Contribuciones a las Ciencias Sociales
Junio 2013

SANEAMENTO BÁSICO: GESTÃO DE SERVIÇOS DE ESGOTO EM UM MUNICÍPIO



Vanize Roneide Wagner (CV)
kipy64@yahoo.com.br
Laércio André Gassen Balsan (CV)
laerciobalsan@yahoo.com.br
Gilnei Luiz de Moura (CV)
mr.gmoura.ufsm@gmail.com
Universidade Federal de Santa Maria

RESUMO

O Saneamento Básico envolve várias áreas como saúde pública, meio ambiente e outras não menos significativas, sem contar seu impacto na área econômica de uma pequena cidade. Vários brasileiros ainda não possuem acesso à água potável, à coleta e ao tratamento do esgoto. A partir da temática surgiu o objetivo de se verificar qual é a visão de uma comunidade de um município do interior do Estado do Rio Grande do Sul em relação ao saneamento básico. Para tanto, realizou-se uma pesquisa exploratória de caráter quantitativo. Os resultados demonstram que os munícipes têm noção do que significa saneamento básico; contudo por possuírem fossa séptica, filtro anaeróbico e sumidouro em suas casas acreditam erroneamente que o serviço de saneamento está sendo realizado de forma adequada. Observou-se que a população não tem certeza de quais são as responsabilidades do município em relação ao esgotamento. Outro fato preocupante é que os indivíduos não sabem que o saneamento está ligado à questão dos recursos hídricos.

Palavras-chave: Saneamento básico.  Universalização de serviços. Planejamento.

ABSTRACT

The Sanitation involves several areas such as public health, environment and other no less significant, not to mention the economic impact on a small town. Many brazilians still don’t have access to safe drinking water, the collection and treatment of sewage. In these way came the objective to find what is the vision of a community of a town in the state of Rio Grande do Sul in relation to sanitation. Therefore, we carried out an exploratory quantitative research. The results demonstrate that the citizens are aware of what it means sanitation, yet by having septic tank, anaerobic filter and sink in their homes erroneously believe that the sanitation service is being done adequately. It was observed that people are not sure what are the responsibilities of the municipality in relation to sewage. Another disturbing fact is that individuals do not know that sanitation is linked to the issue of water resources.

Keywords: Sanitation. Universal service. Planning.



Para citar este artículo puede utilizar el siguiente formato:
Roneide Wagner, V., Gassen Balsan, L. y de Moura, G.: "Saneamento básico: gestão de serviços de esgoto em um município", en Contribuciones a las Ciencias Sociales, Junio 2013, www.eumed.net/rev/cccss/24/planejamento.html

1 INTRODUÇÃO

Muitos motivos levam ao estudo sobre o saneamento básico, uma vez que o mesmo envolve várias áreas como a saúde pública e o meio ambiente, sem contar o impacto na área econômica de uma pequena cidade. Somado a isso, vários cidadãos brasileiros ainda não possuem acesso a um bem comum e de direito: água potável, sendo que a coleta do esgoto é insuficiente e o tratamento do esgoto é quase nulo.
Todas essas dificuldades, entre outras tantas, acabam por trazer sérios problemas na área da saúde da população e ao meio ambiente. A falta de destinação correta do lixo também implicitamente está aqui relacionada, as enchentes e os demais fatores vão agregando-se.
Nas últimas décadas muitas foram as discussões sobre os conceitos de crescimento e de desenvolvimento econômico. Essa discussão centrou-se em um conceito de desenvolvimento econômico que inclui questões sociais, culturais e ambientais. A crescente preocupação com as questões sócio-ambientais fez com que o mundo se deparasse com o dilema de crescer e promover a qualidade de vida da população, por meio da eficiência econômica, equidade social e preservação ambiental (SOUZA et al., 2010). Para os autores, nesse processo, o saneamento básico ganha destaque por promover qualidade de vida e uma melhora na qualidade ambiental.
Para Filho et al. (2008) saneamento é o mais essencial dos serviços públicos, tanto pelo absoluto condicionamento da saúde pública, bem-estar social, preservação ambiental e desenvolvimento econômico. Segundo o autor, esses serviços também envolvem o controle das fontes de água potável, fonte estratégica no cenário global.
Segundo o estudo de Ludwig et al. (1999) existe correlação positiva entre as condições de saneamento básico, expressas pelo número de ligações de água e esgoto, e a frequência de parasitoses. Segundo os autores, em sua pesquisa, no município estudado, houve uma diminuição do número de parasitoses nos Prontos atendimentos da cidade com o aumento das ligações de água e esgoto. SOARES et al. (2002) reforça que vários estudos confirmam que ações de saneamento causam benefícios à saúde pública e ao meio ambiente.
Teixeira e Pungirum (2005) fizeram estudos nos países da América e no Caribe, associando saneamento com saúde e constataram uma relação proporcional entre a taxa de mortalidade infantil com a cobertura do abastecimento de água.
Segundo Saker (2007) o conceito de saneamento básico, em seu aspecto formal, corresponde ao conjunto de serviços públicos, infra-estrutura e instalações operacionais de abastecimento de água, esgotamento sanitário, limpeza urbana, manejo de resíduos sólidos, drenagem e manejo das águas pluviais urbanas. Entretanto, o autor chama a atenção para o fato de que conceito de saneamento básico material é muito mais abrangente, sendo considerado o serviço público que abrange todas as tarefas mencionadas, abastecimento de água, esgotamento sanitário, limpeza urbana, manejo de resíduos sólidos, drenagem e manejo das águas pluviais urbanas e, ainda, questão cultural, ambiental, sanitária, estritamente ligadas à saúde pública e desenvolvimento econômico.
A questão do saneamento básico, atualmente, é um dos maiores problemas enfrentados, pelos gestores. Nos últimos 30 anos, a cobertura dos serviços de saneamento básico no Brasil cresceu de forma relativamente lenta. No tocante a oferta de água tratada houve um aumento considerável. Mas, em relação à coleta e tratamento de esgoto sanitário, o problema ainda é muito sério, pois a cobertura não é suficiente para acompanhar o crescimento da população (PAIXÃO, 2008). O autor reforça sua afirmação exemplificando que o serviço de abastecimento de água, passou de 60,5% da população em 1970, para quase 90% no ano 2000, representando uma taxa de crescimento de 1,33% a.a. O serviço de esgotamento sanitário apresentou uma taxa de crescimento mais elevada (3,14% a.a.) comparada ao serviço de abastecimento de água, porém, sua cobertura ainda é bem inferior. Em relação ao esgotamento sanitário, o Brasil ainda mostra um resultado modesto, principalmente nas áreas rurais.
Sem um tratamento adequado de seu resíduo, o sistema de esgotamento poderá induzir a uma deterioração do corpo receptor, de acordo com Soares et al. (2002). Isso pode tornar inviável o uso da água de rios, lagos e reservatórios para o consumo e até mesmo para irrigação (OHIRA, 2005).
Nesse sentido, Giattet et al. (2004) ensina que as doenças parasitárias constituem-se em sérios problemas de saúde pública, as quais são potencializadas por meio da precariedade em saneamento básico. Somado a isso, como potencializadores dessas doenças, estão a baixa escolaridade e o baixo conhecimento sanitário da população exposta.
Com base no exposto, surgiu o interesse em se verificar qual é a visão de uma comunidade de um município do interior do Estado do Rio Grande do Sul em relação ao saneamento básico. Para tanto, realizou-se uma pesquisa exploratória de caráter quantitativo do tipo estudo de caso.
O trabalho está estruturado em mais cinco capítulos. A seguir, são ilustrados conceitos relacionados ao saneamento básico. Logo após, são descritos conceitos sobre esgotamento e seus reflexos. Na sequência, são descritos os procedimentos metodológicos para a consecução dos objetivos do estudo, os resultados e as conclusões da pesquisa.
 

2 SANEAMENTO BÁSICO                                                                          

Segundo Moreira (2002) a responsabilidade pela prestação dos serviços de saneamento básico se situa na esfera municipal.
Isso deixa claro que os gestores não poderão incumbir ou transferir a sua responsabilidade para outra esfera, mas sim devem incorporar na sua ação de governabilidade medidas que atinjam essa política pública.
Segundo Soares et al. (2002) os efeitos das ações de saneamento causam benefícios à saúde pública e ao meio ambiente.
Moraes (1998) considera, ainda, que as ações governamentais estão refletidas em leis, decretos, normas e regulamentos vigentes.  Identificando o que ele explicita na sua fala pode-se dizer que é preciso seguir as regras estabelecidas na lei e assim passar a concretizar de forma segura e plena através de todos os mecanismos viáveis a implantação do saneamento básico em esgotamento sanitário no município mesmo ele sendo de pequeno porte.
Segundo o autor, o sistema de gerenciamento de serviços públicos de saneamento é formado pelo conjunto de agentes institucionais, governamentais e entidades privadas, que tem o objetivo de executar a política de saneamento adotada, tendo como principal instrumento o plano de saneamento. A gestão dos serviços de saneamento deve estar respaldada em uma política de saneamento, na qual estejam explicitadas a sua diretriz geral, o seu modelo de gerenciamento, a organização legal e institucional e o sistema de gerenciamento que reúna os instrumentos para o planejamento, a execução, a operação e a avaliação das obras e serviços.
O principal desafio dos municípios está em viabilizar a implantação de sistemas de tratamento de esgotos e assegurar o pleno abastecimento de água tratada as suas populações. Deve haver adoção de medidas preventivas para redução de perdas no fornecimento de água para efetiva avaliação das reais necessidades de investimento para ampliação do sistema existente e conseguir atacar os problemas na área da saúde.
Investir em saneamento é uma forma de prevenção, é colher frutos maduros que não se transformarão em problemas crônicosa médio e longo prazo.
Em 2007 através da Lei Nº 11.445 que estabelece as diretrizes para o saneamento básico e altera outras e diversos princípios que devem ser respeitados e colocados em prática, cria condições de proteção a sociedade brasileira em relação a prestação do serviço com qualidade e regularidade, e, isso fica claro nas ideias de   e Castro (2007,  p. 284) quando colocam:

A área de saneamento no Brasil atravessa momento de ricas possiblidades de novas formulações teórico-conceituais e metodológicas, após a promulgação da Lei 11.445/2007 (Brasil, 2007) e considerando os debates e disputas que antecederam sua aprovação. Tal instrumento legal implica a construção de um novo quadro institucional para a área, o qual, por sua vez, tanto mais efetivo no atendimento dos interesses da população será, quanto mais clareza teórica obtiver dos efeitos das várias opções político-institucionais disponíveis.

A própria lei no seu artigo 3º considera:

Saneamento Básico: conjunto de serviços, infraestruturas e instalações operacionais, o abastecimento de água potável, esgotamento sanitário, limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos e drenagem e manejo das águas pluviais urbanas.

No artigo segundo nos vários parágrafos que estabelece os princípios fundamentais da lei nº 11.445, os que tratam da universalização do acesso, a adequação dos serviços com a saúde pública, o controle social e a segurança, qualidade e regularidade, são os que tornam esta lei em um grande aliado na busca das soluções dos problemas gerados pela falta de saneamento no Brasil, e a sua efetivação precisa ser assegurada com a reivindicação do direito.
Segundo Vieira (1997) a cidadania é composta dos direitos civis conquistados no século XVIII que seriam os direitos individuais de liberdade, igualdade, propriedade, de vir e ir, direito a vida, segurança, entre outros.
Nesses direitos sociais inclui-se o direito ao saneamento básico e isso exige participação.
Para o cidadão, o saneamento passa a ser solução para alguns problemas com o passar do tempo, uma vez que passam a participar no lugar onde deveriam reivindicá-lo como direito conquistado.
Segundo Demo (1993) participação é conquista, é processo, um constante vir a ser, existe enquanto processo, supõe compromisso, envolvimento, presença em ações por vezes arriscadas. Acreditar na participação é estabelecer uma disputa com o poder, é preciso encará-lo de frente, partir dele, considerando então participação como outra forma de poder, a não ausência ou superação do mesmo é um processo de conquistas de direitos.
A transformação se dará pelo comprometimento nas intenções, principalmente no campo educativo e do conhecimento, que vão fundamentar a prática transformadora, o que mudará a concepção que hoje, para muitos é correta.

Recorde-se que o termo “civilidade” adotado por Jean Leca foi empregado por Shills num sentido ao mesmo tempo individualista, paroquial e holista, fazendo uma ponte entre sociedade civil e Estado. É uma tentativa de explicar o paradoxo da construção da cidadania numa sociedade dominada por valores individuais. Civilidade é a atitude individual de preocupação com o bem público, transmite a ideia de espírito público que se perdeu na sociedade do mercado. Aproxima-se do que Montesquieu chamou de virtude: amor a Repúblicas e à Democracia. Civilidade, em suma, é a conduta de uma pessoa cuja autoconsciência individual está parcialmente sobre determinada por sua autoconsciência coletiva, sendo os referentes desta última a sociedade como um todo e as instituições da sociedade civil. A sociedade civil é aqui concebida não apenas como um mercado, mas como um espaço além da família e da localidade e aquém do Estado, significando ainda boas maneiras com os amigos e tolerância com os inimigos (SHILLS, 1991 apud VIEIRA, 1997,p. 26-27).

Essa citação expressa com clareza o que deveria prevalecer: A superação de valores pessoais ou individuais, pois o indivíduo está enquadrado num sistema que possui uma estrutura, que deve atender, ainda, muitas vezes a interesses particulares e não coletivos, a população precisa crescer muito em termos de conhecimento e consolidação de direitos.
Segundo Libânio, Chernicharo e Nascimento (2005) comprova-se em diversos estudos, que os estados com menor investimento de cobertura em esgotamento têm os piores indicadores sociais, enquanto, aqueles que têm maior cobertura apresentam melhores indicadores sociais.
Isso comprova que investir em saneamento básico melhora as condições de vida da população e sua saúde prevenindo doenças e satisfazendo as necessidades básicas de forma mais satisfatória.

3 O ESGOTAMENTO E SEUS REFLEXOS

A água é o elemento de maior importância para a vida. Segundo a metodologia básica de elaboração de planos de saneamento elaborada por Naime (2010), não existe uma cidade se não houver água em quantidade suficiente para atender às necessidades básicas do ser humano, visto que, isso efetivará o controle e a prevenção de doenças, garantindo além do conforto, o desenvolvimento sócio econômico.
Muito se investiu nesses últimos anos em tratamento de água, mas pode ainda ser mais intensificado esse cuidado. Com a modernização e a crescente migração do interior para a cidade, há uma dependência de água potável, pois a necessidade por ela é em decorrência do aparato produtivo.
É consenso a relevância da área de saneamento para o desenvolvimento do país; contudo tal entendimento não corresponde à baixa prioridade reservada ao setor (HELLER e NASCIMENTO, 2005).
Segundo Naime (2010), a sustentabilidade parte de princípios simples, citando a ministra da Noruega que diz palavras que devem ser levadas a sério por todos os cidadãos: “utilizar os recursos naturais sem comprometer as gerações futuras”.
Naime (2010, p. 04) faz uma colocação fundamental:

Saneamento, portanto significa captar, tratar e distribuir água potável para as populações, coletar e canalizar os esgotos domésticos para tratamento e disposição na rede hídrica superficial e implantar e manter sistemas eficientes de drenagens pluviais. E mais modernamente, dispor de sistemas eficientes de gerenciamento dos resíduos sólidos urbanos, também conhecidos como lixo doméstico.

Essa deve ser uma preocupação latente para os gestores, pois os municípios pequenos, em que a rede privada não está atuando, fica a cargo dele planejar as ações de saneamento.
Conforme Naime (2010) 80% da água do abastecimento é transformada em esgoto sanitário. Silva, Lacerda e Jones (2005, p. 109) afirmam que:

O mundo está em um processo de conscientização em relação ao meio ambiente. O homem, acostumado a agir pensando apenas em seu tempo de vida, explorou de maneira desmedida a natureza, talvez de forma inconsciente pensando que não mais estaria aqui para ver os prejuízos de seus atos. Porém, o planeta Terra já dá sinais claros de seu esgotamento, diminuindo nos dias de hoje a qualidade de vida. Assim, é inevitável olhar para o problema ambiental como algo a começar a ser resolvido agora. Não sendo assim, seremos nós os responsáveis pela nossa própria extinção.

Na verdade, o saneamento básico é como uma máquina, quando um dos princípios falha, a engrenagem não irá funcionar perfeitamente e deixará um vazio, provocando um problema futuro.
Constantemente vê-se nos canais de comunicação, redes sociais e outras fontes, notícias sobre a crise das águas. O Planeta Terra sendo formado por três quartos de água, mas o que está disponível nem chega a um por cento. É de suma importância que o homem se auto-conscientize que seus atos vão gerar consequências e que podem ser fatais, que as gerações futuras poderão acusá-lo de não ter cuidado da casa direito e ter provocado a extinção de todas as espécies. Essas ideias estão claras nas colocações de Silva, Lacerda e Jones (2005, p.109) que afirmam:

O mundo está em um processo de conscientização em relação ao meio ambiente. O homem, acostumado a agir pensando apenas em seu tempo de vida, explorou de maneira desmedida a natureza, talvez de forma inconsciente pensando que não mais estaria aqui para ver os prejuízos de seus atos. Porém, o planeta Terra já dá sinais claros de seu esgotamento, diminuindo nos dias de hoje a qualidade de vida. Assim, é inevitável olhar para o problema ambiental como algo a começar a ser resolvido agora. Não sendo assim, seremos nós os responsáveis pela nossa própria extinção.

Então, a qualidade de vida do planeta passa pela quantidade de água que se dispõe com condições ideais de consumo.

4 MÉTODO

O método de pesquisa foi definido como exploratóriode abordagem quantitativa. Segundo Malhotra (2012), o estudo exploratório ajuda o pesquisador a compreender o problema enfrentado, sendo usado para identificar cursos de ação relevantes ou obter dados adicionais antes de desenvolver uma abordagem. Sendo assim, esse método se caracteriza por ser flexível e não estruturado podendo ser usada um amostra pequena e não representativa. Segundo Cooper e Schindler (2011), lança se mão do estudo exploratório, quando não se tem uma ideia clara dos problemas que serão encontrados durante o estudo.Vergara (2003) reforça dizendo quese utiliza o estudo exploratório quando se tem pouco ou nenhum conhecimento sobre o assunto.De acordo com Gil (2010), as pesquisas exploratórias proporcionam uma visão geral sobre o tema estudado.
Optou-se pelo estudo quantitativo, pois segundo Cooper e Schindler (2011), o mesmo permite fazer uma medição precisa sobre o fato estudado.
Em relação à estratégia de pesquisa, realizou-se um estudo de caso, que para Gil (2010) permite uma análise exaustiva do fenômeno estudado. Segundo Yin (2010), esse tipo de estratégia objetiva a investigação de um fenômeno contemporâneo dentro do seu contexto da vida real.
O tipo de amostragem foi não probabilística por conveniência. Segundo Mattar (2001) a técnica de amostragem refere-se à coleta de dados relativos a alguns elementos da população a fim deproporcionar informações sobre a mesma. O procedimento de amostragem pode ser realizado por meio de uma amostra probabilística ou não probabilística. No presente estudo a amostra se classifica como não probabilística por ter sido subjetiva (COOPER e SCHINLER, 2011). Ainda a amostra é classificada por conveniência por terem sido selecionados elementos aos quais o pesquisador teve acesso (GIL, 2010).
Nesta pesquisa, foram usados dados primários os quais, segundo Malhotra (2012), são originados pelo próprio pesquisador. Para tanto, como instrumento de coleta de dados foi utilizado um questionário constituído de14 questões fechadas. Optou-se pelo questionário, pois segundo Cervo et al (2006) o questionário além de ser a forma mais usada para coletar dadospossibilita medir com mais  exatidão o que se deseja.
Para a aplicação do questionário, primeiramente foi realizado um contato pessoal com os sujeitos da amostra, a fim de apresentar o objetivo deste estudo e comprometer os colaboradores com a devolução do mesmo, devidamente preenchido.
Ao serem distribuídos foi solicitado para que fossem devolvidos em três dias. A aplicação dos questionários ocorreu no mês de novembro do ano de dois mil e doze. Em alguns casos, a pedido, eles responderam na hora e a maioria dos questionários foram recolhidos no tempo estipulado. Os dados foram trabalhados de forma sigilosa, a fim de se manter o anonimato dos indivíduos.
Os questionários foram aplicados em trinta residências, de um município do interior do Estado do Rio Grande do Sul, que sobrevive principalmente da agricultura e do agronegócio. Conta, pelos dados obtidos do IBGE (2010), com uma população em torno de 1598 habitantes e com IDH em 0,838.
Os dados coletados foram tabulados em arquivo eletrônico por meio do software “Windows Excel”. Após, foi realizada uma conferência em 100% da digitação dosmesmos. Feito isso, seguindo os ensinamentos de Webster (2006), que enfatiza queuma análise estatística precisa dos dados possibilita predizer ações que possibilitema resolução de problemas, os dados obtidos através dos questionários foram quantitativamente analisados, através do software “Windows Excel”.
Foram realizadas estatísticas descritivas (tendência central e dispersão), bem como cálculo da frequência.

5 RESULTADOS

A seguir apresenta-se a análise dos dados coletados junto à população com gráficos enfatizando as ideias que a amostra tem sobre o que envolve o Saneamento Básico no município estudado.

Todos os entrevistados quando perguntados sobre o que é Saneamento Básico apresentam uma boa base de informações do que seja saneamento básico. Essa questão tinha mais de uma opção como resposta.
Em relação à execução dos serviços em esgotamento sanitário no município 78,95 % da amostra tem a falsa ilusão de que os serviços em esgotamento sanitário estão sendo executados. A amostra acredita que as ações de esgotamento sanitário existem, pois todos têm fossa séptica, filtro anaeróbico e sumidouro em suas casas.Contudo, sabe-se que essa não é a forma adequada de esgotamento, uma vez que, contamina os lençóis freáticos com o passar do tempo.
Por meio da figura 2, observa-se que quando perguntados sobre quais atividades compõem o Esgotamento sanitário,a amostra não tem muita certeza de quais são as responsabilidades do município em relação ao esgotamento.

Pela figura 3, fica claro que para a amostra os recursos hídricos não integram o saneamento. Esse resultado demonstra que os indivíduos não tem conhecimento que o saneamento está relacionado com a água, com o abastecimento de água e manejo das águas pluviais.Apesar disso, 100% da amostra considera que o Saneamento Básico melhora as condições de vida, evitam contaminação e proliferação de doenças e preservam o meio ambiente.

A figura 4 demonstra que grande parte da amostra não sabe se o município possui ou não um plano de saneamento básico. Apenas 47,36% se posicionaram, os demais não sabem se o município possui um plano de saneamento básico. Os dados levantam a hipótese de falta de interesse dos munícipes em conhecer as politicas ligadas ao saneamento básico no município estudado.

Ao serem perguntados se coletar e canalizar os esgotos domésticos para tratamento e disposição na rede hídrica superficial e implantar e manter sistemas eficientes de drenagens pluviais significa saneamento, 94,73 % acredita que não, e apenas 5,26% acredita que sim. Ainda quando perguntados se o esgoto sanitário se não for adequadamente tratado pode se tornar um grande propagador de doenças, quase a totalidade dos indivíduos (aproximadamente 95%) acredita que se ele não for adequadamente tratado pode propagar doenças.

No município a água recebe sim o tratamento, mas o esgoto não é recolhido e tratado e o cidadão tem uma ótica inversa ao que de fato acontece ou pelo seu menor conhecimento do assunto da área mesmo tendo um grau mais elevado de estudo.

A população enxerga o Poder Público, através da Prefeitura, como aquele que será o contratador do serviço em saneamento e que isso traz sustentabilidade ao meio ambiente e qualidade de vida para a mesma.

Aos olhos do cidadão, tratar o esgoto antes é, sim, mais viável, ao invés de tratar a água depois, pela sua sustentabilidade econômica e prudência em termos de saúde. E também tem uma visão de que a área rural deve ser contemplada com o instrumento de esgotamento sanitário, pois é lá que podem estar ocorrendo a maior parte dos casos que não são vistos ao olhar do público.

Sabe-se que o atendimento as doenças que decorrem das más condições de saneamento acarretam em grande absorção em recursos, pois não tem uma filosofia de prevenção, talvez a lei quando exigida com atrelamento com verbas com a saúde pode resultar em ações ou a própria população exigir um direito fundamental que está assegurado inclusive na carta magna, mas o gestor vai encontrar resistência para o pagamento do serviço.

Por meio da figura 11, verifica-se que a maioria da amostra, não teve problemas com viroses nos últimos 6 meses. Contudo, a estatística é preocupante uma vez que um percentual de aproximadamente 40% da amostra apresentaram problemas com viroses nos últimos 6 meses.

6 CONSIDERAÇÕES FINAIS

O presente estudo teve por objetivo verificar qual é a visão de uma comunidade de um município do interior do Estado do Rio Grande do Sul em relação ao saneamento básico. Verificou-se que os munícipes têm noção do que significa saneamento básico; contudo por possuírem fossa séptica, filtro anaeróbico e sumidouro em suas casas acreditam erroneamente que o serviço de saneamento está sendo realizado de forma adequada. Observou-se ainda que a população não tem muita certeza de quais são as responsabilidades do município em relação ao esgotamento.
Outro fato preocupante é que os indivíduos pesquisados não sabem que o saneamento está ligado à questão dos recursos hídricos. Tal resultado, vai de encontro aos ensinamentos de Giattet et al. (2004) que ensina que o baixo conhecimento sanitário da população pode potencializar a transmissão de doenças.
 Ao serem perguntados se estariam dispostos a pagarem pelo serviço de saneamento básico aproximadamente metade da amostra estaria disposta a pagar por esse serviço uma vez que a grande maioria acredita que ações de saneamento reduzem a proliferação de doenças. A universalização dos serviços em saneamento básico e aumento de sua qualidade, contribuem com a saúde e bem estar da população e torna o meio ambiente mais saudável.
O município estudado ainda não tem uma política municipal na área do saneamento básico, com enfoque no esgotamento sanitário, o que leva a supor que muitas verbas federais podem deixar de ser recebidas a partir do ano de dois mil e quatorze, em função do não cumprimento de algumas metas no saneamento, o que traz consequências diretas na saúde pública desse município.
Os dados aqui obtidos devem ser considerados não definitivos por se tratar de um estudo exploratório. Outra limitação deste estudo, foi a técnica de amostragem utilizada. Apesar de ela possuir certas vantagens tais como: menor tempo para coleta de dados e facilidade de acesso às unidades amostrais a técnica utilizada não permite a generalização dos resultados. Apesar dessas limitações, a temática analisada é de grande importância. Tal fato abre várias opções de pesquisas, que poderão explorar outras indagações, uma vez que segundo Souza et al. (2010) a qualidade de vida de uma população pode ser mensurada através do saneamento básico, cujas atividades estão voltadas para à promoção do bem-estar humano.

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Editor:
Juan Carlos M. Coll (CV)
ISSN: 1988-7833
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