Contribuciones a las Ciencias Sociales
Febrero 2014

ALGUMAS CONSIDERAÇÕES SOBRE FRONTEIRA E A INTERCULTURALIDADE



Rosana Keiko Dokko (CV)
rosanadokko@hotmail.com
Universidade Federal da Grande Dourados





Resumo
Para estudar a sociedade e a sua cultura é preciso estudar o tempo em duas perspectivas, tempo coexistencial e histórica. Assim, fica mais fácil compreender a crise da ciências, do espaço, da região, e da fronteira. Aceitando as multiplicidades temporais podemos perceber as diferentes trajetórias que diferentes sociedades passam a coexistir. Nas ciências há diversas sociedades, umas possuem acesso as tecnologias e as informações amplas, enquanto outras possuem acesso limitado ou não possuem acesso as tecnologias, ou pelo acesso a língua estrangeira ou até mesmo a língua portuguesa. Os espaços podem ser estudados em várias perspectivas como materialidade, imaterialidade e entre múltiplos espaços coexistentes. Assim como, a região pode ser vista como região delimitada para a administração que é o caso da regionalização ou pode ser delimitada casualmente para um determinado estudo. Já a fronteira pode ser vista como fronteira política ou sócio-cultural, a fronteira política delimita uma área de fronteira administrativa, e as fronteiras sócio-culturais que encontra-se em hibridização. O estudo visa entender as múltiplas escalas existentes no tempo e no espaço, que facilita o entendimento da diversidade cultural.
Palavras-chave: Região, Espaço, Fronteira, Interculturalidade.

Resumen
Para el estudio de la sociedad y la cultura es necesario estudiar el tiempo en dos puntos de vista, tiempo histórico e tiempo coexistencial. Por lo tanto, es más fácil entender las crisis de la ciencia, el espacio, la región y la frontera. Aceptando multiplicidadesde tiempo podemos ver los diferentes caminos que las distintas sociedades han de coexistir. En la ciencia hay sociedades difersas, algunos tienen las tecnologías de acceso y amplia información, mientras que otros tienen poco o ningún acceso a las tecnologías, o por el acceso a un idioma extranjero o incluso portugués. Los espacios pueden ser estudiados desde diferentes perspectivas, tales como la materialidad y la inmaterialidad espacios entre coexisten múltiples. A medida que la región se puede ver como región limitada para la administración que es el caso para la regionalización o puede ser al azar se define para un estudio particular. Dado que el límite puede ser visto como frontera política o socio-cultural, frontera política delimitación de un área de la gestión de fronteras y límites socio-culturales que yacen en la hibridación. El estudio tiene como objetivo comprender las múltiples escalas existentes en el tiempo y en el espacio, lo que facilita la comprensión de la diversidad cultural.
Palabras clave: Región, espacio, Frontier, Interculturalidad.

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Para citar este artículo puede utilizar el siguiente formato:
Dokko, Rosana Keiko: "Algumas considerações sobre fronteira e a interculturalidade", en Contribuciones a las Ciencias Sociales, Febrero 2014, www.eumed.net/rev/cccss/27/interculturalidade.html

A importância de ver o tempo em duas perspectivas, tanto na perspectiva de coexistências e o tempo histórico, como Saquet (2011) explica em seu livro: tanto na perspectiva coexistencial na qual ocorre no mesmo tempo em lugares iguais ou diferentes, ou seja se encontram; ou o tempo contínuo, onde o tempo é marcado como começos e fins. Pensando o tempo em outra perspectiva passamos a pensar a sociedade na com diferentes trajetórias com tempo coexistenciais diferentes, porém com tempo histórico iguais.
Com essa linha de entender o tempo em coexistencial e histórico seguiremos estudando as diferentes culturas que podem ser inseridas no mesmo tempo histórico e se coexistir no mesmo em espaço, ou território ou em diferentes espaços e territórios.
A modernidade entrou em crise, devido a dogmatização da ciências, estamos numa era de transição entre a modernidade e o que muitos autores chamam de pós-modernidade. Está sendo muito estudado a importância de aceitar a diversidade cultural nas ciências, assim como os diferentes acessos a informações que diferentes culturas e pessoas possuem.
Os diferentes conceitos de espaços, ou seja, os diferentes espaços que existem no mesmo tempo histórico. Douglas Santos (2002) estuda o espaço como espaço construído, imaterial, que existe a priori. Assim como Harvey (2005) estuda o espaço como algo que existe materialmente, que se constrói com a sociedade como materialidade, não se dá a priori. Já Massey (2008) aceita o espaço com múltiplas trajetórias, na qual o global e o local se coexistem, o espaço que não está dado, que possui diferentes perspectivas.
As regiões para Haesbaert (2011) a região existe porque nós pensamos a região, ela não é dada, nós pensamos a região de acordo com o nosso estudo. Para Gomes em o conceito de região e a sua discussão (1995) vê a região como um dado em si, usado para administração e dominação política. Para Menegazzo (2004) trabalho o regional para poder dialogar com o mundo, e não como um elemento dado, delimitado por apenas algumas características. As regiões é utilizada de acordo com o estudo, ela não é dada.
A fronteira pode ser estudada no sentido político ou sócio-cultural na qual em seu trabalho Raffestin (2005) comenta da dupla visão de ordem e desordem que a fronteira pode gerar. No sentido político Machado (2005) propõem o desenvolvimento da faixa de fronteira; já no sentido sócio-cultural, autores como Martins (1997), Albuquerque (2010), e Hanciau (2005)  propõem uma outra visão, a fronteira cada vez mais híbrida, onde o limite político não consegue mais defimitar a sociedade e a cultura.
 
As ciências e a crise da modernidade

Na modernidade os estudos científicos buscando a objetividade transformam a ciência um dogma, porém no final dos anos oitenta a ciência moderna entra em crise de degenerescência. Giddens (1991) em seu estudo expõem a importância do estudo do tempo e do espaço em outra perspectiva. A pós-modernidade seria estudada a partir de outro tempo, e não mais o tempo histórico. Começa a se pensar então em pós-modernidade, a pós-modernidade não se contrapõe ao moderno, ela aceita outras formas de fazer ciência.
 Souza Santos (2009) Escreve sobre as formas de pensamentos produzidas no Sul, na qual a demanda social, e vários fatores sociais fazem com que as pessoas que estavam nas margens voltam ao centro pelos movimentos migratórios, onde a linha abissal não está mais distante. O conhecimente científico precisa se abrir.
O limite do conhecimento científico é apresentado como obstáculo ao trânsito livre, ele é inventando para dar ordem as coisas, porém  pode ser interpretado de várias maneiras. O significado depende dos olho e da cultura de cada pessoa. Os limites e as fronteiras são diferentes, onde os limites dá a idéia de distância e a separação, de manifestação de poder no território. Já a fronteira reflete sobre o contato e a integração. A ciência através dos seus objetivos e procedimentos separa o que é ciência ou não. A validade reside na objetividade. A crise da ciência, da razão, das racionalidade colocam em crise a produção do saber. A geografia nos anos 50 a 70 se contrói definitivamente, a ciência moderna precisa de um método próprio, e com isso a geografia usa a matematização com a chamada nova geografia negando a emoção e a imaginação, a geografia crítica tenta refletir sobre a modernidade e a pós-modernidade. Pela geografia ter sido vista como disciplina prática antigamente, ainda hoje ela encontra-se pouco presente em debates epistemológicos. O pós-moderno critica o status quo, aceitando várias interpretações (HISSA, 2006 ).
O acesso de informações e entretenimento ao conhecimento são diferentes entre as classes sociais, não existe uma sociedade apenas, e sim várias sociedades. Os meios de comunicações e as tecnologias informacionais retiram dos Estados a gestão de muitos saberes, limitando as informações.  Onde a tecnologia não elimina as relações pessoais e nem as relações que envolve dinheiro, pelo contrário ela cria mais desigualdade. Como afirma o autor:

Os aspectos cognitivos e socioculturais estão distribuídos e são apropriados de modos muitos diversos. Geram diferenças, desigualdades, e desconexões. Por isso é arriscada a generalização do conceito de sociedade do conhecimento à totalidade do planeta, incluindo centenas de etnias e nações. Tal como outras designações de processos contemporâneos – “sociedade de consumo”, “globalização” –, requer especificar com cuidado seu âmbito de aplicação para não homogeinizar movimentos heterogêneos ou grupos sociais excluídos das modalidades hegemônicas do conhecimento. Dado que os saberes e as inovações tecnológicas estão desigualmente repartidos entre países ricos e pobres, por níveis educacionais e faixa etárias, a problemática da diversidade cultural e os estudos sobre ela devem fazer parte da consideração teórica, da investigação empírica e do planejamento de políticas, neste campo (CANCLINI, 2009, p.225-226).

O inglês possui monopólio hegemônico do saber, causando diversidade e segregação, pois quem domina o inglês possui mais acesso as informações. Como respeitar uma sociedade de conhecimento onde a forma cultural é única? Onde os aspectos culturais e socioconectivo vai chegar muito pouco? Persiste a diferença, a divergência, e a discrepância. Estamos na era da pós-modernidade, da transição, da fronteira da modernidade, além da modernidade. A ciência caminha para uma nova compreensão de suas relações. Tudo o que foge da racionalidade pode ser considerado como não ciência, controlando a emoção, a fé e a filosofia. O olhar geográfico é um olhar espacial, que descobre a essência de múltiplos olhares (CANCLINI,2009).
Ramos (2008) em sua proposta pedagógica propõem a importância da pluralidade e da diversidade. Nela a autora fala da importância de expor a hibridez das pessoas e das culturas para uma cidade melhor.
Estamos em um período de relativismo cultural, tudo pode ser considerado forma de cultura, porém, identificam uma cultura melhor que a outra, considerando desigual. Não pode ser estudada dessa maneira, identificando uma melhor que a outra. Durante muito tempo se lutou pela igualdade, não pode ser pautada ela igualdade. Temos que estudar a diferença a partir de outra perspectiva e não de desigualdade. A diferença legitima a própria diferença, reconhece que são diferentes. As interconecções geram distintas formar de conhecimento uma linha que separa uma de outras formas de conhecimentos. Precisamos estudar as formas de dialogar com as múltiplas sociedades, as múltiplas culturas, onde as sociedades do conhecimento procurem produzir conhecimentos aliados.

A multiplicidade do espaço

Vários são os entendimento de espaço, como cita Massey (p. 97) “Mais positivamente, o que emergiu foi uma argumentação pelo espaço como a dimensão de uma multiplicidade dinâmica simultânea”. Ou seja, os diferentes espaços coexistindo no mesmo tempo histórico.
Douglas Santos (2002) em seu livro trabalha o espaço construído, que não existe a priori, a espacialidade muda de acordo com a sociedade, de acordo com seus diferentes interesses. O espaço é resultado de processos físicos e imaterial. A idéia de espaço é uma criação nossa, nessa relação que o espaço passa a existir. O espaço resulta de um processo em diferentes movimentos. Relação tempo e espaço tem características diferentes. O espaço não existe em si, ele é a forma com que vamos pensando  e contruíndo constantemente. O espaço é uma abstração da materialidade. Assim como o espaço, o território, a paisagem, e a região são as mesmas coisas, porém as apreensões dos fenômenos são diferentes. Depende das construções que contruímos a realidade, e o espaço é produto dessas construções (SANTOS, Douglas, 2002).
Para Harvey (2005) o espaço não se dá a priori, só se da por forma espacial e social. A materialidade está implícito nos processos e nas relações sociais a partir da estrutura. Identificando que o crescimento ou o desenvolvimento capitalista é um processo de contradições, onde a acumulação é cíclica.  As estruturas espaciais e as formas espaciais impõem uma nova racionalidade. O espaço não existe sem a sociedade como materialidade, o espaço como produção do espaço econômico. O capitalismo se apropriando de tudo, da cultura, dos valores, dos modos de vida, entre outros.
A estudo de epaço para Massey é de espaço como produto de interrelações, onde o global até o local se relacionam diretamente. É preciso pensar o espaço vendo o espaço com multiplos espaços, a como afirma Massey (2008, p. 97) “Mais positivamente, o que emergiu foi uma argumentação pelo espaço como a dimensão de uma multiplicidade dinâmica simultânea”. O espaço possibilita a multiplicidade trajetórias espaciais, na qual distintas trajetórias coexistem, mas a idéia de espaço único, de um espaço territorial é atrelada ao tempo nega todas as outras trajetórias. A trajetória hegemômica, onde a sociedade está baseada no progresso, segrega as outras trajetóras. Todos nós estamos no mesmo tempo com histórias distintas. Exemplo: os indígenas que possuem trajetórias diferentes, as pessoas possuem a idéia de que eles vivem em outro tempo, um tempo atrasado. Onde tempo e espaço é congelado pelos indígenas. O Estado Nação é visto como progresso, como idéia territorial do espaço, a partir do domínio territorial. O pensamento do espaço é mais que o territorial. O espaço não pode ser visto como superfície lisa, não pode evitar a multiplicidade de trajetórias. Porém, a idéia de globalização imposta pelo capitalismo é vista a partir de um único sentido, de ser linear, como sendo a maturalidade do tempo. O lugar para Massey são lugares de histórias ocorridas até agora, cobatendo o local com o global. O espaço possui fraturas e dinamismo, rompendo com a linearidade do tempo e do espaço. A globalização aespacial, nega a globalização. Pois nem tudo que participa da globalização está desenvolvido. O espaço como nível de pensamento, que não está dado, possui diferentes perspectivas. Pensar o espaço é pensar o tempo, o espaço não é linear, precisamos ampliar os elementos como aquilo que pensamos do espaço (MASSEY, 2008).

As regiões  

Região não é um conceito criado pela geografia, ela possui diferentes sentidos. Essa palavra é efetiva na base do Estado Moderno, que visava regionalizar para administrar. Era baseado na localização e extensão, limites e fronteiras, na qual recorta para dar identificação em forma de poder. As características das regiões está basecamente nas áreas, localização, e extensão para determinar um controle, pois sua finalidade era administrativa e econômica, como potencialização do Estado Moderno. Região é identificada a partir dos agentes, dos determinados artifícios. É um produto mental que existe, um dado em si. Elementos que nós identificamos (GOMES, 1995).
É possível encontrar regiões nesse mundo globalizado? Cada vez mais é possível perceber regionalismos, onde criam novas heterogeneidades, idéias de identidades regionais. A região como artefacto, convergir o fato concreto e o artifício (mecanismos, questões teóricos com idéia de região). Multiterritorialidade, a partir de um território trazem vários territórios. Exemplo: Centro de Tradições Gaúchas em várias países, onde os conteúdos se relaciona em vários outros lugares. Nas práticas cotidianas não deixam de manter os costumes, embora o território seja bem diferente do dele. A região rede seria a regionalização que é estabelecida no território brasileiro ou além, que se caracteriza não mais na contiguidade, mas, como rede. Onde estabelece vários nós, vários pólos. As regiões, nessa visão pode se tornar perigoso, porque podem criar um esteriótipo aos que não estão inseridos na mesma região. As regiões possuem um determinado objetivo, são zonais e com critérios com base econômica. A região existe porque nós pensamos. O fato de identificar regiões já existentes elimina a reflexão da região. A região é vista como artefacto, nem como fato, nem como artifício (HAESBAERT, 2011).
Para Menegazzo (2004) a arte regional surge contrapondo a visão do Brasil em outros países. Diferente do tempo e do espaço. A arte regional é um esteriótipo para se caracterizar o que é regional. O regional não é um elemento, ele é usado para dialogar com o mundo. Um exemplo é que no Mato Grosso do Sul, não possui só pantanal e tereré, porém muitas vezes é o que o regionalismo diferencia das outras regiões, negando todas as outras riquezas existente no Mato Grosso do Sul.
A região se cria de acordo com os critérios estabelecido por cada autor e seu foco de pesquisa. Pois delimitar por diferentes regiões definidas ressalta ainda mais a desigualdade, diferença e aprofunda a desigualdade.  

As fronteiras políticas e as fronteiras sócio-culturais

A fronteira pode ser interpretada de duas maneiras, tanto no sentido político que seria a fronteira entre um Município, um Estado ou uma Nação, como no sentido sócio-cultural um exemplo seria os indígenas, os brasiguaios, entre outros. Como afirma Raffestin in Oliveira:

A fronteira, no seu processo de funcionalização, pode naturalmente ser interpretada, tanto no sentido político como no sentido sócio-cultural. Nessas condições, a fronteira aparece muito paradoxal, já que o seu reforço e mesmo seu desmantelamento é um provável reflexo de um outro sistema de limites em crise, não imediatamente visível (RAFFESTIN, 2005, p.14).

A fronteira para Raffestin pode causar ordem e desordem devido aos diferentes focos, ela não pode ser tratada como única fronteira, e sim de acordo com o estudo poderá ser uma fronteira no sentido político que visa uma ordem, ou uma fronteira no sentido sócio-cultural que pode gerar uma desordem, pois existe uma hibridização.
No sentido político, a noção de fronteira é bem mais antiga do que a do limite internacional.  Um exemplo é o Império Romano que não tinha estabelecido limites, porém criaram mecanismos de fronteira para administrar e defender seus territórios visando criar barreiras à expansão dos bárbaros. De acordo com Stephen Jones in Machado (1959) as limes, nome dado a essas fronteiras, eram destinadas ao caminho percorrido no limite de uma propriedade. Depois foi destinado ao sentido militar, sendo então uma estrada forte em zona de fronteira, e daí então a própria zona de fronteira. Sendo assim, as limes seriam então os lugares de defesa do Império, e não de limite (MACHADO, 2002).
Atualmente, a fronteira no sentido político significa a faixa de fronteira do país, como é o caso do Brasil com os seus vizinhos. Uma área de segurança nacional onde há um território especial ao longo do limite internacional.  No Brasil são 150 km de largura de acordo com a Lei n° 6.634 de 2/05/1979. Já no Paraguai a Republica Del Paraguay possui a Lei 2.532/05 estabelece a zona de seguridad fronteriza que delimita 50 km adjacentes à linha de fronteira, sendo ela terrestre ou fluvial.
A diferença entre faixa e zona de fronteira é que a faixa de fronteira possui uma expressão de jure, associados aos limites territoriais do poder do Estado, já enquanto a zona de fronteira se faz um espaço de interação, um espaço transitivo, com uma paisagem específica, com a presença do limite internacional, por fluxos e interações transfronteiriças onde as cidades-gêmeas as mais evoluídas (MACHADO, 2005).
Já a fronteira sócio-cultural perpassa a ideia da fronteira do sentido político, a fronteira é móvel, movida pela sociedade. A fronteira que Albuquerque (s/n, p. 2) chama de fronteira em movimento são as perpectivas das frentes de expansão, como zona de contato e de passagem, e na demarcação de diferenças e formas de identificação nacional.
Martins (1997) coloca fronteira como idéia da multiplicidade, da idéia de fronteira humana. Onde está implícito a separação, as distinções. Em seu estudo o autor fala do rapto no sentido de impor uma sociedade, uma cultura diferente, pois quando tira o indivíduo do seu lugar, tira o que ele é. Porém, muitas vezes raptaram muitas pessoas e foi considerado comum. Exemplo os indígenas, as colonizados, entre outros.  Não existe um referencial que é atrasado ou adiantado. O espaço é produto de várias historicidades desencontradas. Os objetos não fluem na mesma direção, por isso que dá o confronto. A simbologia é a diferença entre os grupos.
Portanto, frente de expansão tornou uma termologia aplicada por antropólogos, historiados e sociólogos que não estava trabalhando em fronteiras de civilização. Que trabalha a ocupação do espaço, como exemplo os indígenas. Na qual, a população branca move os indígenas. Roberto Cardoso de Oliveira define frente de expansão como situação de contato, o equivalente lógico da luta de classes. Já a frente pioneira tem como referência os fazendeiros, empresários, comerciantes que visam à modernização e formulação de uma mudança social. Frente de expansão e frente pioneira são designações de diferentes modos como os civilizados se expandem territorialmente. Contudo, aos poucos a concepção de frente pioneira vai desaparecendo quando a frente de expansão passa a ser entendida como frente econômica, perdendo o estudo da expansão antropologicamente. O desencontro das perspectivas é fruto da contraditória diversidade da fronteira, a diversidade das relações da sociedade de diferentes tempos históricos que coexistem. Encontramos em todas as cidades, essa diversidade porém, nas cidades de fronteiras ficam mais visíveis (MARTINS, 1997).
Nas perpectivas das frentes de expansão, que dificulta a visualização dos limites, no caso dos imigrantes brasileiros no Paraguai. Com o discurso de frente de expansão capitalista, de progresso, de trabalhadores pioneiros, de desenvolvimento do país eles legitimam a sua presença no país, sem que sejam vistos como apenas invasores (ALBUQUERQUE, 2010). Estando presente não mais apenas nos limites e nas fronteiras, mas agora dentro do país.
O mesmo caso acontece com os indígenas que estão inseridos diversamente na História. Como explica Martins (1997, p. 158-159):

Cada uma dessas realidades tem o seu próprio tempo histórico, se considerarmos que a referência à inserção ou não da fronteira econômica indica também diferentes níveis de desenvolvimento econômico que, associados a níveis e modalidades de desenvolvimento de modo de vida, sugerem datas históricas distintas e desencontradas no desenvolvimento da sociedade, ainda que contemporâneas. E não me refiro apenas à inserção em diferentes etapas coexistentes do desenvolvimento econômico. Refiro-me sobretudo às mentalidades, aos vários arcaísmos de pensamento e conduta que igualmente coexistem com o que é atual. E não estou falando de atraso social e econômico Estou falando de contemporaneidades da diversidade. Estou falando das diferenças que definem seja a individualidade das pessoas, seja a identidade de grupos (MARTINS, 1997, 158-159).  

Estão em temporalidades históricas diferentes no mesmo território. Por isso, é muito importante aceitar a diversidade e o tempo histórico de cada grupo existente.
De acordo com Foucault apud Hissa (2006) o governo, o poder e a fronteira não são os territórios, e sim um conjunto de homens e coisas. Porém, se homens e coisas são controláveis, elas não exteriorizam sua existência podendo desconsiderar um território. “Mais do que isso, as sociedades constroem o seu mundo e a sua cultura através do território e não exatamente sobre o território, como parece pensar Foucault” (HISSA, p. 40), é o território que se dá através das relações sociais e da natureza, como afirma  Saquet:

O território é, sucintamente, produto e condição das relações sociedade-natureza, multidimensional, com objetivações/formas/relações sociais e subjetivações/significados econômicos, políticos, culturais, contendo componentes fixos (naturais e construídos socialmente), redes e fluxos (produção-distribuição-circulação-troca-consumo) juntamente com o movimento da natureza; é construído historicamente com des-continuidades espacio-temporais, ou seja, com rupturas e permanências-reproduções quantitativas e qualitativas que são sempre processuais e relacionais, ao mesmo tempo significado, portanto, transtemporalidades, transescalaridades e transterritorialidades que podem ser sintetizadas pelas desigualdades, pelas diferenças e pelas identidades. Todos são processos que diferenciam território do espaço geográfico (SAQUET, 2011, p.62).

Portanto, o território possui múltiplas dimensões, cada dimensão varia de acordo com vários fatores como: objetivos, relações sociais, políticos, culturais, econômicos, fluxos, redes, significados, historicidades, entre outros. De acordo com esses fatores criam transterritorialidades, transescalaridades, e transtemporalidades que geram identidades diferentes, diferenças, e desigualdades. E é na fronteira que as diferenças ficam mais visíveis como explica Saquet:
  
Os territórios estão “separados” através dos limites e das fronteiras e, ao mesmo tempo, relacionados, política, cultural e economicamente, em nível internacional no qual há redes e fluidez numa complementaridade cada vez mais intensa. Fluidez e complementaridade definidas pela circulação de mercadorias, de pessoas, de informações e pelas relações diplomáticas e culturais (SAQUET, 2011, p.63).

 

A  fronteira não é física, é social, ela não separa e sim identifica o “outro”. Novos sentidos entram em contato, separa e permite o contato, tendo uma hibridização, uma heterogeinidade das culturas. Como afirma Hanciau (2005):

Passagem do velho ao novo, do homogênio ao heterogênio, do sungular ao plural, da ordem à desordem, a idéia de mistura/hibridização/mestiçagem compreende, desde então, conotações complexas e apriorismo a ambíguos, que pressupõem a existência de grupos humanos puros, fisicamente distintos, e separados por fronteiras, as quais a mistura dos corpos viria pulverizar. O fenômeno da mistura tornou-se realidade quotidiana, visível nas ruas e nas telas. Multiforme e onipresente, associa seres e formas que, a priori, nada aproximaria. Esta telescopagem de estilos prolifera, surpreende e sacode as referências tradicionais. Um mundo moderno, homogêneo e coerente vai ceder lugar a um universo pós-moderno, fragmentado, heterogêneo e impreensível. Misturar, entrecruzar, cruzar, telescopar, superpor, justapor, interpor, imbricar, colar, fundir, são algumas palavras entre tantas outras aplicadas à mestiçagem, que abafam numa profusão de vocábulos – a imprecisão das descrições e o fluxo do pensamento. Em princípio, a expansão colonial misturou o que não estava misturado: corpos puros, cores fundamentais, elementos homogêneos, isentos de qualquer “contaminação” (HANCIAU, 2005, p. ).

Hanciau (2005) faz críticas devido a incapacidade de conceber os entre dois mundos, o entre lugar que não é um lugar e nem o outro. A hibridização está presente em toda cidade, superporndo a existência de grupos humanos puros. A fronteira delimita o que está na frente ou para trás, com um “antes”, e “outro”, ”depois” através do limite. Onde a diferença de tempo e espaço está nítido, a fronteira não é uma linha, ela é biosocial que tem como função regular o Estado-Nacão. Como não se pode mudar as fronteiras materiais, é preciso mudar as fronteiras imateriais. Com isso, pensar a fronteira não como barreira, mas, sim como interação cultural.

CONCLUSÃO

A ciência atualmente está em crise de degenerescência, pois no passado, a geografia para ser considerado ciências precisou dar objetividade ao seu estudo, deixando de lado a emoção e a imaginação fazendo com que muitos fatores não tenha entrado em consideração. As ciêncas não está disponível a todas as pessoas como muitos afirmam, ela está restrita as pessoas que possuem o domínio das tecnologias e de outras línguas como o inglês, francês, espanhol, entre outras. Portanto, não podemos estudar a sociedade como homogênea, ela possui diversidades que não podem ser consideradas desiguais. É preciso pensar nas múltiplas trajetórias da sociedade.
Sendo assim, o espaço, a região, e a fronteira, precisam ser estudadas levando em consideração a multiplicidade das diferentes sociedades, as interculturalidades existentes. O espaço precisa ser visto como vários espaços e não como único. Assim, como a região deve ser utilizada para um foco de estudo e não como delimitadora de culturas. Já a fronteira, não deve ser vista como fronteira política-administrativa somente, mas, como uma fronteira híbrida de sociedades e culturas. É preciso aceitar a diversidade as diversas formas e conceitos de acordo com o contexto pesquisado.

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Juan Carlos M. Coll (CV)
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