Contribuciones a las Ciencias Sociales
Febrero 2014

MEMÓRIA COLETIVA E LUTA PELO PATRIMÔNIO CULTURAL DAS REGIÕES DE MISSÕES JESUÍTICAS NO SUL DO BRASIL POR MEIO DA REDE DE GRUPOS DO FACEBOOK



Marina Gowert dos Reis (CV)
Renata Ovenhausen Albernaz (CV)
marinagowertdosreis@gmail.com
Universidade Federal de Pelotas





Resumo:
Esse artigo pretende observar questões da memória coletiva no contexto de cibercultura. Para esse fim, foi realizada uma busca sobre comunidades virtuais formadas para a proteção do patrimônio histórico, artístico e arqueológico existentes no Brasil. Dentre esses grupos, foi escolhida uma comunidade formada para a proteção do patrimônio histórico da região de Missões Jesuíticas na América do Sul - o grupo da rede social Facebook Defenda Santo Ângelo! Quero nossa história viva!  Nesse grupo, seus membros discutem e denunciam a preservação do patrimônio cultural da cidade. O estudo observou como a memória coletiva se instaurou e como o patrimônio cultural é reconhecido e protegido na comunidade virtual, tendo em mente o que é proposto por Rosnay (2006).Palavras-chave: Memória Coletiva. Internet. Rede Social Facebook.

Palavras chave: Memória coletiva, Patrimônio Cultural, Comunidades Virtuais, Democratização

COLLECTIVE MEMORY AND PROTECTION OF CULTURAL HERITAGE OF THE REGIONS OF JESUIT MISSIONS IN SOUTHERN BRAZIL THROUGH NETWORK OF FACEBOOK GROUPS

Abstract:
This article intends to observe issues of collective memory in the context of cyberculture. To this end, a search on virtual communities formed for the protection of historical, artistic and archaeological heritage existing in Brazil was performed. Among these groups, we have chosen a community formed to protect the historical heritage of the region of Jesuit Missions in South America - the group of social network Facebook Defend Sant'Angelo! I want our living history! In this group, its members discuss and denounce the preservation of the cultural heritage of the city. The study looked at how collective memory is introduced and how the cultural heritage is recognized and protected in the virtual community, bearing in mind what is proposed by Rosnay (2006).
Key-words: Collective Memory, Cultural Heritage, Virtual Communities, Democratization

MEMORIA COLECTIVA Y LUCHA POR EL PATRIMONIO CULTURAL DE LAS REGIONES DE MISIONES JESUITAS EN EL SUR DE BRASIL A TRAVÉS DE LA RED DE GRUPOS DE FACEBOOK

Resumen
Este artículo tiene la intención de observar los problemas de la memoria colectiva en el contexto de la cibercultura. Para ello, se realizó una búsqueda en las comunidades virtuales formadas para la protección del patrimonio histórico, artístico y arqueológico existente en Brasil. Entre estos grupos, hemos optado por una comunidad formada para proteger el patrimonio histórico de la región de las Misiones Jesuíticas en América del Sur - el grupo de la red social Facebook Defender Sant'Angelo! Quiero que nuestra historia viva! En este grupo, sus miembros discuten y denuncian la preservación del patrimonio cultural de la ciudad. El estudio analizó cómo se introduce la memoria colectiva y cómo se reconoce y protege la patrimôniuo cultural en la comunidad virtual, teniendo en cuenta lo que se propone por Rosnay (2006).
Palabras claves: Memoria Colectiva, Patrimonio Cultural, Comunidades Virtuales, Democratización./p>

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Para citar este artículo puede utilizar el siguiente formato:
Gowert dos Reis, M. y Ovenhausen Albernaz, R.: "Memória coletiva e luta pelo patrimônio cultural das regiões de missões jesuíticas no sul do Brasil por meio da rede de grupos do Facebook", en Contribuciones a las Ciencias Sociales, Febrero 2014, www.eumed.net/rev/cccss/27/memoria-coletiva.html

INTRODUÇÃO
Esse artigo pretende observar questões da memória coletiva no contexto de cibercultura, analisando o grupo da rede social Facebook Defenda Santo Ângelo! Quero nossa história viva!1 2 (DSAQNHV) como um espaço para compartilhar e armazenar memórias de uma comunidade. Diversos estudos recentes analisam a internet como um espaço de memória coletiva, como os dos teóricos Federico Casalegno e Joël de Rosnay, surgindo desses a dúvida de como se instaura a mesma em um determinado grupo do Facebook, na qual se baseia esse artigo. Destaca-se que o objeto elencado para essa pesquisa tem vocação patrimonial, uma vez que foi criado pela comunidade de Santo Ângelo – RS com o intuito de discutir a preservação do patrimônio cultural da cidade.
Tais questionamentos são possíveis em um contexto de cibercultura, definindo essa como o processo sociocultural de integração da vida com a tecnologia (LEMOS, 2002). A cibercultura parte de um panorama de modificação do significado de informática, saindo de um panorama onde o homem se colocava contra a máquina, pois essa era desenvolvida para oprimi-lo e substituí-lo, chegando a um processo de convergência com a tecnologia, quando a capacidade da máquina é colocada à serviço do homem (CASTELL, 2007). É um processo que compreende aparelhos como computadores, celulares, televisão digital, entre outros, interconectados através da rede mundial. Ainda pontua-se os usos que surgem dessa rede, como correspondência eletrônica, os websites e as redes sociais na internet. Compreende-se o tempo da cibercultura como o tempo da conexão e da difusão de informações (LÉVY, 2007).
Pode-se ressaltar que a internet é somente uma das possibilidades técnicas às quais a memória dos grupos sociais está submetida, não modificando suas estruturas, mas adequando a sua forma de compartilhamento e armazenamento. Lévy (2008) aponta, tendo como exemplo as comunidades baseadas na oralidade primária, que a linguagem era o instrumento de memória, sendo necessário que houvesse a repetição para que as memórias não fossem esquecidas. Assim, visualizando a sociedade humana em um momento de convergência com a técnica, parte-se da premissa da internet como uma possibilidade técnica de construção e compartilhamento de memória coletiva, como na figura do grupo do Facebook DSAQNHV.

  1. MEMÓRIA COLETIVA E O ESTABELECIMENTO DE COMUNIDADES

Maurice Halbwachs (2006), sociólogo francês, discípulo de Durkheim, que escreveu seus principais trabalhos entre as décadas de 1920 e 1940, e que construiu o conceito de memória coletiva, defende que a memória do indivíduo forma-se a partir das estruturas sociais nas quais esse se encontra, assim podendo-se colocar que não é possível evocar uma memória sem levar em consideração o quadro social no qual o indivíduo está inserido. Logo, mesmo a memória individual acontece a partir do coletivo, pois é fruto das interações entre os indivíduos e de um hábito de intensa socialização (HALBWACHS, 2006).
Ainda, relaciona-se esse pensamento à ideia de comunidade, uma vez que, segundo Halbwachs (2006), é a partir da negociação entre os indivíduos de um grupo que a memória coletiva é construída, sendo assim fundamental na concepção de comunidade, estando ligada, ainda, à questão de identidade. Casalegno (2006), em pesquisas sobre memória coletiva na internet, ainda pontua que a memória coletiva toma forma porque são os indivíduos e as comunidades que nutrem e acessam essa construção, estando essa distante das instituições de poder.
O contexto de memória coletiva ainda compreende a ideia de esquecimento, sobre o qual Halbwachs (2006) coloca que se perde uma lembrança porque há muito tempo não se compartilha com o grupo no qual essa é dividida. À exemplo, “esquecer um período de sua vida é perder contato com aqueles que então nos rodearam" (HALBWACHS, 2006, p. 32). Pensando nessa partilha a partir de uma visão material, de proximidade, já destaca-se uma das potencialidades que traria a internet, uma vez que essa possibilita que indivíduos ultrapassem distâncias geográficas e mantenham diálogo através do meio de comunicação.
Tal compartilhamento não é colocado somente a partir da materialidade. Nem sempre é necessário que o individuo esteja em contato direto com o grupo para acessar a memória coletiva. Halbwachs (2006) relata seus passeios pela cidade de Londres, ora com um amigo historiador, ora com um arquiteto, pontuando como as visões dessas diferentes pessoas modificam a imagem que ele tem da cidade. Ainda agrega a essas experiências de grupo todos os contatos que teve com a cidade através da literatura, dizendo que nas situações pelas quais andou por Londres não pode dizer que esteve sozinho, pois essas lembranças que outras pessoas dividem com ele o acompanhavam (HALBWACHS, 2006). Ainda, sobre a ideia de que não é necessário um testemunho presente, no sentido literal da expressão, coloca:
(...) elas me ajudam a recordá-las e, para melhor me recordar, eu me volto para elas, por um instante adoto seu ponto de vista, entro em seu grupo, do qual continuo a fazer parte, pois experimento ainda sua influência e encontro em mim muitas das ideias e maneiras de pensar a que não me teria elevado sozinho, pelas quais permaneço em contato com elas. (HALBWACHS, 2006, p. 31)
A memória coletiva é um processo de troca, e, assim, não basta que os integrantes do grupo, com os quais se divide a lembrança, ainda compartilhem do sentimento que os une, se o indivíduo que deseja lembrar não mais compartilha-o. Nesse caso, “desapareceu uma memória coletiva mais ampla, que ao mesmo tempo compreendia a minha e a deles” (HALBWACHS, 2006, p. 40). Halbwachs coloca que “não basta reconstruir pedaço a pedaço a imagem de um acontecimento passado para obter uma lembrança. É preciso que esta reconstrução funcione a partir de dados ou de noções comuns que estejam em nosso espírito e também no dos outros” (HALBWACHS, 2006, p. 39).
  Uma vez que os “quadros sociais” são base de sua teoria sobre a memória coletiva, Halbwachs (2006) discorre sobre o que seriam esses, não caracterizando-os somente como datas ou nomes (relativos à memória histórica), mas sim “correntes de pensamento e experiência que estão sempre em deliberação dentro do grupo social” (HALBWACHS apud PUHL & ARAÚJO, 2012). Assim, “a memória é este trabalho de reconhecimento e reconstrução que atualiza os ‘quadros sociais’ nos quais as lembranças podem permanecer e, então, articular-se entre si” (SCHMIDT & MAHFOUD, 1993).
Observa-se, ainda, que a partilha de memória, e nessa a construção da memória coletiva, é uma das condições necessárias para o estabelecimento da comunidade. Adiciona-se à essa colocação o fato de que quando indivíduos compartilham uma memória é provável que partilharam uma experiência em conjunto (CASALEGNO, 2006). É nessa partilha que a comunidade se estabelece.
Joël de Rosnay (2006), definido por Federico Casalegno como um “conhecedor das tecnologias e das ciências da vida” (CASALEGNO, 2006, p. 35) ou ainda um “tecnólogo humanista”, propõe reflexões sobre a memória na internet. Falando sobre a ideia de comunidade, Rosnay (2006) visualiza essa como uma rede e um sistema. Sobre esses dois paradigmas:

Trata-se de uma rede composta de nós, que constituem os verdadeiros agentes da rede e que se comunicam uns com os outros, trocando informações e regulando-se uns por meio das relações com os outros. Em seguida, trata-se de um sistema, na medida em que um conjunto complexo constituído de elementos interdependentes cria uma dinâmica particular de conjunto. (ROSNAY, 2006, p. 36)
A comunidade, sendo um grupo de seres vivos, diferentes uns dos outros, só pode funcionar a partir de convenções compartilhadas, sendo enumeradas por Rosnay (2006) como as leis, as regras, os usos e costumes, os hábitos, sendo que essas seriam o “cimento” que une a os indivíduos em comunidade. Rosnay (2006) ainda descreve a existência de uma cultura vigente na comunidade, que remete às identidades territoriais e linguísticas, às tradições folclóricas, musicais, e, por vezes, ideológicas, sendo essas outros elementos que unem esse grupo de seres.
Finalizando esse apanhado de conceitos sobre memória coletiva e sua relação intrínseca com a formação de uma comunidade, que foram pontuados a partir do que será observado em um contexto digital na internet, coloca-se uma ideia de Michel de Certeau, complementada pelas reflexão de Casalegno (2006) sobre a memória que está viva, entendo essa a partir de uma perspectiva de constante alteração :
Uma memória está viva quando ela é apropriada pelas pessoas e quando ela é regulada pelo jogo múltiplo da alteração. A memória não existe senão por invocação (ou apelo por um outro), alteração permanente e constante. A memória viva não possui um perímetro identificável, fixo e estático (...) (CASALEGNO, 2006, p. 30)

  1. O CIBERESPAÇO, AS COMUNIDADES VIRTUAIS E A MEMÓRIA COLETIVA

Segundo Casalegno (2006), a sociabilidade na atualidade parte de um paradigma de convergência da “sinergia entre as comunidades, a memória e a comunicação ” (CASALEGNO, 2006, p. 33). É a partir dessa colocação que propõe-se uma observação do ciberespaço como um espaço de compartilhar e construir lembranças, podendo, assim, abrigar a memória coletiva de comunidades.
A fim de conceituar a “atualidade” do ponto de vista comunicacional, fala-se da cibercultura, situando essa como um fenômeno da pós-modernidade, quando a vida humana é permeada pela tecnologia. Pode-se conectar a relação dos indivíduos com as “novas tecnologias de comunicação” (NTC) à acontecimentos do século XIX, quando por meio de artefatos eletroeletrônicos como rádio, telégrafo, telefone, cinema, o homem amplia o seu desejo de interagir com outros sem estar próximo dos mesmos (LEMOS, 2010). Assim, é possível compreender que os indivíduos já utilizavam artefatos que passam por lógicas semelhantes à de computadores, entre outros que exploram a conexão através de via digital.
A cibercultura propriamente dita surge “com os impactos socioculturais da microinformática” (LEMOS, 2010, p. 101). É conceito que versa sobre o contexto da vida humana permeada pela tecnologia atual, algo que se explica, especialmente, no advento do microcomputador, considerando o ano de 1977 como marco dessa evolução, com o lançamento do Apple II, primeiro microcomputador de sucesso comercial, e o ano de 1983 com Apple Lisa, primeiro à integrar interface gráfica e periférico de entrada (o mouse) (CASTELLS, 2007). Vale ressaltar o que Lemos (2010) pontua sobre a cultura no contexto da cibercultura, dizendo que o que acontece é a convergência sobre um forma de comunicação, essa que é não-midiática, comandada pelos indivíduos, interativa, comunitária, transversal, rizomática.
Pierre Lévy, teórico da comunicação com estudos sobre memória, democracia e movimentos sociais no contexto de cibercultura, ainda define que essa refere-se ao “conjunto de técnicas (materiais e intelectuais), de práticas, de atitudes, de modos de pensamento e de valores que se desenvolvem juntamente com o crescimento do ciberespaço” (LÉVY, 2007, p. 17). Desse contexto surge o ciberespaço, novo meio de comunicação que emerge da interconexão mundial dos computadores, a rede, a internet, falando não somente da infraestrutura material necessária para o seu funcionamento, mas também do universo de informações que abriga, e dos seres humanos que alimentam e se comunicam através desse espaço (LÉVY, 2007).
Desta maneira, o ciberespaço é o meio digital, que é, entre outras interpretações, um suporte de informação. Dentre essas informações estão as lembranças, e, através da possibilidade de conexão de pessoas e compartilhamento das mesmas, a memória coletiva. Lévy (2007) coloca o ciberespaço a partir de três palavras de ordem: interconexão, criação de comunidades virtuais e inteligência coletiva. A interconexão versa sobre a possibilidade de uma aproximação das fronteiras que dividem a humanidade. Nesse princípio se apoia a ideia das comunidades virtuais, sendo que essas são “construídas sobre as afinidades de interesses, de conhecimentos, sobre projetos mútuos, em um processo de cooperação ou de troca, tudo isso independentemente das proximidades geográficas e das filiações institucionais” (LÉVY, 2007, p. 127). A inteligência coletiva, segundo Lévy (2007), vem do ideal do coletivo inteligente, do conhecimento participativo construído em conjunto, tendo no ciberespaço, possivelmente, a técnica indispensável para alcançar tal objetivo.
Esses princípios, colocados por Lévy, relacionam-se diretamente à ideia de ver meio digital como um espaço de construção e compartilhamento de memória coletiva. Casalegno (2006) traz, nessa perspectiva, o conceito inteligência conectiva de Derrick de Kerckhove, ligado à inteligência coletiva de Lévy, sobre o qual comenta:
(...) fazendo emergir a ideia de uma estrutura social que funciona de forma mais complexa, que se torna um substrato comunitário e que faz com que os homens possam comunicar e cooperar de acordo com a imagem das comunidades científicas que criaram essa rede de comunicação que é a internet. (CASALEGNO, 2006, p. 31)
Tendo em mente que a memória coletiva é essencial para a constituição de uma comunidade, observa-se as colocações de Rosnay (2006) sobre comunidade reais e virtuais, buscando entender as conjecturas dessas no âmbito digital. O autor remete a comunidade real ao sentido tradicional de comunidade, de grupo de seres que compartilham aspectos em suas vivências. As comunidades virtuais não seriam um resultado das novas tecnologias, mas sim uma ideia que sempre existiu. A comunidade virtual, sem liga-la às novas mídias, é definida a partir da ideia de veiculação de um certo número de valores entre os indivíduos compreendidos no grupo, mas não presumindo que esses seriam compartilhados por todos, nem de maneira idêntica. As mudanças possibilitadas pelo ciberespaço estão no fato de que esse, como meio de comunicação, não permite somente a veiculação e partilha desses valores, possibilitando também a ligação concreta entre os indivíduos, via uma comunicação tangível (ROSNAY, 2006).
Entretanto, essas categorias estão cada vez mais unidas, em especial pelo desenvolvimento exponencial das redes interativas e multimídia. Rosnay (2006) ainda vai além, dizendo que é a partir da virtualização das comunidades que surge a sua realidade. Assim, “ela permanece virtual pela partilha de valores imateriais, mas se torna real pela instantaneidade da comunicação no tempo e espaço” (ROSNAY, 2006, p. 37). Aqui vale comentar o que Lévy (2007) coloca sobre o binômio real – virtual, complementando o entendimento dos conceitos discutidos:
(...) no uso corrente, a palavra virtual é muitas vezes empregada para significar a irrealidade - enquanto a "realidade" pressupõe uma efetivação material, uma presença tangível. (…) Contudo, a rigor, em filosofia o virtual não se opõe ao real mas sim ao atual: a virtualidade e atualidade são apenas dois modos diferentes da realidade. Se a produção da árvore está na essência do grão, então a virtualidade da árvore é bastante real (sem que seja, ainda, atual). (LÉVY, 2007, p. 47)
As comunidades usam da virtualidade possibilitada pelo meio digital para se potencializar, as lembranças são compartilhadas, discutidas, acessadas, construídas nesse espaço. A internet é um espaço de memória coletiva, mais precisamente uma possibilidade técnica para a mesma no momento presente. Assim, buscando-se compreender como as memórias se organizam no contexto da rede, observa-se a classificação que Rosnay (2006) traz,  mostrando que existem dois tipos de memórias digitais, a memória implícita e memória explícita.
Assim, “a memória explícita repousa sobre as informações estocadas em bases de dados e que se utiliza com a ajuda de mecanismos de busca” (ROSNAY, 2006, p. 42), a partir da ideia de categorizar as informações que são armazenadas no ciberespaço. Já a categoria de memória implícita na internet versa sobre uma memória que não é construída pelas pessoas na rede, mas sim que se “autoconstrói”, ainda estruturando a rede, a conexão entre as informações que estão na internet. Rosnay (2006) explica essa ideia a partir do exemplo do link:
Crio um link entre duas páginas da rede, e ao fazê-lo, crio um link implícito de memória, um link que cria um contato entre dois neurônios, uma via de acesso. Na internet, são todos esses caminhos de memorização que são extremamente interessantes, são esses links que se constituem, independentemente das pessoas. Trata-se de uma memória referencial, implícita, ecossistêmica de certo tipo. (ROSNAY, 2006, p. 42)
À princípio, não encontra-se categorias correspondentes a essas no âmbito da memória humana, fato que justifica-se nas diferenças entre armazenagem e recuperação de informações em um cérebro humano e no ciberespaço.
Desta forma, pensando especificamente no viés da memória coletiva, o meio digital é, em suma, uma possibilidade técnica de armazenamento, ainda que influencie o modo de agir dos indivíduos organizados em comunidades virtuais na internet. Assim como em um período de tradição oral usava-se a fala como forma de compartilhamento de memória, e com o surgimento da escrita tem-se uma outra forma de organizar essas lembranças, com a popularização do uso do ciberespaço, esse é apropriado pelos indivíduos como um espaço de compartilhar, construir, acessar memórias. Observa-se que a memória coletiva sempre está submetida às possibilidades técnicas de armazenamento de informação que são vigentes no momento presente.

  1. GRUPOS NA REDE SOCIAL FACEBOOK E A MEMÓRIA COLETIVA DE UMA COMUNIDADE VIRTUAL

A partir do que foi colocado sobre o ciberespaço, segue-se, aqui, uma observação sobre a memória coletiva na internet, atentando ainda para as questões das comunidades virtuais. Esse artigo tem como objeto de observação do grupo na rede social Facebook Defenda Santo Ângelo! Quero nossa história vida!. Tal objeto foi selecionado por sua importância para a preservação do patrimônio cultural desse munícipio, localizado no estado do Rio Grande do Sul, mas também pela “profusão” de memórias que são compartilhadas nesse espaço.
Os websites de redes sociais são ferramentas alocadas no ciberespaço que possibilitam, caracterizando-as de maneira reduzida, a interconexão entre usuários conectados. Observa-se a definição de Boyd & Ellison (2007), teóricas da comunicação e informática, com estudos sobre as redes sociais:
Definimos websites de redes sociais como serviços estabelecidos na rede mundial que permitem que indivíduos (1) construam um perfil público ou semi-público dentro das fronteiras do sistema, (2) articular uma lista de usuários com os quais eles compartilham uma conexão, e (3) ver e percorrer a sua lista de conexões e aquelas feitas por outros incluídos no sistema. 3 (BOYD & ELLISON, 2007, p. 2)
Para Raquel Recuero (2009), pesquisadora da comunicação com estudos sobre redes sociais, essas ferramentas construídas na internet partem da premissa de metaforizar os padrões de conexão dos grupos sociais em um espaço virtual de comunicação, onde é possível estabelecer diálogo entre indivíduos próximos ou distantes (RECUERO, 2009). Desde seu surgimento, os websites de redes sociais alcançam alta penetração na população conectada à rede mundial, ainda pontuando que seus usuários normalmente integram o uso desses serviços à vida cotidiana (BOYD & ELLISON, 2007). Assim, os indivíduos convergem sua vida “real” com o que ocorre no ambiente virtual, levando seus interesses, relações, questões e ideias para as redes sociais. Em contrapartida, os indivíduos abastecem e modificam seu imaginário a partir do que percebem e experimentam nesses espaços.
Ainda pontua-se que “a grande diferença entre sites de redes sociais e outras formas de comunicação mediada pelo computador é o modo como permitem a visibilidade e a articulação das redes sociais” (RECUERO, 2009, p. 102), mantendo laços sociais que podem ter-se estabelecido em uma rede off-line através de um sistema que prima por uma fácil navegação. Nessa ideia compreende-se que as redes sociais na internet são espaços que abrigam as comunidades virtuais, potencializando suas conexões. É possível enumerar categorias de redes sociais na internet, dentre essas os fotologs, weblogs, ferramentas de mensagens curtas, como Twitter4 e Plurk 5, além de sistemas como Orkut 6 e Facebook (RECUERO, 2009).
Atualmente, observa-se que uma das redes sociais com maior adesão do público conectado e com maior fluxo de informações é o Facebook 7. É possível destaca-la como um espaço digital democrático, de fácil navegação e acesso livre. Segundo o Social Bakers8 , o Brasil é o segundo país na contagem de usuários conectados ao Facebook, alcançando o número de 58.404.860 usuários 9. Tem 37,7% de índice de penetração na população do país e 76,91% na população online. Dentre suas ferramentas está a criação de perfil pessoal, envio de mensagens particulares entre usuários, criação de páginas e grupos para os mais diversos fins.
Após discorrer sobre as circunstâncias das redes sociais na internet, passa-se à discorrer sobre o grupo no Facebook que é objeto desse artigo e contextualizar sua situação. A cidade de Santo Ângelo era localidade integrante dos Sete Povos das Missões e é chamada de “Capital das Missões”, por ser o maior município dessa região, com 76.304 habitantes segundo o censo de 201010 . Seu Centro Histórico compreende cerca de 40 edificações, com uma média 15 mil metros quadrados, caracterizadas pela influencia dessas etnias formadoras da comunidade local, sendo espaço de valor arqueológico, histórico e cultural.
O Centro Histórico, até então sob tutela privada, encontrava-se em vias de ser descaracterizado, uma vez que é área de especulação imobiliária, onde estava ocorrendo a destruição de edificações históricas a fim de fornecer espaço para construção de novos imóveis. O processo de preservação desse conjunto patrimonial, buscando legitimação através de políticas públicas, surge na mobilização da comunidade local, que organiza-se através do Facebook para buscar suas reinvindicações.
O grupo de discussão DSAQNHV foi criado em 6 de setembro de 2011 por Darlan Marchi, com o intuito de continuar o diálogo patrimonial que era efervescente no município. Em maio de 2012 esse espaço virtual vira local de ação da comunidade que mobiliza-se na construção de um abaixo-assinado digital a fim de solicitar o tombamento do Centro Histórico. Esse documento é construído usando o website Petição Pública, mostrando, novamente, como o ciberespaço pode potencializar as ações da comunidade. O abaixo-assinado foi instrumento utilizado para iniciar o processo administrativo aberto pelo IPHAE - RS, solicitando o tombamento do Centro Histórico de Santo Ângelo. Essa solicitação parte da sociedade civil organizada através da Oscip Defender 11, Organização da Sociedade Civil de Interesse Público Defesa Civil, culminando em julho de 2012, no tombamento preventivo da referida área.
Esse caso aproxima-se de uma resolução, que resultará na preservação patrimonial, quando o IPHAE – RS, em 16 de outubro de 2013 12, publica, no Diário Oficial do Estado, a notificação do tombamento do Centro Histórico de Santo Ângelo – RS. Tal área compreende o quadrante central da cidade, onde localizava-se a Redução Jesuítica de Santo Ângelo Custódio. São 116 imóveis particulares que podem ser tombados, somando à esses 28 que são propriedade de empresas e entidades, e 12  pertencentes ao poder público. Segundo a notificação, os proprietários possuem 30 dias para contestar o edital de tombamento. É a partir desses pedidos, comprovando o valor histórico das edificações, que essas podem ser incluídas no Livro do Tombo do IPHAE – RS.
A fim de sistematizar a análise que será feita do grupo do Facebook DSAQNHV a partir da memória que é compartilhada nesse espaço, observa-se aqui quais pontos serão considerados. Inicialmente serão mapeadas as postagens feitas pelos usuários, buscando encontrar as interações relevantes para o tema que é pesquisa, ou seja, as publicações que evocam lembranças. Em um segundo momento, essas publicações serão analisadas buscando compreender o seu conteúdo, o que compartilham. Em um terceiro momento, será observado se essas publicações foram curtidas pelos usuários da rede social, sendo esse o recurso do sistema que mostra que os indivíduos gostam e concordam com o que foi publicado. Considera-se esses dados relevantes porque apresentam uma ideia de engajamento, podendo referir-se ao número de pessoas que se identificam com o conteúdo que é apresentado ali.
Já no princípio dessa análise leva-se em conta o que Rosnay coloca, que o “melhor sistema de comunicação seria o mais acessível, o menos caro e o mais imediato” (ROSNAY, 2006, p. 46), quando fala sobre como seria possível ajudar os indivíduos à criarem uma memória coletiva digital. A internet como um todo é caracterizada por esses adjetivos. Entretanto, a rede social Facebook representa essas ideias de maneira potencializada. Ainda pontua-se que os tipos de memória na internet propostos por Rosnay (2006) não funcionam na observação do Facebook, uma vez que tratam de endereços gerais no ciberespaço, suas conexões e maneiras de recuperação, e não de informações publicadas por indivíduos.
O grupo DSAQNHV tem atualmente 846 membros13 , tendo iniciado suas atividades em 6 de setembro de 2011. Inicia-se a primeira etapa da análise observando as postagens antigas, indo em direção às atuais, buscando conteúdos que evoquem memórias pessoais ou da comunidade. Essas postagens são caracterizadas em relatos de acontecimentos ou lembranças, fotografias ou vídeos que evoquem a memória da cidade, e ainda postagens que combinam dois elementos, como fotografia e relato, sendo que tais categorias foram elencadas na observação. Foram identificadas 60 postagens que se caracterizam dessa maneira, identificadas pelas datas em que foram feitas, pelo usuário que à fez, e pelo número de curtidas que recebeu.
A seguir, uma tabela que lista o período considerado, o número de postagens compreendidas no mesmo, o tipo de conteúdo presente na postagem mais curtida e o número de curtidas que essa postagem recebeu.


PERÍODO

NÚMERO DE POSTAGENS

TIPO DE POSTAGEM
COM MAIS CURTIDAS

NÚMERO DE CURTIDAS

SET/OUT/DEZ/2011

12

fotografia

16

ABR/JUN/JUL/AGO/
SET/OUT/NOV/DEZ/2012

15

fotografia + relato

33

JAN/FEV/MAR/JUL/
AGO/SET/OUT/NOV/2013

34

fotografia
Antes e Depois

23

Tabela 1 – Dados coletados no grupo DSAQNHV
Em uma primeira análise poderia ser dito que no primeiro ano do grupo as questões de memória não foram consideradas, visto o baixo número de postagens que entraram na categoria, e a necessidade de discutir principalmente as causas mobilizadas. Entretanto, observa-se que o período considerado é menor que os outros, fazendo com que o volume de postagens seja alto, e também que somente no primeiro mês foram feitas 10 postagens com conteúdo de memória. Assim percebe-se que mesmo entre a efervescente discussão sobre as causas que são buscadas, um número considerável de usuários tem a preocupação de difundir lembranças, transformar o espaço em local de memória coletiva.
Observa-se também que o momento atual, de Novembro de 2013, traz novamente uma mobilização em torno da preservação e compartilhamento de memória da comunidade. Esse fato é observado a partir da perspectiva de que, atualmente, o grupo se vira para as questões do eminente tombamento, mas não deixa de trazer a memória, individual e da comunidade, como relevante.
Ainda atenta-se para a “popularidade” de postagens que trazem algum tipo de imagens sobre a Santo Ângelo do passado. As postagens mais curtidas trazem esse tipo de conteúdo, mostrando um interesse por essas representações visuais que mostram e evocam memórias. Vale ressaltar uma coleção de postagens fotográficas com a temática Antes e Depois, onde os usuários responsáveis constroem uma imagem que coloca lado a lado registros fotográficos de como eram as edificações e como estão agora. A postagem mais curtida do ano de 2013, até o presente momento, é desse cunho, mostrando um interesse da comunidade em observar essa comparação. Essas postagens ainda geram discussões em cima do uso que foi feito dessas edificações, bem como faz com que usuários apresentem seus relatos.
Com essa análise da situação do compartilhamento de memórias individuais no grupo do Facebook DSAQNHV observa-se que mesmo não sendo essa a principal preocupação dos usuários, ela ainda está presente. Tais postagens podem ser mensuradas e classificadas, visualizando assim um panorama dessa prática nesse espaço. Levando em conta os parâmetros dessa pesquisa, é possível identificar qual tipo de conteúdo com o qual as pessoas tem uma maior identificação. Coloca-se, ainda, que o número de postagens que mostram algum elemento de memória individual ou da comunidade é pequeno em relação às outras categorias de conteúdo que são compartilhadas no grupo, ainda que não haja a possibilidade de apresentar um número exato para comparação, uma vez que o Facebook não apresenta ferramenta de contagem de publicações em grupos. Pode-se dizer que tal fato tenha relação à esse não ser o principal objetivo do grupo, que está em discutir e mobilizar maneiras de preservar o patrimônio cultural da cidade de Santo Ângelo. Essas questões estão relacionadas aos temas de memória, mas partem de uma prática diferenciada.
Vale, considerando o contexto que esse artigo apresenta, pontuar o fato de que essas informações postadas no grupo do Facebook estarão disponíveis para acesso até que o administrador do mesmo exclua o grupo. Isso faz com que tal espaço configure-se como um repositório de memórias, um arquivo que reúne a memória coletiva que foi ali armazenada. Essa visão faz com que o Facebook possa ser entendido como um “grande cérebro” de memória coletiva.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
               A dúvida que gera essa artigo, que versa sobre as conjecturas da memória coletiva em espaços de redes sociais na internet, parte de uma ideia de Casalegno (2006), quando diz que o paradigma da sociedade atual que emerge das cibersocialidades e que está em uma sinergia entre as comunidades, a comunicação e a memória. A cibercultura, que conduz esse processo, é entendimento de que, no período atual, a vida humana é permeada pelas novas tecnologias, de maneira específica, uma vez que os aparelhos e ferramentas compreendidos nessa categoria são utilizados pelos indivíduos como “próteses interpretativas”, como extensões do corpo humano (LEMOS, 2010). Assim, as novas tecnologias influenciam o modo de agir dos indivíduos, modificando, também, suas ações para acesso e compartilhamento de memória, que são levadas ao espaço digital.
Entende-se, assim, que no tempo da cibercultura, os websites de redes sociais, como o Facebook, são usados como ferramentas técnicas para compartilhamento e acesso de memória e, ainda, construção de memória coletiva. Tal afirmativa é visualizada no estudo do grupo do Facebook Defenda Santo Ângelo! Quero nossa história viva!, que mesmo sendo mobilizado por questões de preservação patrimonial e ativação de políticas públicas, agrega indivíduos que sentem a necessidade de compartilhar memórias individuais e coletivas e outros que tem interesse nesse conteúdo.
Os estudos e análises feitos nesse artigo fazem com que observe-se as comunidades virtuais a partir de uma nova perspectiva, considerando o que é pontuado por Rosnay (2006). Isto é, as comunidades virtuais não versam somente sobre a potencialização dos grupos quando organizam-se através da internet, mas também sobre “o sentimento de pertença a uma diáspora ou em relação a um paradigma que reúne as pessoas via valores imateriais” (ROSNAY, 2006, p. 37). Ainda apresenta-se, com esse artigo, a necessidade de nomear e classificar os tipos de memória em um contexto de redes sociais na internet, uma vez que as categorias de Rosnay (2006) não são adequadas para tal observação.
O estudo feito mostra um panorama de limitações do ciberespaço e do uso que os indivíduos fazem do mesmo para compartilhar, reconstruir e armazenar memórias e ainda constituir um espaço de memória coletiva. Entretanto, observa-se que essas práticas, que podem ser somente embrionárias, são relevantes, uma vez que a internet é um espaço onde as informações permanecem armazenadas e que abre a possibilidade para que diversos indivíduos acessem essas memórias. Nessa perspectiva considera-se, ainda, o que Rosnay (2006) levanta sobre a inexistência de uma memória melhor do que outra, pontuando que o que existe seria a utilização de um suporte mais eficaz.
Referências

BOYD, Danah & ELLISON, N. Social network sites: Definition, history, and scholarship. Journal of Computer Mediated Communication. V. 13, n. 1, p. 210 – 230, out. 2007.

CASALEGNO, Federico. Memória cotidiana: Comunidades e comunicação na era das redes. Porto Alegre: Sulina, 2006.

CASTELLS, Manuel. Sociedade em Rede – A Era da Informação: Economia, Sociedade e Cultura. São Paulo: Paz e Terra, 2007.
HALBWACHS, Maurice. A memória coletiva. São Paulo: Centauro Editora, 2006.

LEMOS, André. Cibercultura: tecnologia e vida social na cultura contemporânea. Porto Alegre: Sulina, 2002.

LÉVY, Pierre. Cibercultura. Rio de Janeiro: Ed. 34, 2007.

SCHMIDT, Marina Luísa Sandoval; MAHFOUD, Miguel. Halbwachs: memória coletiva e experiência. Psicologia USP. V. 4, n. 1-2, p. 285-298. 1993.

RECUERO, Raquel. Redes Sociais na Internet. Porto Alegre: Sulina, 2009.

ROSNAY, Joël de. Memória em rede e intercriatividade. In: CASALEGNO, Federico. Memória cotidiana: Comunidades e comunicação na era das redes. Porto Alegre: Sulina, 2006.

PUHL, Paula Regina; ARAÚJO, William Fernandes. Youtube como espaço de construção da memória em rede: possibilidades e desafios. Revista FAMECOS: mídia, cultura e tecnologia. V. 19, n. 13, p. 705-722, set/dez. 2012.

2 Grupo na rede social Facebook, com necessidade de convite para acesso. Disponível em: https://www.facebook.com/groups/211236288937044/. Acesso em: 01 de agosto de 2013.

3 Tradução da autora. Texto original: We define social network sites as web-based services that allow individuals to (1) construct a public or semi-public profile within a bounded system, (2) articulate a list of other users with whom they share a connection, and (3) view and traverse their list of connections and those made by others within the system. The nature and nomenclature of these connections may vary from site to site. (BOYD & ELLISON, 2007, p. 2)

4 https://twitter.com/

5 http://www.plurk.com/

6 http://www.orkut.com.br/

7 http://www.facebook.com/

8 O Social Bakers é uma empresa que oferece ferramentas de monitoramento de dados para análise de redes sociais. Website: http://www.socialbakers.com/.

9 Dados coletados em 3 de Outubro de 2012, em http://www.socialbakers.com/facebook-statistics/brazil. O website não apresenta dados recentes por ter modificado sua estrutura de coleta de informações.

10 Dados do IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Disponível em: http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/censo2010/default.shtm. Acesso em: 01 de agosto de 2013.

11 A Oscip Defender é uma associação civil, pessoa jurídica de direito privado, com atuação nas áreas da cultura, patrimônio histórico e artístico, turismo cultural e social, meio ambiente e cidadania, sem fins lucrativos, de duração indeterminada, locada em Cachoeira do Sul – RS.

12 Disponível em: http://defender.org.br/2013/10/17/governo-do-estado-publica-notificacao-de-tombamento-do-centro-historico-de-santo-angelo-rs/. Acesso em: 19 de outubro de 2013.

13 Dados de 16 de novembro de 2013.

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