Contribuciones a las Ciencias Sociales
Junio 2013

MULHERES EMPREENDEDORAS: O DESAFIO DE EMPREENDER



João André Tavares Fernandes (CV)
jfernandes@unicid.edu.br
Professor do curso de Administração de Empresas da Universidade Cidade de São Paulo
Fabiana de Campos
fabianacampos2001@yahoo.com.br
Bacharel em Administração de Empresas pela Universidade Cidade de São Paulo – UNICID.
Mirian Oliveira da Silva
mirian_5901@hotmail.com
Bacharel em Administração de Empresas pela Universidade Cidade de São Paulo – UNICID.

RESUMO
O empreendedorismo feminino está em evidência, por conta do processo de feminização do mercado de trabalho, e ocorre assim um aumento gradativo de empreendimentos organizados por mulheres, tornando-se cada vez mais importante conhecer sua importância no cenário econômico. O objetivo geral deste artigo é demonstrar o desafio das mulheres empreendedoras e as dificuldades encontradas. Concluiu-se que as mulheres possuem muitas características similares, e que encaram o mercado competitivo com muito otimismo, garra, paixão pelo que fazem e com o jeito feminino de ser. Visto que suas maiores dificuldades são suas culpas e cobranças por estarem ausentes na vida familiar, porém, mesmo assim, conseguem serem mulheres de sucesso como empreendedoras.

Palavras-chaves: Empreendedorismo feminino, desafios, multiplicidade de papéis, conflito família-trabalho.

ABSTRAC

The female entrepreneurship is in evidence, due to the process of feminization of the labor market, and is thus a gradual increase of enterprises organized by women, making it increasingly important to understand its importance in the economic scenario. The aim of this article is to demonstrate the challenge of women entrepreneurs and the difficulties encountered. It was concluded that women have many similar characteristics, and face the competitive market with optimism, determination, passion for what they do and the feminine way of being. Since the greatest difficulties are your faults and charges for being absent in family life, but even so, women can be successful as entrepreneurs.

Keywords: Female entrepreneurship, challenges, multiple roles, work-family conflict.



Para citar este artículo puede utilizar el siguiente formato:
Tavares Fernandes, J., de Campos, F. y Oliveira da Silva, M.: "Mulheres empreendedoras: o desafio de empreender", en Contribuciones a las Ciencias Sociales, Junio 2013, www.eumed.net/rev/cccss/24/familia-trabalho.html

INTRODUÇÃO

Face à multiplicidade dos papéis femininos, este artigo se propõe a discutir as demandas conflitantes vivenciadas por mulheres empreendedoras como ativa participação nos cuidados da família e na administração da casa, bem como seu forte envolvimento em atividades produtivas fora do lar.  Propomos a analise das características femininas como comprometimento, otimismo, capacidade de liderança que estão presentes no perfil empreendedor e os desafios encontrados na escolha do empreendedorismo.
Entender quais são os fatores motivadores que levam as mulheres a empreender e quais as estratégias utilizadas pelas mulheres para lidar com a multiplicidade do papel feminino e quais as dificuldades enfrentadas por mulheres empreendedoras fazem parte dos assuntos que serão discutidos.
Este trabalho tem como objetivo fazer uma reflexão sobre a relação das mulheres com o empreendedorismo, ou seja, demonstrar que o talento feminino se manifesta não só na força de trabalho da indústria e serviços, mas também pelo empreendedorismo. Movidas pelas mudanças estruturais da economia e impulsionadas por um nível de escolaridade cada vez mais alto, as mulheres avançam. Educação, diga-se de passagem, nem sempre formal. Muitas delas têm invadido áreas tradicionalmente dominadas pelos homens à custa do próprio talento e do autodidatismo.
Sejam impulsionadas pela necessidade ou por vislumbrarem uma oportunidade de crescimento profissional, as mulheres estão escrevendo um novo capítulo na história do empreendedorismo nacional, atuando de forma estratégica e ousada.
Face às profundas e rápidas transformações na economia e nos processos produtivos que têm causado uma significativa reestruturação da organização do trabalho, há um grande interesse em conhecer diferentes aspectos relativos à diversificação da participação feminina no mercado de trabalho.
Isto é feito embasado em uma síntese de observações realizadas em diferentes estudos sobre o empreendedorismo feminino. Tendo em vista o desafio da escolha do empreendedorismo, analisa-se as motivações das mulheres para empreender, as consequências e as dificuldades enfrentadas, além das estratégias utilizadas para lidar com as demandas vinculadas à multiplicidade dos papéis femininos.
De acordo Passos et. al. (2008), 13 em cada 100 brasileiros adultos estão envolvidos com alguma atividade empreendedora, o que corresponde a 20% do PIB nacional. A mulher, contrariando uma tendência histórica, representa 52% desse total.
O autor acredita que a mulher empreendedora vem inserindo características aos negócios que antes não eram tão valorizadas, tais como criatividade, sensibilidade, flexibilidade, colaboração. Essa nova postura feminina fez com que as mulheres assumissem compromissos financeiros em casa e em alguns casos passou a ser a principal provedora de renda.
 Por conta da multiplicidade de papeis desempenhados pelas mulheres, o sucesso de um empreendimento é mais desafiador para elas do que para os homens (ROCCA, 2006). A luta por um reconhecimento adequado aos seus esforços no âmbito dos negócios tem contribuído para alteração de algumas características, consideradas padrão, da gestão empresarial.
Considerando que o empreendedorismo envolve desafios de escolher, criar/ e ou conduzir um empreendimento próprio, a indagação acima sugere buscar compreender os fatores que motivam as mulheres a serem empreendedoras e analisar as dificuldades e consequências desta escolha.
Segundo Anderson e Woodcok (1996), os motivos das empreendedoras para empreender são sobrevivência, insatisfação com a liderança masculina, descoberta de um nicho de mercado, satisfação em fazer as próprias decisões, percepção do desafio que, em combinação com o prazer e o contentamento aí associados, constituiu o fator principal.
Uma das razões para que as mulheres se tornem empreendedoras é por conta das dificuldades encontradas em progredir na carreira.  Pesquisas demonstram que apesar de as mulheres estudarem mais que os homens, elas encontram barreiras para ascenderem ao poder, tais como estereótipos baseados na falta de ambição, não possui habilidades para resolver problemas, falta de liderança e indisponibilidade.
Em vários países o número de empresas conduzidas por mulheres tem aumentado, e há uma grande expectativa sobre a sua ampliação. Essa expectativa pode estar ligada ao desempenho apresentado por empresas comandadas por mulheres e à representatividade da força de trabalho feminina (tanto em termos numéricos como em níveis educacionais), bem como pela redução dos empregos em nível mundial e, neste último caso, o trabalho por conta própria representa uma alternativa para que as mulheres criem o próprio emprego e também o de outras pessoas.
Dois fatores devem ser considerados na análise do crescimento da participação da mulher em atividades remuneradas: por um lado, a seletividade do mercado, que, ao definir um novo padrão de absorção da força de trabalho, tem possibilitado a manutenção e o crescimento da participação feminina; e, por outro, as alterações nos valores em relação ao papel da mulher na sociedade e na estruturação dos núcleos domésticos, que têm aumentado à disponibilidade da mulher, em todas as idades e posições na família, para o trabalho remunerado (MONTALI; LOPES, 2003).·.
A metodologia se utilizará de métodos qualitativos que para Kaplan & Duchon, 1988.
As principais características dos métodos qualitativos são a imersão do pesquisador no contexto e a perspectiva interpretativa de condução da pesquisa.
Pelo fato de não haver publicações bibliográficas na área da pesquisa, a mesma terá grande contribuição de artigos e trabalhos de conclusão de curso publicados em periódicos como, PUC – Rio (2005, 2007 e 2011), UNIESP- Presidente Prudente (2007), Fundação Getúlio Vargas (2002) e IFBAE – Franca (2011).

ANÁLISE HISTÓRICA DO PAPEL DA MULHER NA SOCIEDADE

Para mostrar o papel da mulher no mercado de trabalho e do empreendedorismo precisamos listar alguns fatos históricos que impulsionaram e justificaram esta trajetória.
Desde a década de 50, as transformações no modo de vida das mulheres vêm se processando de maneira mais acelerada. A entrada no mercado de trabalho, o acesso à formação universitária e às novas formas de erotismo organizaram a luta feminina em defesa dos seus direitos. A pílula anticoncepcional e as mudanças nos contratos matrimoniais também foram, aos poucos, organizando a saída da mulher do universo doméstico e do exclusivo cuidado dos filhos, conduzindo-a para o espaço público, antes reservado quase exclusivamente aos homens.
De acordo com a Revista Super uma das personagens histórica do feminismo, Clara Zetkin, militante socialista que assumiu a defesa dos direitos da mulher, em 1910, na II Conferência Internacional de Mulheres Socialistas, propôs a data de 8 de março, dia do massacre das operárias tecelãs de Nova Iorque, como o Dia Internacional da Mulher.
Além de Clara Zetekin, entre as pioneiras, podemos destacar como uma das primeiras mulheres empreendedoras, Nicole Clicquot uma francesa que viveu no século XIX e que e enfrentou a rígida política de Napoleão Bonaparte e conquistou a Europa. E naquela época, enfrentar Napoleão, o homem mais poderoso da Europa, significava a morte. Mas Madame Clicquot era uma mulher valente e com garra, que não se intimidava diante da figura de Napoleão e nem se submetia à opressão daquele tempo. Aos 27 anos, 1805, herdara do marido uma Vinícola em Reims, na França, ao norte de Paris e em pouco tempo, transformou a pequena vinícola num dos maiores centros franceses de produção de espumante.
A preocupação com a situação da mulher na sociedade vinha se acentuando gradativamente até explodir no movimento feminista das décadas de 60 e 70. Um dos objetivos das feministas era tornar a mulher visível para a sociedade que, até então, era vista apenas como mãe amorosa e esposa dedicada.
Analisando a questão da independência da mulher, Raposo e Astoni (2007) ressaltam que foi importante a iniciativa das mulheres em reivindicar seus direitos, mas que através dessa atitude, vieram muitas responsabilidades:

As condições de independência adquiridas pela mulher vão além da Revolução Feminista de 1969, quando várias mulheres protestantes queimaram peças íntimas em praça pública. A atual conjuntura econômica empurra a mulher a auxiliar nas questões financeiras da família, tornando-se, muitas vezes, a chefe da casa, como aponta a pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (RAPOSO; ASTONI, 2007, p. 36).

 

Ao longo da história da humanidade, o papel da mulher na sociedade foi sempre bem definido: dona de casa, responsável pelo zelo e bem-estar dos filhos e da casa, invariavelmente submissa aos pais ou ao marido, não tendo direito de expressar suas vontades ou de realizar seus sonhos. Mas a realidade hoje é outra: pode-se verificar uma mudança no comportamento das mulheres, não para se assimilarem aos homens, mas sim para competir em igualdade com os mesmos (CATARDO, 2005).
A mulher tem conseguido alcançar o seu espaço, tornando sua participação de grande importância para o mundo. No entanto, sempre está envolta em polemica, pois, durante muito tempo, foram apenas reconhecidas por seus trabalhos domésticos, não podendo expor suas características e competência em busca do mercado de trabalho. Devido sua capacidade de se relacionar o empreendedorismo feminino tem características como a intensidade em que tudo que se faz.
Para a maioria das pessoas quando se fala de família, sempre vem à imagem de homens que trabalham fora e as mulheres cuidando da casa. Mas, para que esta imagem tenha com o tempo a transformação foi necessário que elas abrissem mão de coisas consideradas importantes.
A sociedade machista é a responsável de estigmatizar algumas características das mulheres, como a que atribui apenas à função de “pilotar o fogão”, ou seja, a mulher sempre foi remetida a restrição de trabalhos domésticos.
Deste modo, torna – se claro que o principal obstáculo enfrentado pela mulher está em se libertar deste modo conservador, que prevê que a sua constituição primeira no ambiente familiar e depois no empresarial. Além disto, as mulheres empreendedoras sofrem com vários preconceitos pelo fato de serem consideradas frágeis, sensíveis, etc. Porém, apesar dessas características serem estigmatizadas contribui muito para a constituição de uma empresa.
Durante o decorrer da história verificou-se que, quando ocorrem mudanças na sociedade, a mulher passa a assumir tarefas que diferem do ambiente familiar e doméstico.
Entretanto a sociedade usou, por muito tempo, o argumento da diferença biológica para justificar a desigualdade entre homens e mulheres, porém foi observado por Oliveira (1997, p.11) que “O funcionamento do cérebro desvendado agora não indica, em nenhum momento, que as características masculinas são melhores e as femininas piores. Eles têm habilidades diversas”.
Inicialmente as mulheres eram consideradas menos capazes para o trabalho fora de casa que os homens, “lugar de mulher é em casa” como diz o velho ditado.
As primeiras lutas em favor dos direitos da mulher surgiram na segunda metade do século XIX. Estes movimentos tiveram como objetivo principal a luta por igualdade de direitos constitucionais e, num segundo plano, a igualdade no terreno profissional. As mulheres operárias e das classes médias, reivindicaram igualdade diante da lei e a possibilidade de poderem votar.
Com a Revolução Industrial pôs-se em movimento uma série de transformações que afetariam profundamente a condição social da mulher, principalmente. O trabalho da mulher começou a ser valorizado como um instrumento efetivo de mobilidade social e como uma solução para ajudar a família em sua difícil situação econômica (BAUER, 2001). 
Conforme estudo proposto por AMORIM e BATISTA  (2010) a Revolução Industrial começou a modificar lentamente esse quadro. O número de mulheres empregadas aumentou significativamente, trouxe a mulher para trabalho fabril quando o aumento da produtividade era necessário, apesar disso tanto a jornada de trabalho quanto os salários eram muito desiguais. Na visão dos autores, um forte impulsionador da entrada da mulher no mercado de trabalho deu-se no século XX com as 1ª e 2ª Guerras. A ausência dos homens enviados para combate e posteriormente a quantidade de homens mortos durante o conflito masculino. As mulheres ganharam mais espaço no mercado de trabalho. Nesse período nascem os primeiros movimentos feministas.
 
Foi nos anos 70 que, no Brasil, a mulher ingressou de maneira mais precisa no mercado de trabalho, surgindo por fim os movimentos sindicais e feministas no país.
Na década de 1980, mulheres ganharam mais visibilidade dentro do movimento sindical, por conta do surgimento da Comissão Nacional da Mulher Trabalhadora, na Central Única Dos Trabalhadores (CUT).
Desta forma a participação feminina no mercado de trabalho cresceu significativamente nas últimas décadas e dados estatísticos mostram que as mulheres estão presentes em todos os segmentos e classes empresariais, apesar de ainda existirem desigualdades de oportunidades no mundo do trabalho, diferenciais de rendimentos entre os dois sexos, obstáculos aos planos de ascensão a cargos de chefia, etc.
O aumento da participação feminina na vida econômica do país está intimamente ligado ao avanço delas na formação educacional e também nas mudanças na estrutura familiar. Hoje, as famílias possuem menor número de filhos e novos valores relativos à inserção da mulher na sociedade.
As mulheres, de maneira geral, possuem como característica natural maior sensibilidade, maior empatia, comprometimento, vontade de ajudar. Essas são algumas das características que auxiliam uma mulher a se tornar uma empreendedora de sucesso na área de serviços por exemplo. Nesse setor essas características facilitam o trabalho que requer facilidade de relacionamento (com clientes, colaboradores, comunidades, etc.), possibilitando um desenvolvimento diferenciado e inovador.
As mulheres são capazes de executar várias atividades ao mesmo tempo e lidar com várias responsabilidades (lar, marido, filhos, trabalho). Segundo Villas Boas (2010, p.51) “Existem importantes diferenças entre os estilos de empreender masculino e feminino. Elas têm uma ótima capacidade de persuasão e se preocupam com clientes e fornecedores, o que contribui para o progresso da empresa”, o que se torna um diferencial em relação aos homens e de acordo com Grzybovski et. al. (2002):

A mulher consegue construir um sentimento de comunidade, por meio do qual os membros da organização se unem, e aprendem a acreditar e a cuidar uns dos outros. As informações são compartilhadas e todos os que serão afetados por uma decisão têm a oportunidade de participar da tomada desta decisão, pág. 32.

Essa capacidade dá às mulheres um ponto positivo rumo ao sucesso do empreendimento. Elas demonstram esse estilo peculiar de administrar, utilizando diferentes formas para conquista da sintonia entre a vida pessoal e a profissional.
As mulheres têm mais facilidade para compor equipes, persistência, cuidado com detalhes, além de valorizarem a cooperatividade. Apesar de incluírem certa dose de sentimentalismo a suas decisões, têm maior facilidade a desenvolver atividades intelectuais, inverso ao homem, que é mais ágil e prático.
As mulheres empreendedoras tendem a ser mais intuitivas do que os homens, já que confiam mais em seus próprios sentimentos. De acordo com Gomes (1997), o uso da intuição na solução de problemas pode ser atribuído a fatores como permitir que os executivos pudessem lidar com situações complexas, ainda que possuam menos dados quantitativos, e torna possível o entendimento da percepção e das atitudes dos funcionários, em conjunto com a sensibilidade. A maneira de tomar decisões por parte das mulheres empreendedoras é participativa, fazendo com que os indivíduos sejam valorizados, além disso, as mulheres possuem estilo de liderar interativo e motivador.
Vale ressaltar também que a habilidade para desenvolver uma visão parece conferir liderança e esta, para o empreendedor, parece depender do desenvolvimento da visão (FILION, 1991).
Segundo artigo escrito por Rosana Silva e Souza ao site da revista Pequenas Empresas grandes negócios, enquanto as mulheres têm uma visão mais ampla e consegue acumular várias responsabilidades (lar, marido, filhos, trabalho), os homens têm a visão mais focada e não conseguem fazer mais de uma tarefa por vez. As empreendedoras optam por uma alternativa que expressa à valorização combinada de ambos. Assim, têm como meta atingir um equilíbrio entre a vida profissional e a pessoal, utilizando diferentes estratégias para lidar com as demandas do negócio e da família.
Algumas características, tipicamente femininas, fazem a diferença. Além de usar muito o lado sensitivo, a mulher tem um diferencial no que diz respeito aos “serviços”, área em que é preciso ter facilidade de relacionamento com clientes e comunidades.
Ainda sob a visão da autora as mulheres geralmente estão mais dispostas a repassarem seus conhecimentos, e se destacam em suas comunidades, pois geralmente são elas que se dispõe a trabalhos voluntários, sejam em ONGs, igrejas, instituições, escolas. Por agirem mais com o coração estão sempre mais voltadas a ajudar o próximo.
Mas, afinal, qual o perfil da mulher empreendedora? As mulheres, ter um negócio próprio é uma estratégia de vida e não meramente uma ocupação ou um meio para ganhar dinheiro. Procuramos sempre fazer com que o trabalho seja uma forma de beneficiar todos à nossa volta.
As mulheres têm mais facilidade para compor equipes, persistência e cuidado com os detalhes, além de valorizando a Cooper atividade e incluem certa dose de sentimentalismo em nossas decisões, e tem maior facilidade para desenvolver atividades intelectuais, inverso ao homem, que é mais ágil e prático.
Características femininas que sempre foram vistas de forma preconceituosa, por serem associadas a fragilidades, acabaram virando vantagem no mundo corporativo atual. Toda essa sensibilidade faz das empreendedoras o grande diferencial no meio dos impulsos masculinos.

DESAFIO DAS MULHERES EMPREENDEDORAS

Muitas dificuldades são impostas a quem abre seu próprio negócio, independente de gênero. Entretanto, é possível que além das barreiras impostas a qualquer gestor, existam aquelas que impactam mais incisivamente na gestão feminina.
Segundo GOMES (2004), a mulher que trabalha fora tem uma grande dificuldade de conciliar trabalho e família, e essa dificuldade não costuma se apresentar para o universo masculino na mesma frequência.
As mulheres que estão à frente de negócios precisam enfrentar em seu dia-a-dia a cultura que vem por décadas sobre a expectativa do papel da mulher, de ser mãe e esposa esta realidade, a cada ano, vem se mostrando diferente, com a força de mulheres notáveis à frente de seus negócios.
Stolke (1980, p.113, apud Santos, Silva e Mota, 2005) ao estudar a mulher no mundo do trabalho, concluiu que não são as diferenças fisiológicas que explicam as hierarquias sociais, mas o uso social que é feito delas e o significado que lhes é atribuído. Assim a igualdade entre homens e mulheres não será garantida pela eliminação de suas diferenças.
A força do empreendedorismo feminino está em constante crescimento, mas ainda há muito que se fazer como preparar-se para enfrentar o cenário econômico, realizar planejamento, capacitasse gerencialmente, estudar o mercado, promover a inovação e tecnologia como estratégia de competitividade.
As mulheres começam a se verem empreendedoras e a compreender a importância da sua atuação na sua comunidade, no seu Estado e no País. Algumas mulheres que desejavam ter seu próprio negócio decidiram realizar seu sonho, estabeleceram metas e foram à luta, muitas vezes sem nenhum recurso e se encheram de coragem para colocar em prática alguma habilidade de que dispunham em busca do sustento da família, desde fazer coxinhas para vender, penteados em cabelos, confeccionar tapetes, derreter chocolates, pintar quadros, até plantação de café, oficina mecânica e outras atividades, antes consideradas exclusivamente masculinas.
A maior participação da mulher no mundo do trabalho está ligada ao crescimento do setor de serviços, e acontece não apenas na base, mas em toda a pirâmide social - inclusive no topo. É verdade que as mulheres ainda encontram muitas dificuldades pelo caminho por vários fatores que incluem, mas não se limitam, ao preconceito.
Afinal, as mulheres ainda têm atribuições biológicas e sociais que as tornam mais vulneráveis: são elas que se ausentam do mercado de trabalho por causa dos filhos, muitas vezes ficando em desvantagem em um mundo de rápidas transformações tecnológicas. As desvantagens se refletem em diferenças de renda que não são justificadas pela escolaridade. De fato, segundo o IBGE, enquanto as mulheres brasileiras têm em média 8,6 anos de estudo, os homens têm 7,6. No entanto, a renda dos homens é quase 50% maior do que a das mulheres.
Tirando essas preocupações, a mulher ainda enfrenta, no seu dia-a-dia, preconceito de toda ordem: ganhar um salário menor que o homem que executa a mesma tarefa, discriminação por ser mulher, a obrigação de estar sempre bonita e pronta para vencer as dificuldades de uma sociedade machista. Uma das maiores dificuldades que elas enfrentam é ter que tomar decisões como mulher de negócios fora e ser mãe dentro de casa, possuindo pulso forte para decidir, com filhos e marido, a rotina diária de alimentação e locomoção. É como se as mulheres, tivéssemos mais capacidade do que os homens em assumir vários papéis.
O carinho, o afeto e o amor fazem parte do lado emocional que as mulheres precisam ter no lar para harmonizar e suprir a falta por estarem fora durante o dia. Mas por outro lado, o mercado de trabalho abre uma porta para o mundo; vislumbram-se perspectivas de novos horizontes.
O trabalho da mulher envolve a séria condição de assimilar o que se passa no mundo. Ela precisa estar constantemente, envolvida com o lado humano das pessoas. A profissional, a mãe e a dona de casa precisam descansar e estar mais presente em casa, envolvida com o acompanhamento das atividades dos filhos.
A progressiva conquista de novos lugares e papéis femininos trouxe uma infinidade de ganhos que, como não poderia deixar de ser, teve seu preço. Isso solicita uma mudança na posição subjetiva da mulher, o que certamente exige a passagem pelo luto da perda de garantia das antigas posições. Caminho tortuoso e difícil, pois a estrada em direção à autonomia, única via de acesso a novas realizações, pede que a mulher assuma o preço da responsabilidade de uma posição de sujeito.
A mudança dos tempos traz sempre consigo a transformação dos ideais, resultado de novas conquistas do ser humano no saber sobre si mesmo. Ocorrem aí o abandono de interesses antigos e a descoberta de novos interesses e necessidades. No entanto, para as mulheres essa mudança trouxe também uma ampliação dos ideais. No que diz respeito à sua inserção na cultura, elas confrontam-se hoje não apenas com as modificações dos ideais, mas com um verdadeiro acúmulo deles.
Uma boa representação do ideal de feminino dos dias atuais é a figura da “mulher-elástica”. Para tentar dar conta de tantos ideais, a mulher atual tão bem representada pela “Sra. Incrível” - precisa ter um funcionamento verdadeiramente  elástico. Deve desempenhar, com sucesso, uma gama tão variada de funções que só mesmo uma elasticidade originária poderia lhe garantir, ao menos, algum êxito numa empreitada tão fantástica, própria dos Às razões para iniciar um empreendimento diferem na opinião de diversos estudos.
As mulheres ainda têm atribuições biológicas e sociais que as tornam mais vulneráveis: são elas que se ausentam do mercado de trabalho por causa dos filhos, muitas vezes ficando em desvantagem em um mundo de rápidas transformações tecnológicas.
      E, como se este desafio não fosse suficiente, Cramer, Cappelle e Silva (2001) destacam que as mulheres, muitas vezes, não conseguiriam superar o que as autoras classificam como um ‘sentimento de culpa’ – alimentado pela família e por elas próprias –, em virtude das exigências profissionais consumirem um tempo que seria utilizado pela mulher no cumprimento de outros papéis sociais, como os de esposa ou mãe.
Assim, para se pensar no papel da empreendedora nos tempos atuais seria necessário o enfrentamento de uma complexa tarefa: pensar esta profissional em meio ao multifacetado campo das representações sociais, como indicam Cramer, Cappelle e Silva (2001), uma vez que, a partir deste elemento, seria possível interpretar o que poderia ser classificado como a ‘realidade’ vivenciada pelas mulheres no âmbito do trabalho.
No campo profissional, a mulher tem condições de competir em igualdade de condições com os homens, mas nem sempre isso acontece, pois quando não é impedida pela estrutura masculina do poder que rege a grande maioria das empresas, ela própria não acredita no seu potencial. (GRION, p.90).
Entretanto, não basta apenas às mulheres empreendedoras enfrentar os desafios colocados pela sociedade machista, é necessário estar preparada e gostar do que faz e antes de tudo é preciso estudar o mercado, ler sobre o assunto, pôr no papel todos os riscos e analisar se está disposto a corrê-los. É necessário ainda saber administrar o negócio sem perder o prazer em executá-lo.

CONSIDERAÇÕES FINAIS
Este trabalho se desenvolveu com a problemática de analisar o perfil empreendedor da mulher, suas características e sua trajetória na sociedade.
O perfil das empreendedoras e o de seus empreendimentos, aqui descritos, é semelhante aos revelados em pesquisas sobre o empreendedorismo feminino no Brasil.
Considerando os aspectos relativos ao empreendedorismo feminino, observou-se que a maioria dos estudos é focada nos motivos pelos quais as mulheres empreendem. No que se refere aos benefícios e consequências do empreendedorismo feminino para a sociedade, pouco tem sido explorado.
O trabalho feminino fora de casa é uma conquista relativamente recente. Não foi simples para as mulheres conseguirem ganhar seu próprio dinheiro, obter independência e ainda ter sua competência reconhecida. Atualmente não há duvidas sobre a capacidade intelectual feminina, sendo esse um progresso para a sociedade.
Com base nisto, este trabalho se desenvolveu a partir da problemática de analisar as mulheres empreendedoras e os desafios que elas encontraram para obtenção do sucesso, conseguimos entender que as mulheres, possuem grande capacidade empreendedora, com otimismo, paixão pelo que fazem criatividade; inovando e aperfeiçoando o mundo dos negócios, sendo responsáveis por uma diversidade na forma de gerenciamento de empresas.
As mulheres empreendedoras têm como meta atingir um equilíbrio entre a vida profissional e a pessoal. A mulher amadureceu, aprendeu a conhecer seus limites e já sabe o que fazer para superar barreiras e dificuldades, igualou-se ao homem no comando financeiro da casa.
Esse artigo estabeleceu três objetivos específicos e conseguiu obter respostas para todos. O primeiro objetivo específico seria identificar as principais características empreendedoras das mulheres e de acordo com os resultados foram identificadas que as principais características que mulheres empreendedoras como determinação, coragem, otimismo, assumem riscos calculados, amam o que fazem e a cada momento estão inovando para continuarem obtendo sucesso.
O segundo objetivo identificado trata-se sobre as dificuldades enfrentadas pelas mulheres empreendedoras no mercado competitivo entre homens e mulheres, apesar de possuir muita concorrência, as mulheres continuam apostando no diferencial de seus conhecimentos, na qualidade dos serviços, atendimento e tecnologia.
O terceiro e último objetivo atingido foi à descoberta sobre as mulheres nos dia de hoje e como elas se tornam empreendedoras e quais os motivos que fazem com que elas empreendem e quais fatores impulsionam as mulheres a optarem pelo empreendedorismo. Conseguimos identificar que as maiorias das mulheres estão sempre preocupadas na união visando alcançar maiores metas, diversificando as áreas de atuação e o mercado, buscando novos conhecimentos através da capacitação e estando sempre bem informadas com relação ao que está acontecendo no momento estão sendo os fatores para alcançar seu maior objetivo, o aumento na renda familiar e a melhoria na qualidade de vida.
Acredita-se que os resultados do estudo constituem informações relevantes para os alunos do curso de administração e para as futuras empreendedoras, pois trazem informações que viabilizam um melhor direcionamento no processo de formação de um negócio.
Sugerem-se futuras pesquisas sobre uma abordagem mais específica da mulher empreendedora, onde ela entra em conflito sobre a vida profissional e a vida pessoal.

REFERENCIAS
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BATISTA, Luiz Eduardo 2010. Empreendedorismo Feminino: Razão do Empreendimento. Orientador – Docente do Curso de Administração do Centro de Ensino Superior de Primavera (CESPRI).

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GOMES, Pedro Gilberto. Comunicação Social Filosofia – Ética – Política. São Leopoldo: Editora Unisinos, 1997.

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Congresos Internacionales


¿Qué son?
 ¿Cómo funcionan?

 

15 al 29 de
julio
X Congreso EUMEDNET sobre
Turismo y Desarrollo




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Próximos congresos

 

06 al 20 de
octubre
I Congreso EUMEDNET sobre
Políticas públicas ante la crisis de las commodities

10 al 25 de
noviembre
I Congreso EUMEDNET sobre
Migración y Desarrollo

12 al 30 de
diciembre
I Congreso EUMEDNET sobre
Economía y Cambio Climático