados. Antes de dis-cutir os particulares de cada aspecto da teoria, devem ser notados dois pontos em comum que suportam estas suposições, que são:

• As teorias institucionais baseiam-se na convicção de que os ambientes institucionais são soci-almente construídos, isto é, eles são uma produção humana (Sahlin – Anderson, 2000); e

• As teorias institucionais tomam as organizações como sistemas abertos; isto sugere que o am-biente externo e os seus participantes ajudam a moldar as estruturas e as atividades das organizações (Scott,1998).

Scott (1998) defende que toda a organização existe num ambiente físico, tecnológico, cultural e social específico, ao qual tem que se adaptar. Nenhuma organização é auto-suficiente; todas dependem, para a sobrevivência, do estabelecimento de relações com sistemas maiores dos quais estão separadas.

2.1. Teoria Institucional: Uma Aproximação Sociológica

Os teóricos institucionais, tais como Cooley, Hughes, Durkhein, Weber, Berger and Luckmann (citados em Scott, 1995), acreditavam que a sociedade identifica as organizações pelas normas e valores que nelas existem. Mais recentemente, estes padrões de convicção, normas e valores foram coletivamente chamados de cultura organizacional. Os teóricos institucionais mais antigos reivindicavam que as organizações incorporam normas da comunidade e valores dos seus sistemas sociais.

O processo pelo qual as normas da sociedade se fundem com os valores é definido como institutionalização. Selznich, (1966) descreve este processo: “É algo que acontece com o passar do tempo a uma organização, enquanto reflete a sua própria história, as pessoas que estiveram nela e os interesses adquiridos que elas criaram, e o modo como se adaptaram no seu ambiente”.

A institucionalização explica porque razão as organizações continuam a comportar-se e a agir de forma antiquada e ineficaz. A teoria institucional baseia-se no entendimento de que o grau no qual as normas e os valores são institucionalizados depende da dinâmica interna da organização, como o nível de especialização e o design técnico. Uma suposição adicional desta teoria é que, para as normas e os valores serem institucionalisados, devem ter o apoio de quem estiver em posição de poder e que estes os têm também que reforçar nas suas próprias ações. Consequentemente, o líder é descrito como agente de institutionalização. Estar seguro é também responsabilidade dos líderes, para definir e defender as normas organizacionais e os valores, mas também para assegurar que eles permaneçam consistentes com a comunidade. Assim, os líderes são críticos ao manter a identidade das suas organizações.

A análise do processo de decisão do staff administrativo é uma tarefa árdua, não somente por se tratarem das decisões mais complexas, mas porque, nesse âmbito, uma nova lógica emerge, em detrimento da eficiência. É nesse âmbito que a lógica política passa a ser incorporada.

Uma vez institucionalizados, as normas e valores tornam-se um guia para os empregados, indicando o que é considerado aceitável. Uma das ações das organizações é a manifestação das regras e procedimentos institucionalizados.

Em resumo, a teoria institucional pretende explicar a forma como as organizações se adaptam ou mudam a sua cultura e a sua estrutura para encarar valores socialmente aceites e a forma como esses valores são debilitados ou desinstitucionalizados. Assim, embora exista alguma discussão em torno da influência do ambiente externo, a teoria institucional tenta explicar, acima de tudo, a institucionalização dos controles normativos como padrões de crenças, valores e normas.

2.2. Teoria Neo Institucional: Novas Perspectivas

Ultimamente, tem sido defendido que as teorias institucionais estão sofrendo um renascimento ao longo das ciências sociais (DiMaggio & Powell, 1991). Esta ressurreição terá acontecido a partir de uma série de documentos escritos por Meyer e Rowan (1991), Zucker (1977), DiMaggio and Powell (1983) e Meyer and Scott (1983). Coletivamente, estes documentos provêem a base para o denominado Neo Institucionalismo. Estes documentos beneficiam-se das contribuições de novos teóricos institucionais (Mizruchi, 1999), oferecendo algumas idéias novas e novos pontos de interesse.

São citadas várias perspectivas Neo Institucionais, sendo que alguns teóricos defendem que esta teoria deveria ser vista como uma orientação teórica e não como uma teoria firmemente definida (Scott, 1987; DiMaggio & Powell, 1991).

O Neo Institucionalismo fundamenta-se na crença de que as influências externas, como as nor-mas sócio-culturais pré-existentes, as relações que existem entre as organizações ou as coações políticas impostas pelos governos exercem pressão para mudar as rotinas organizacionais. Alternativamente, tam-bém são pensadas mudanças nos colaboradores de uma organização, como forma de pressionar para a mudança (Scott & Christensen, 1995, p.302).

De acordo com a teoria Neo Institucional, as organizações obedecem a procedimentos e práticas se considerados como racionalizações socialmente aceites de como estruturar as operações da organiza-ção. Os novos teóricos institucionais acreditam que as regras e rotinas racionais são adotadas pelas orga-nizações para garantirem que são percebidas como legítimas e não por razões de eficiência. Elas não seriam adotadas para controlar os comportamentos nas organizações, mas para garantir a confiança das diversas entidades interessadas nas suas operações. Teoricamente, esta conformidade melhoraria as suas capacidades para garantir recursos, reduziria a probabilidade de a sua conduta ser questionada e melho-raria as suas hipóteses de sobrevivência. Haveria então, a possibilidade de as organizações se obrigarem a esforços extremos para se assegurarem de que as regras e as rotinas institucionalizadas se mantém vi-síveis para os seus constituintes externos.

Uma das suposições fundamentais do Neo Institucionalismo é que as organizações, para sobre-viverem, precisam provar os seus méritos sociais num ambiente onde cada uma depende das outras. As responsabilidades organizacionais para com as exigências e as expectativas externas são então vitais e as organizações não terão sucesso, se desviarem dos mitos institucionais. A relação entre organização e ambiente institucionalizado pode ser definida e caracterizada por quatro factores:

• Primeiro, as organizações refletem padrões ou modelos estabelecidos num sistema mais alto. Fazem isso para imitar a parte visível desses padrões ou modelos. Sendo assim, essas estruturas organizacionais são frequentemente copiadas e dependentes do nível das pressões externas políticas ou públicas;

• Segundo, essa imitação leva a organização desenvolver uma forma organizacional bastante solta e integrada. A estrutura é desligada do trabalho ou atividade técnica e a atividade é desligada dos seus efeitos. Assim, a atividade técnica ou funcional interna é menos visível e só é mostrada de forma limitada. Para o exterior só passa a estrutura organizacional;

• Terceiro, os padrões ambientais dirigem a organização do trabalho através de acoplamentos e efeitos que vão além do controle direto e simples, como regulamentos, leis e recursos (Scott & Meyer 1994). Ao invés disso, os padrões ambientais são sistemas de influência significativa, feitos de padrões sociais ou comportamentalismo cultural, de regras normativas e constituitivas e processos regulatórios, dos quais se tem um grau de consciência muito limitado; e

• Quarto, a estruturação da vida do dia-a-dia dentro de regras impessoais unificadas, dá lugar a uma organização com um significado de propósitos coletivos (Meyer, 1994). Neste processo, estados e nações, organizações, ciências e profissões, são importantes condutores, que nos forçam a operar dentro das normas da racionalidade.

Mas, se muitos investigadores concordam que essas estruturas intermediárias moldam importantes padrões e modelos, ainda existe discordância acerca da forma como eles são importados, definindo assim propriedades importantes e a sua influência nas estruturas actuais.

Para Scott & Meyer (appud Scott, 1987), as organizações não se conformam necessariamente a um jogo de convicções institucionalizadas porque elas constituem a realidade, mas, freqüentemente, porque são recompensadas por o fazerem, com aumento da legitimidade, recursos e capacidade de sobrevivência.

Menos atenção é dedicada ao processo de institucionalização. Foca-se então, a natureza dos sistemas de crenças. Scott & Meyer (apud Scott, 1987) teorizam sobre os efeitos gerais da estrutura institucional racionalizada, incorporando o conceito de mitos racionais.

Scott & Meyer (appud Scott, 1987) cita diversos exemplos, tais como opinião pública, sistema educacional, leis, tribunais, profissões, ideologias, estruturas regulamentadas, prêmios, agentes de certificação e acreditação e exigências governamentais, como representantes de uma diversidade das fontes institucionais e sistemas de crenças encontradas na sociedade moderna. Acreditam que, nas sociedades modernas e racionalizadas, as formas e fontes de crenças sociais e outros tipos de sistemas simbólicos se têm tornado cada vez mais racionalizadas. Assim, com a mudança do foco para os aspectos simbólicos dos ambientes e as suas respectivas fontes, a teoria institucional contribuiu para o ressurgimento do interesse na cultura.

2.3. Os Mecanismos de Mudança Isomórfica

Para Di Maggio & Powell (1991), as organizações estão se tornando ainda mais homogêneas e a burocracia permanece como forma organizacional comum. A burocratização e outras formas de mudança organizacional ocorrem como resultado de processos que tornam as organizações mais similares, sem necessariamente as tornarem mais eficiente.

O fenômeno pelo qual as organizações se estruturam, a partir das exigências do seu ambiente, é explicado por meio das práticas isomórficas. Na Ecologia Populacional verificou-se a existência de práticas de isomorfismo competitivo; na teoria institucional, um isomorfismo institucional, onde a organização reflete uma realidade socialmente construída (Meyer & Rowan, 1991).

Di Maggio & Powell (1991) apresentam três mecanismos de mudança institucional isomórfica:

a) Isomorfismo coercitivo, resultante das pressões, formais e informais, exercidas nas organizações por outras organizações das quais elas dependem e pelas expectativas culturais na sociedade dentro das quais elas funcionam;

b) Isomorfismo mimético, resultante dos padrões de resposta às incertezas, uma poderosa força que encoraja a imitação e

c) Isomorfismo normativo, associado ao domínio das profissões.

Estas mudanças nem sempre se apresentam de forma clara e podem acontecer simultaneamente. As pressões institucionais isomórficas são indicativas da limitação da ação dos atores organizacionais em tornarem as organizações mais eficientes. A inovação deixa de resultar de escolhas bem sucedidas decorrentes de competências especiais, mas deriva de imposições no campo organizacional.

2.4. Aplicação

A Teoria Institucional apresenta várias limitações, nomeadamente, ao lidar com as diferenças entre a estrutura formal e a estrutura operante e na explicação da forma como as organizações lidam com pressões contraditórias, com origens em diversas fontes.

Mas, a visão demasiado simplificada da mudança organizacional, tal como encarada pelas várias nuances neo institucionais, também tem sido alvo de críticas, nomeadamente, o seu foco demasiado generalista e a pouca relevância que dão ao poder e ao papel dos vários atores organizacionais, negligenciando a forma como podem influenciar e moldar a organização.

Embora nenhuma teoria seja capaz de prover uma explicação completa para os fenômenos organizacionais, este vigamento provê uma ferramenta analítica útil para focalizar a análise de resultados. Cada uma das teorias pode ser vista como complementar, cada uma oferece uma explicação parcial para o que está acontecendo nas organizações. Cada perspectiva pode ser escolhida com base na sua capacidade para prover uma explicação de aspectos diferentes do processo de mudança.

Onde as observações contradizem a teoria, serão usadas teorias novas para explicar os resultados empíricos. A teoria contém temas múltiplos, tais como, legitimidade, poder, valores e estruturas formais e informais. Discute-se a aproximação de uma multi-perspectiva, sendo essa necessária para entender a mudança de complexidades.

Um desenvolvimento importante na teoria neo institucional é a previsibilidade organizacional, sendo esta uma necessidade para legitimar as organizações. As universidades são um exemplo dessas organizações, principalmente por serem organizações com uma área de atuação muito ampla e reconhe-cida da vida institucional.

3. AS INSTITUIÇÕES DE ENSINO SUPERIOR

As Instituições de Ensino Superior (IES) são sistemas sociais que têm como propósito oferecer o ensino de terceiro grau, a pesquisa e a extensão. Podem apresentar-se sob a forma de instituições isola-das, cuja função é o ensino, ou como universidades. Estas constituem o objeto de estudo deste trabalho e, além do ensino, desenvolvem a pesquisa e a extensão. Também podem ser descritas como organiza-ções universitárias, onde a prestação dos serviços educacionais faz parte de um processo que se iniciou há muito tempo, desde quando a educação é objeto de transformação do ser humano.

No processo de evolução humana, a educação formal pode ser vista como uma maneira de do-minação, onde a classe dominante era preparada para falar e comandar, enquanto os dominados deveri-am conviver com os dominadores e imitar a sua forma de trabalhar. Neste contexto de divisão de classes, surge a Universidade. A educação era privilégio dos filhos dos ricos, cuja função social era continuarem a dominar os pobres, garantindo, assim, a diferenciação social.

3.1. O Surgimento das Universidades

O primeiro registro de Universidade corresponde à Universidade de Quarawing, em Rabat (Mar-rocos), no ano de 859. Na literatura existente, no entanto, a Universidade iniciou-se com as universida-des medievais, sendo as de Bolonha e Paris as primeiras. Da Universidade de Bolonha descendem as Universidades Italianas e da Universidade de Paris as Universidades de Oxford e Cam-bridge. O surgimento da Universidade na Idade Média deve-se, principalmente, ao Cristianismo, oficia-lizado pelo Império Romano (Tubino, 1998).

A palavra latina universitas, que pode ser definida como o conjunto integral e completo de seres particulares que constituem uma coletividade determinada, representa, na verdade, um conjunto de pro-fessores e alunos, os quais formam uma corporação escolástica.

No Brasil, a Universidade surgiu para atender os interesses advindos da vinda da corte portuguesa para a colônia, em 1808. De forma análoga ao modelo europeu, onde a Igreja teve um papel importante na passagem dos conhecimentos aos indivíduos, no Brasil, a Universidade ficou, inicialmente, a cargo dos padres Jesuítas, principalmente nos campos da filosofia e da teologia. A partir da República, os estabelecimentos de ensino superior começaram a expandir-se, sendo que, somente depois da Revolução de 1930, a idéia de Universidade passou a impor-se. Consciente da importância estratégica da educação, o Estado procurou assumir o controle (Zaki Akel Sobrinho, presidente da Comissão Universidade XXI, 2003).

Segundo a Constituição Brasileira (artigo 207), as Universidades são caracterizadas pela indisso-lubilidade das atividades de ensino, pesquisa e extensão. Desde o seu surgimento, a Universidade passou por várias transformações. De certa forma, ela foi a principal responsável pelas transformações que ocor-reram em vários setores da sociedade. Porém, mesmo reproduzindo os ensinamentos através de teorias, técnicas e práticas, ela custou e, em alguns casos, até hoje custa, a aceitar a necessidade de redirecionar os seus objetivos.

Aqui, a Universidade é entendida como uma entidade universal no campo do conhecimento, res-ponsável pela transmissão de conhecimentos, criação de novos conhecimentos e formação de cidadania.

3.2. Universidade como um Tipo Especial de Organização

Num estudo sobre as diferentes tipologias de organizações, Kunsch (1992) teceu interessantes comparações entre estudiosos, as quais se baseiam no tipo de controle exercido pelas organizações sobre os seus participantes, dividindo as organizações em três grupos distintos:

• Coercitivas – prisões, instituições penais;

• Utilitárias – empresas em geral; e

• Normativas – igrejas, universidades e hospitais.

Blau e Scott (1979) sugerem uma classificação baseada nos beneficiários principais, de que re-sultam quatro tipos de organização:

• Associações de benefícios mútuos – os próprios participantes (cooperativas, associações de classe etc.);

• Organizações de interesse comercial – proprietários ou acionistas (empresas privadas ou sociedades anônimas);

• Organizações de serviços – clientes ou utilizadores (universidades, hospitais);

• Organizações de bem estar público (organização militar e instituições jurídicas).

Katz e Kahan (1978) classificam as organizações em quatro classes:

• Organizações produtivas ou econômicas (indústrias, etc.);

• Organizações de manutenção (escolas e igrejas);

• Organizações de adaptação (laboratórios de pesquisa e universidades);

• Organizações de gestão-política (órgãos do governo).

Ao analisar estas três classificações, podemos deduzir que, no que à Universidade diz respeito, elas se completam entre si (Kunsch, 1992), “por ser a Universidade uma organização que presta serviços e tem isso como objetivo básico. Como integrante do sistema global, ela ajuda a manter os valores e as normas aceites pela sociedade, evitando, portanto, a desintegração social. E, como estrutura adaptativa, cria, desenvolve novos conceitos e aproveita as informações disponíveis para a educação superior sendo, talvez, a mais visível instituição voltada para a mudança. Dado o seu carácter interdisciplinar, a Universidade interage com um maior número de segmentos da sociedade do que qualquer outra organização”.

A literatura específica na área de gestão universitária não contém um modelo único capaz de ex-plicar, em todas as suas dimensões, o que seja uma Universidade, vista sob os seus diversos ângulos. Os estudos limitam-se a abordar a sua natureza, os processos, as estruturas ou os sistemas, quase sempre de maneira fragmentada, o que acaba gerando poucos pontos de convergência entre os diversos estudos que tratam da complexidade das organizações acadêmicas.

Baldridge (1983) caracteriza a organização universitária através de alguns aspectos, tais como, ambiguidade de metas, o fato de as organizações acadêmicas “processarem pessoas”, a tecnologia pro-blemática, tarefas econômicas dominadas por um alto profissionalismo, corpo profissional fragmentado e vulnerabilidade ao ambiente.

Nas Universidades, a autoridade é frequentemente fragmentada, além de que a seleção dos ges-tores geralmente é afetada por uma variedade grande de interesses (políticos, religiosos e outros). Outra contribuição dada por Baldrige (1983) diz respeito à dificuldade em identificar o objetivo da Universi-dade. Para ele, a resposta é complexa e envolve ensino, pesquisa, extensão, administração de instalações científicas, desenvolvimento de variadas formas de cultura e solução de problemas sociais.

Em relação ao “processamento de pessoas”, o autor afirma que a sociedade entrega à Universi-dade pessoas ou alunos que, na sua formação, recebem uma carga de informação e experiência, o que os transforma em novos profissionais, que se integrarão novamente na sociedade. Estes clientes, que são do tipo “cliente-produto”, geralmente têm grande influência e interferem no processo de tomada de deci-sões. Da mesma forma, uma vez que a Universidade “transforma” ou “processa” pessoas, tem dificulda-de em construir uma tecnologia que possa tratar com mentes, corpos e espíritos.

Ao comentar o alto profissionalismo, Baldridge declara que os professores são funcionários al-tamente especializados, possuindo comportamentos que se contrapõem à burocracia tradicional tais co-mo:

Exigir autonomia no seu trabalho;

Ter a lealdade dividida entre as suas convicções acadêmicas e a sua atuação na organização;

Realizar uma diferenciação muito grande entre os valores acadêmicos e os valores administrativos, o que provoca contínuos conflitos entre os professores e o corpo administrativo;

Reivindicar julgamento ou avaliação das suas tarefas apenas pelos seus “pares”.

Já em relação à característica corpo profissional fragmentado, o mesmo autor entende que não existe um corpo profissional dominante, que tenha excessiva influência na tomada de decisões, pois as especializações dos professores são fragmentadas de acordo com os cursos oferecidos pelas universidades. Finalmente, quando se refere à vulnerabilidade ao ambiente, Baldridge afirma que todas as organizações complexas são vulneráveis às pressões externas, variando apenas o grau de autonomia que cada uma exerce. Nas universidades, este grau vai do independente ao subordinado. Assim, podem ser independentes quanto às decisões acadêmicas e subordinadas quanto às decisões administrativas.

Cunha (1995), por sua vez, realça que, além das características anteriores, as universidades, principalmente as públicas brasileiras, caracterizam-se também por ter grupos de profissionais que atuam de modo independente e que compartilham os mesmos recursos, possuem uma estrutura mal definida, objetivos mal definidos e um corporativismo muito forte. Além disso, para este autor, as mudanças dos principais gestores são freqüentes, as considerações políticas podem dominar a tomada de decisão sendo esta incrementalista, o sistema de avaliação é limitado, muitos grupos de interesse tentam influenciar as decisões e as mudanças geralmente ocorrem como reacções a crises.

Birnbaum (1989) complementa esta caracterização das universidades, ao afirmar que a maioria dos membros da comunidade acadêmica concorda que a missão da Universidade é gerar e transmitir co-nhecimentos e, ainda, oferecer estes conhecimentos à sociedade.

Porém, Berchem (1991), ao abordar o tema referente à missão da Universidade, aponta algumas particularidades no desempenho destas organizações, que acabam por distingui-las de outras organiza-ções com funções similares. Ao comentar a disseminação do saber aos estudantes, afirma:

No ensino universitário, o saber não é simplesmente transposto de uma cabeça para outra. Saber é interação: as perguntas e as observações dos estudantes nos obrigam sempre a verificar mesmo as coisas das quais estávamos aparentemente certos. Essa interação estimula a pesquisa.

Desta forma, o que singulariza a Universidade não é o que ela faz, mas como o faz, o que leva à questão da liberdade acadêmica, que é necessária para a procura de novos conhecimentos e para a dis-seminação do saber, e que nem sempre goza de consenso popular, podendo gerar conflitos entre grupos internos ou com o ambiente externo. Porém, esses conflitos e influências do ambiente externo são, mui-tas vezes, extremamente importantes para as Universidades, como se pode verificar nas considerações feitas por Trigueiro (1995), ao comentar a globalização e os seus impactos no que se refere ao novo mo-do de produção do conhecimento. Para o autor, os critérios de qualidade acadêmica tradicional são alte-rados, deixando de ser avaliados apenas por interpares ou critérios especificados pelas comunidades ci-entíficas e passando a incluir itens como custo, segurança, relevância social e outros indicadores, prove-nientes de ambientes de fora dos laboratórios e centros de pesquisa.

Verifica-se, também, a diminuição da influência da hierarquia acadêmica nas decisões e na condução da prática científico-tecnológica contemporânea, ampliando espaços para segmentos jovens e grupos emergentes, impulsionados principalmente pelo meio empresarial, interessado em resultados práticos e em quem possa realizá-los, independentemente da sua posição nas universidades. Ainda de acordo com este autor, é o Estado que tem assumido o caráter indutor de novos processos, pressionando as universidades a desenvolverem programas de pesquisa voltados para a solução de problemas sociais e econômicos, estimulando a formação de grupos e equipes de pesquisa interdisciplinar e interinstitucional, o que tende a favorecer uma maior integração no âmbito interno das organizações e entre os diversos setores.

A Universidade, portanto, apesar de possuir uma estrutura interna, trabalhar para a consecução de objetivos determinados e cumprir as suas finalidades de ensino, pesquisa e extensão, diferencia-se das demais organizações, pelo seu tipo de atividade, suas formas de controle e funções que desempenha na sociedade. Carrega no seu bojo uma importância fundamental na construção da sociedade moderna. Tem um compromisso com o passado, na preservação da memória, com o presente, na geração de conheci-mentos e formação de profissionais e com o futuro, no compromisso do desenvolvimento e progresso. Não pode viver isolada do mundo e das vertiginosas mudanças que acontecem no ambiente que a cir-cunda e com o qual interage. Deve-se fazer presente, atuando de forma a que o seu ensino, a sua pesqui-sa e os seus serviços de extensão atendam e acompanhem as exigências do mercado.

A sociedade, por sua vez, também pressiona o Estado a cobrar mais das universidades e este a-caba por desenvolver ações para um maior acompanhamento e avaliação dos programas de ensino, pes-quisa e extensão conduzidos por estas instituições. Além disso, é impossível não considerar as influên-cias do meio que incidem sobre as universidades e que hoje, mais do que nunca, são responsáveis pelas alterações das suas características enquanto organizações.

As organizações universitárias, pela sua natureza intrínseca, revelam-se mais suscetíveis ao am-biente de turbulência e mudança. A este respeito, Bundt (2000) destaca que a Universidade tem o dever de mudar, pois o seu papel é não somente adequar o ensino às exigências do mercado de trabalho, mas também proporcionar ao estudante universitário uma visão multidisciplinar, capacitando-o para provocar mudanças quando por ocasião de sua inserção no contexto social. O referido autor refere, ainda, que a Universidade está sendo chamada a desempenhar um novo papel estratégico fundamental na atual confi-guração social, pois ela já é, e será cada vez mais, a organização social mais importante do nosso século.

3.3. A Universidade e o seu Ambiente

Do que ficou dito, ressalta a importância do ambiente externo das Universidades, pelo que se torna relevante, para este estudo, apontar algumas das suas características, para que se possa compreen-der o impacto que o mesmo tem no processo de formulação e implantação de estratégias.

De acordo com Arguim (1989), as forças e tendências que recaem sobre uma Universidade po-dem vir da área nacional e internacional. No primeiro caso, influenciam a educação em geral e, no se-gundo, podem ter incidências diretas na organização universitária. Para o autor, devem-se considerar quatro elementos do ambiente externo que interferem na instituição, os quais são:

• O econômico, que envolve questões ligadas ao emprego, inflação, consumo, entre outros;

• O sociológico, que reflete valores como novos estilos de vida;

• O tecnológico, que diz respeito ao desenvolvimento da informática, automação, telecomunicações, entre outros;

• O político, que reflete questões ligadas à legislação, regulamentações governamentais, grupos de pressão, entre outros.

Porém, no que se refere ao Brasil contemporâneo, Trigueiro (1995) vai mais além. Segundo este autor, os acontecimentos presentes no âmbito interno das instituições universitárias são condicionados e permeados por influências externas, as quais são assimiladas, processadas e incorporadas em processos, estruturas, atitudes e comportamentos verificados nas universidades. Para ele, “o chamado ambiente ex-terno produz um amplo conjunto de inputs, necessidades e pressões provenientes de instâncias decisó-rias, da produção econômica e da sociedade civil, em geral”.

Para Trigueiro (1995), o recente conjunto amplo de medidas e decisões, referentes à avaliação do ensino superior – como o Exame Nacional de Cursos, o julgamento das condições de oferta de cursos de graduação e o Programa de Avaliação Institucional das Universidades Brasileiras (PAIUB), programa criado em 1993 para introduzir a avaliação institucional e ampliar a sua discussão no ambiente universi-tário do País, bem como o reconhecimento dos cursos de instituições e avaliações de docentes têm dado o tom de intervenção do MEC na tentativa de reformulação e mudança na qualidade das universidades públicas brasileiras.

Todas estas medidas fazem parte da lógica estipulada a partir da Lei de Diretrizes e Bases (Lei nº 9394, de 1996) e visam introduzir grandes mudanças no padrão de atuação e estruturação das universidades brasileiras.

Verifica-se, então, como resultado, um empobrecimento da qualidade e o acirramento das tensões internas e externas, em que as instituições privadas, também pressionadas pelas políticas do governo federal para o ensino superior, passam a disputar espaços com as universidades públicas, apontando para novas formas de competição.

A dimensão política, presente na ação partidária, é outro ponto de grande destaque quando se discutem as relações entre universidades e ambiente externo. Como a universidade é local de grandes interesses estratégicos, seja em virtude da repercussão que a mesma atinge na sociedade e na opinião pública, seja por ser um bom reservatório de votos para as eleições municipais, estaduais ou federais, para Trigueiro (1995), a Universidade Pública tem sido palco privilegiado para uma série de investidas, dos vários grupos e partidos políticos nacionais, dos menores aos mais poderosos. De uma forma geral, percebe-se que a articulação com o nível político partidário constitui um aspecto imprescindível na abordagem das universidades públicas brasileiras, não apenas na formulação de projetos de lei ou dispositivos legais que atendam o meio universitário, mas também na formação de grupos de defesa das universidades, reunindo diversos parlamentares e partidos políticos no jogo sucessório e na competição entre as universidades.

Neste ambiente, destaca-se, ainda, a grande mídia, que nunca esteve tão interessada nas univer-sidades e nos seus resultados, em saber o que ocorre no interior destas instituições, informando um pú-blico cada vez mais interessado e inquieto com os rumos seguidos e as atividades desenvolvidas no meio acadêmico.

De acordo com Trigueiro (1995): “a mídia é acionada pela população; o político, por suas bases; o governo federal, pela sociedade civil e o contexto internacional; e o resultado é a imensa quantidade de novas demandas projetadas sobre as universidades”.

Além destes, outra dimensão de análise no ambiente externo refere-se ao setor produtivo, que apresenta múltiplas possibilidades de articulações, parcerias e consorciamentos que se abre com o au-mento da importância estratégica e da prática de novos conhecimentos advindos das universidades. Para Trigueiro (1995), nesse terreno, é fundamental a participação das universidades no incremento da produtividade e de eventuais benefícios na consolidação e competição de pequenas e microempresas.

Finalmente, como último aspecto relativo ao ambiente externo à Universidade Pública, levanta-do por Trigueiro (1995), aparecem as organizações não-governamentais (ONGs), as quais, embora te-nham tradicionalmente seguido um caminho próprio nas suas ações junto dos governos municipais, es-taduais e federal, concorrem, em certo sentido, com as universidades, podendo representar importantes aliados e co-autores de um sem número de atividades realizadas pelas instituições universitárias.

Conclui-se, assim, que, apesar das dificuldades em traçar os limites das instituições é relevante compreender as forças externas que nela se refletem e interferem, condicionando-a ou direcionando as suas estratégias. Além disso, para melhor compreender como são formuladas as suas estratégias, é im-portante analisar a sua estrutura institucional acadêmica, que reflete o processo decisório e, desta forma, como ela é governada, questão que tem sido amplamente discutida pelos teóricos organizacionais.

3.4. As Universidades Brasileiras na Atualidade

As universidades brasileiras vivenciam, atualmente, situações complexas envolvendo, por um lado, exigências cada vez maiores por parte da sociedade e, por outro, uma política de ensino superior calcada em visões imediatistas, quantitativas e utilitaristas, que as estão sufocando, restringindo o finan-ciamento das suas atividades por parte do Estado.

Desafiadas, as universidades não parecem preparadas para enfrentar esta nova realidade, já que esta exige transformações profundas, além dos estreitos limites das simples reformas. Neste sentido, mais do que uma análise conjuntural das suas condições atuais, é preciso imergir na sua realidade estru-tural, promovendo mudanças fundamentais que superem a rigidez funcional e organizacional, a relativa impermeabilidade às pressões externas e a aversão à mudança.

Uma política pública de educação superior não pode deixar de estender as características acadêmicas, como o rigor científico, a liberdade de pensamento e de expressão e a condição de geradora da cultura local, estadual e nacional, a todos os cidadãos.

Amplia-se, assim, o compromisso da Universidade, que resulta de um esforço de criação e sus-tentação por parte da sociedade, de repartir com segmentos, cada vez mais amplos, as suas conquistas e descobertas no campo do ensino e os resultados da produção do saber que gera no campo da investiga-ção e ligação com a sociedade, reduzindo as desigualdades, combatendo a exclusão e aumentando a par-ticipação cidadã.

3.5. Funções Essenciais das Universidades

As funções básicas de uma Universidade são o ensino, a investigação e a ligação à sociedade, devendo estas serem interdependentes, inter-relacionadas e interatuantes. Atualmente, com a globaliza-ção do mundo contemporâneo, a Universidade rompe a sua ação intramuros, ultrapassando o seu próprio território universitário e chegando às necessidades culturais e sociais das comunidades próximas e dis-tantes.

A Universidade caracteriza-se pela natureza essencialmente qualitativa, estrutura departamenta-lizada e fragmentada em distintas áreas, poder decisório descentralizado baseado em colegiados, auto-nomia das unidades acadêmicas, trabalho maioritariamente individual e liberdade acadêmica de que o professor usufrui como profissional e principal agente de produção.

3.6. As Universidades Públicas Brasileiras

A Universidade, sem dúvida, é um tipo especial de organização, tanto pelas suas características de produção multifinalista, como pelos seus processos, estruturas e recursos. Ela é uma organização atí-pica, em que os recursos e processos são seres humanos. Por isso, ela merece destaque na literatura or-ganizacional como um tipo especial de burocracia.

As Universidades Públicas Brasileiras estão vinculadas ao Ministério de Educação (MEC), obe-decendo a princípios de indissociabilidade entre as atividades de ensino, pesquisa e extensão e gozam de autonomia didático-científica, administrativa, de gestão financeira e patrimonial, conforme o artigo 207 da Constituição Federal Brasileira de 1988. Elas são regidas pela legislação federal do Ensino Superior, pelos seus estatutos (aprovado pelo Conselho Universitário e publicado em Portaria Ministerial), pelos Regimentos Gerais e por Resoluções emanadas dos seus Conselhos Superiores.

As Universidades brasileiras estruturam-se com base no modelo norte-americano, com o objeti-vo de flexibilizar o sistema. Nesse sentido, foram implantados os sistemas de créditos (matrículas por disciplinas), a estrutura do ensino de pós-graduação em três níveis (especialização, mestrado e doutora-do), a estrutura de ensino de graduação em dois estágios (o ensino básico e o ensino profissional), o sis-tema de avaliações, em substituição do sistema de notas por menções, a instituição dos Departamentos, em substituição da cátedra e a adoção de múltiplas formas jurídicas, tais como fundações e autarquias (Freitag, 1986; Romanelli, 1991).

Trindade (1994), ao comentar o carácter complexo da estrutura universitária, como uma institui-ção multifuncional, e os desafios de gestão e planejamento que se colocam, considera que a Universida-de enfrenta sérias dificuldades para assegurar níveis aceitáveis de excelência acadêmica. Nesse sentido, a qualidade tornou-se o problema central das universidades brasileiras, que se encontram num estágio em que têm que gerir, ao mesmo tempo em que devem cumprir as funções tradicionais.

3.7. Qualidade na Universidade

Na Universidade, a questão da qualidade suscita discussões em várias dimensões interdependen-tes, inter-relacionadas e capazes de contemplar todos os processos acadêmicos, como por exemplo:

• Dimensão da qualificação do corpo docente e técnico administrativo;

• Dimensão da seleção de alunos;

• Dimensão da relação ensino versus empregabilidade;

• Dimensão das condições e uso de tecnologias disponíveis e

• Dimensão das práticas e perspectivas pedagógicas.

Quando identificada a presença da qualidade como uma ameaça à projeção política da Universidade, ela deve ser entendida como uma metodologia que serve àquela e nunca o oposto (Tubino,1998).

Reconhece-se que a Universidade não tem acompanhado as mudanças da sociedade ao ritmo que se espera dela; que ela tem reagido lentamente para corresponder às necessidades sociais; que está defasada e precisa agir urgentemente para ser considerada uma organização social de qualidade (Tubino, 1998).

As universidades preparam futuras gerações de profissionais e cidadãos, refletindo acerca do mundo e da vida em sociedade. No entanto, é nestas mesmas Universidades que se encontram as maiores resistências às mudanças e transformações exigidas pelo ambiente (Meyer, 1997).

4. CONSIDERAÇÕES

Procurou-se mostrar que, desde o seu surgimento, a Universidade passou por várias transformações. E, de certa forma, ela foi a principal responsável pelas transformações que ocorreram em vários setores.

A sociologia, conforme definido por Durkhein, é útil para a compreensão de organizações tão complexas como as universidades, principalmente na questão qualidade, na medida em que ela pode ser vista como uma crença e como um comportamento instituído pela coletividade. Também pode ser caracterizada como fato social, pois exerce sobre os indivíduos, uma coerção exterior. As Universidades poderão estar sentindo este tipo de influência, vendo-se assim obrigadas a ingressar em programas da qualidade, devido a pressões políticas e econômicas.

Dentro dos mecanismos de mudança institucional isomórfica apresentados por Dimaggio & Powell (1991), considera-se que a adopção de avaliações da qualidade por parte das universidades se deve, principalmente, as pressões isomórficas coercitivas, sendo que as mesmas são organizações sociais que se encontram em constante troca, uma vez que em seu meio se encontram pessoas com os mais diversos interesses e aspirações, num ambiente em constante mudança, conduzindo a administração a adaptações contínuas para prestar um ensino superior de excelência.

A Universidade é um espaço promissoramente crítico, não conformista e aberto à inovação e à transformação do espaço social, sendo evidenciado, assim, o papel social desempenhado pela mesma. Para manter este papel, a Universidade precisa que todos os seus integrantes tenham consciência da sua importância social.

Hoje, para sobreviverem, as universidades são forçadas a tornarem-se próativas nas suas ações estratégicas, principalmente na identificação e satisfação das expectativas e necessidades de um mercado cada vez mais exigente.

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NOTAS

1. Mestre em Gestão da Informação, Especialista em Sociologia Politica, Graduada em Administração de Empresas da Universidade Católica de Pelotas, Professora e Coordenadora do Ead – Polo Pelotas Da Anhanguera Educacional – AESA e Administradora da Universidade Federal de Pelotas.

2. Acadêmica do Curso de Direito da Universidade Católica de Pelotas e Acadêmica do Curso de Administração da Universidade Federal do Rio Grande -FURG.

3. Economista e Especialista em T.I. (UCPel-RS/Brasil), Economista da Universidade Federal do Pampa - UNIPAMPA (Bagé-RS/Brasil), Pro-fessor de Economia Empresarial do MBA Gestão Estratégica de Negócios e Administração Hospitalar- Faculdade Atlântico Sul de Pelotas – AESA, Professor do Curso de Tecnólogo em Gestão Pública da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e Mestrando em Integración Económi-ca Global y Regional- Universidad Internacional de Andalúcia- UNIA-ES

 


 

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