Contribuciones a las Ciencias Sociales
Agosto 2012

UMA REFLEXÃO SOBRE A DIVERSIDADE CULTURAL NA UNIVERSIDADE: RESPEITO ÀS DIFERENÇAS




João André Tavares Fernandes (CV)
jfernandes@edu.unicid.br
Universidade Cidade de São Paulo




RESUMO

Este estudo teve por objetivo verificar a associação entre diversidade cultural e universidade, buscando identificar os aspectos mais explícitos da diversidade, bem como a formação profissional, interação e integração dos grupos na universidade, que é um ambiente em constante processo de mudanças organizacionais existindo uma pressão evidente em relação à sua adequação a um mercado competitivo.
Fundamentado em pesquisas bibliográficas e estudos de casos, este estudo buscou contribuir para a compreensão do modo como se expressa a diversidade cultural no contexto universitário, bem como para uma reflexão acerca do papel da docência para numa educação na e para a diversidade.

Palavras-chave: Diversidade Cultural, Universidade, Cultura, Aluno, Professor, Aprendizagem.


ABSTRACT


This study aimed to investigate the association between cultural diversity and the university, seeking to identify the more explicit aspects of diversity, as well as vocational training, interaction and integration of groups at the university, which is an environment in constant process of organizational change there is a pressure evident in relation to their suitability for a competitive market.
Based on literature searches and case studies, this study sought to contribute to the understanding of how cultural diversity is expressed in the university context, as well as a reflection on the role of teaching to an education in and for diversity.

Keywords: Cultural Diversity, University, Culture, Student, Teacher, Learning.




Para citar este artículo puede utilizar el siguiente formato:
Tavares Fernandes, J.: "Uma reflexão sobre a diversidade cultural na universidade: respeito às diferenças", en Contribuciones a las Ciencias Sociales, Agosto 2012, www.eumed.net/rev/cccss/21/

INTRODUÇÃO

A abordagem do termo diversidade cultural torna-se uma necessidade atual e sua relevância se explica a partir do momento em que a universidade desenvolve um ensino que procura atender a diversidade cultural de sua clientela.
Historicamente falando, a universidade tem dificuldades para lidar com a diversidade. As diferenças tornam-se problemas ao invés de oportunidades para produzir saberes em diferentes níveis de aprendizagem. Ela é, sem dúvida, o lugar em que todos os alunos devem ter as mesmas oportunidades, mas com estratégias de aprendizagens diferentes.
A aprendizagem não depende apenas da estrutura biológica, mas também do meio, da qualidade dos estímulos recebidos desde a infância. Portanto, cada pessoa tem uma história particular e única, formada por sua estrutura biológica, social e cultural.
Garvin (1993) define que, “uma organização de aprendizagem é aquela que tem a habilidade de criar, adquirir e transferir conhecimento e de modificar seu comportamento para refletir sobre novos conhecimentos”.
A universidade é um local formado por uma população com diversos grupos étnicos, com seus costumes e suas crenças. Segundo Morin:

“a cultura é constituída pelo conjunto dos saberes, fazeres, regras, normas, proibições, estratégias, crenças, idéias, valores, mitos, que se transmite de geração em geração, se reproduz em cada indivíduo, controla a existência da sociedade e mantém a complexidade psicológica e social. Não sociedade humana, arcaica ou moderna, desprovida de cultura, mas cada cultura é singular. Assim, sempre existe a cultura nas culturas, mas a cultura existe apenas por meio das culturas”. (idem, 2001, p. 56)

Perrenoud (2000) aborda que enfrentar o desafio de propor um ensino que respeite a cultura da comunidade significa constatar cada realidade social e cultural com a preocupação de traçar um projeto pedagógico para atender a todos sem exceção.
O Brasil é um país rico em diversidade cultural, devido cada região possuir a sua própria cultura, costumes, crenças, religiões. Trabalhar a diversidade brasileira é adentrar em um universo muito rico, aprender a maneira de ser, de viver, ser capaz de respeitar e ao mesmo tempo integrar a cultura popular.
Neste novo contexto, faz-se oportuno um olhar no contexto mundial da perversidade da globalização: a concentração de renda, a desigualdade e a injustiça social, que ainda permeia grande parte da população dos países pobres.
O olhar sobre a diversidade cultural, expõe peculiaridades da existência humana: as diferentes formas que assumem as sociedades ao longo dos tempos e dos espaços, as relações entre povos, culturas, civilizações, etnias, grupos sociais e indivíduos. Configura-se o desafio central não só das práticas pedagógicas, mas das possíveis formas de convivência que se queira construir, para humanizar-se as relações; na economia, na política e no saber, nos diferentes quadrantes históricos e geográficos.
Trabalhar com o tema diversidade cultural remete-nos a explorar um universo representado por uma população formada por inúmeros grupos étnicos, com seus costumes, com sua cultura, por meio de trabalhos interdisciplinares, como uma das melhores formas de expressar os conhecimentos adquiridos ao longo da vivencia acadêmica.
Cada universidade é composta de sua história, cultura, missão, visão e seus valores. Em síntese, são suas preocupações que a fazem diferente de outras universidades. Os universitários são formados por diversos grupos étnicos com seus costumes, culturas, crenças e um conjunto diversificado de valores.
Emerge a responsabilidade da universidade e de todos que trabalham no processo administrativo, em adequar o currículo escolar com o multiculturalismo, que é a mistura de culturas em uma mesma localidade, abarcando toda a comunidade acadêmica, para não ocorrer processos de exclusão. Valorizar a cultura na sala de aula é ter o compromisso de valorizar e melhorar a convivência com a diversidade cultural, uma das vias dessa conscientização é a educação em valores.
Barbosa (2010) define que o papel do professor–gestor diante da diversidade cultural dentro da universidade, é trabalhar a tolerância, o respeito e reconhecimento da diversidade, em toda a comunidade acadêmica, quebrar as barreiras impostas pela sociedade a qual muitas vezes é escassa e excludente, e não levar em consideração a origem sócio-cultural e econômica do aluno.
Seguindo e contextualizando a idéia da autora, o professor do século XXI deve ser requalificado como profissional e como protagonista. Essa requalificação deve incluir a modificação racional da formação docente, o substantivo melhoramento de suas condições de trabalho e a eliminação dos mecanismos de controle técnico, de modo que fortaleça sua autonomia e valorize sua prática. Isto significa superar seu papel de transmissor de conhecimento, passivo e instrumental (GIROUX, 1990).
Proporcionar assim, um ambiente acadêmico num local de formação de alunos ativos, criativos, solidários e com consciência critica do real papel do ser humano no ambiente em que vive. A diversidade cultural, para alguns alunos, é um tema de difícil compreensão e para assimilar o processo administrado pelos gestores se torna ainda mais confuso, pois este tema é muito complexo e precisa ser compartilhado e mostrado de diversas forma para a comunidade acadêmica, por meio de palestras, seminários para a sua melhor compreensão.
Costa (2009) acredita que: “assim como os pais, a universidade pode proporcionar o acesso a várias opções diferentes ao apresentar culturas alternativas aos estudantes, ou pode limitar e dirigir esse acesso”.
O autor se refere propriamente aos professores e, em relação a eles, será também importante averiguar sobre a sua preparação global para o exercício de funções docentes numa situação tão particular como a aula, que é um lugar de expressão da diversidade, com a presença de alunos provenientes de diferentes culturas. Reconhecer as diferenças é aceitar e respeitar as singularidades culturais e procurar preservá-las na constituição pedagógica dos sujeitos.

O educador faz “depósitos” de conteúdos que devem ser arquivados pelos educandos. Desta maneira a educação se torna um ato de depositar, em que os educandos são os depositários e o educador o depositante. O educador será tanto melhor educador quanto mais conseguir “depositar” nos educandos. Os educandos, por sua vez, serão tanto melhores educados, quanto mais conseguirem arquivar os depósitos feitos (FREIRE, 1983, p. 66).

Umas das maiores lições de Freire (1983) aos educadores é a preocupação com o papel social da Educação. A busca de alternativas e propostas deve ser constante em nosso dia a dia, e deve ocorrer no sentido de resgatar o “homem”, o “cidadão” e o “trabalhador” da alienação de seu “ser” e de fortalecer seu exercício de cidadania e de sua dignidade.
Para Sacristán (1988, p. 16) “é fato empírico que nós, seres humanos, somos diferentes uns dos outros do ponto de vista biológico, psicológico, social e cultural. Cada um de nós constitui uma individualidade única ao lado de outras tão singulares quanto a nossa”. Portanto, a singularidade individual destaca-se como garantia de privacidade e de livre pensamento, assim como a liberdade de expressão, de criação e o exercício da crítica.
Como base, os educadores devem tomar como ponto de partida para o senso comum pedagógico a normalidade da diversidade.

[...]a diversidade alude à circunstância dos sujeitos de serem diferentes (algo que em uma sociedade tolerante, liberal e democrática é digno de respeito). Embora também faça alusão ao fato de que a diferença (nem sempre neutra) transforma-se, na realidade, em desigualdade, na medida em que as singularidades dos sujeitos ou dos grupos permitam que alcancem determinados objetivos nas universidades e fora delas de maneira desigual. A diferença não é somente uma manifestação do ser único de cada um é; em muitos casos, é a manifestação do poder ou chegar a ser, de ter possibilidades de ser e de participar dos bens sociais, econômicos e culturais. Contrapomos o diverso ao homogêneo o desigual com a equiparação, que é a aspiração básica da educação, pensada como capacitação para aumentar as possibilidades.
Todas as desigualdades são diversidades, embora nem toda diversidade pressuponha desigualdade (SACRISTÁN, 1988, p.14).

Diante da diversidade de culturas dentro de diversas culturas é de competência de o professor ter claro os objetivos e resultados que pretende alcançar com uma atividade para que os alunos tenham as mesmas oportunidades, mas com estratégias diferentes.
Aceitar que os alunos são diferentes uns dos outros é fácil. Difícil é tratar educativamente essas diferenças e ajudar para que elas enriqueçam o processo de ensino-aprendizagem. Não se constitui em tarefa simples tentar entender as origens sociais, os medos, as diferenças, os futuros desiguais, os anseios, as perspectivas dos nossos alunos em relação à sua formação
Pensando a respeito desta complexidade, as universidades e os professores, entre outras medidas, podem distribuir suas atenções em função das possibilidades ou necessidades de cada estudante, munir-se de recursos para o trabalho independente e criar climas de cooperação entre os alunos, facilitando a informação, o conhecimento e principalmente o intercâmbio.
Sacristán (1988) define que “as tarefas acadêmicas tornam-se modos de trabalhar e de aprender”, permitem utilizar diversos meios, sair ou não fora das salas de aula, criam ambientes de aprendizagem particulares e definem modelos de comportamento para os quais as individualidades adaptam-se melhor ou pior.
Desse modo, universidades e professores precisam viabilizar o livre avanço dos mais capazes de forma natural, alimentando o interesse do estudante, abrindo-lhe caminhos e adotando posturas mais abertas e criadoras de condições e recursos propondo objetivo profissional inovador.
Zabala (1998, p. 63 ) cita como um dos objetivos de qualquer bom profissional consiste em ser cada vez mais competente em seu ofício. Geralmente se consegue esta melhora profissional mediante o conhecimento e a experiência: o conhecimento das variáveis que intervêm na prática e a experiência para dominá-las.
O autor acredita que podemos extrair do conhecimento da forma de produção das aprendizagens duas perguntas: a primeira relacionada com a potencialidade das sequências para favorecer o maior grau de significância das aprendizagens e a segunda sua capacidade para favorecer que os professores prestem atenção à diversidade.
Os objetivos esperados devem impulsionar as capacidades nos processos de inclusão social e profissional que, como sabemos, levam ao desenvolvimento de capacidades de diversos tipos: cognitivas, de inter-relação, de equilíbrio pessoal e até motoras.

Em suma, conforme diz Lotan (em Gohen e Lotan, 1997, p.15), precisamos de uma pedagogia da complexidade, referindo-se com esse termo a uma estrutura educacional capaz de ensinar com um alto nível intelectual em classes que são heterogêneas do ponto de vista acadêmico, linguístico, racial, étnico e social, de forma que as tarefas acadêmicas possam ser atraentes e desafiadoras. Seus pontos mais importantes são: riqueza de materiais, incentivo das interações em pequenos grupos, delegação de certas responsabilidades aos estudantes, tarefas que exijam o uso de múltiplos materiais e provoquem a participação de habilidades diversas, estimulação da participação dos estudantes com simultaneidade de tarefas e com múltiplas funções do professor (apud SACRISTÁN, 1998, p.35).

Para Zabala (1998, p. 63) podemos extrair do conhecimento da forma de produção das aprendizagens duas perguntas: a primeira relacionada com a potencialidade das sequências para favorecer o maior grau de significância das aprendizagens e a segunda sua capacidade para favorecer que os professores prestem atenção à diversidade.
A educação, e em especial a gestão democrática necessita de reflexões no que diz respeito à diversidade cultural no contexto escolar. Deve buscar alternativas de competência das políticas públicas para o atendimento educacional, na estrutura física, recursos humano adequado para o desenvolvimento do trabalho pedagógico e administrativo, enfim todas as modalidades de adaptações de acesso ao currículo de forma a favorecer o processo educacional relevante à diversidade cultural.
Zabala (1998, p.13) define que provavelmente a melhoria de nossa atividade profissional, como todas as demais, passa pela análise do que fazemos, de nossa prática e do contraste com outras práticas.
Dentre as argumentações de ordem psicológica podemos citar alguns contextos de ensino que, partindo dos níveis de desenvolvimento dos alunos, lhes apresente situações de aprendizagem.
a diversidade como processo de aprendizagem
Observando a globalização de uma forma sistêmica (educação, política e social), entendo que devemos cada vez mais nos aperfeiçoar, estarmos atentos as mudanças e as grandes transformações da visão de mundo em que vivemos e que somos inseridos.
A idéia de globalização remete a uma visão de que o conhecimento é global, não segmentado e que sua fragmentação em disciplinas faz parte de um momento de sua produção. Segundo essa concepção de globalização, é o professor ou a situação os que reclamam e forçam o estabelecimento de conexões disciplinares, ou seja, um conjunto de idéias com o mesmo foco e seguindo a mesma linha de raciocínio cognitivo.
O professor deve estar atento para as necessidades de envolver o aluno com as diferentes atividades educativas propostas para sua formação, de maneira que todos os alunos percebam com clareza o porque de se estar realizando cada atividade ou tarefa em sala de aula/laboratório, por exemplo.
Para isso é necessário que o professor aplique seus conhecimentos prévios, de forma clara e objetiva seguindo uma metodologia dinâmica e participativa a fim de obter um bom resultado e principalmente a interação do aluno na sala de aula e sua integração com os demais (aluno/professor).
Atualmente, não é possível falar em multi ou interculturalismo sem alguma adjetivação ou explicação: diversas abordagens se abrigam sob tal rótulo, algumas até mesmo antagônicas.
Interessa aqui o enfoque proposto por Candau nos seguintes termos:
“a interculturalidade orienta processos que têm por base o reconhecimento do direito à diversidade e a luta contra todas as formas de discriminação e desigualdade social. Tenta promover relações dialógicas e igualitárias entre pessoas e grupos que pertencem a universos culturais diferentes, trabalhando os conflitos inerentes a essa realidade. Não ignora as relações de poder presentes nas relações sociais e interpessoais. Reconhece e assume os conflitos, procurando as estratégias mais adequadas para enfrentá-los”. (idem, 2005, p.32)

Gadotti (1992) educador brasileiro comprometido com educação popular e comunitária propõe uma Educação Multicultural, como estratégia de educação para todos capazes de reduzir os elevados índices de evasão e de repetência dos segmentos menos favorecidos da sociedade brasileira, na sua maioria constituída por pobres, negros e mestiços. Considera ele que, uma das tendências do mundo contemporâneo é o multiculturalismo, que deve se traduzir no respeito e valorização das diferenças socioculturais.
Fernandes (2005) define que no atual mundo de economia globalizada, ao contrário do que se previa, houve um revigoramento e uma valorização das culturas regionais e a afirmação de identidades étnico-culturais latentes que, nessa nova “aldeia global”, encontra espaço para a defesa de seu direito à diferença e reconhecimento da alteridade.
A par de toda valorização às culturas das minorias sociais, muito pouco se fala das etnias nas universidades brasileira. Só muito recentemente, por pressão dos movimentos sociais, é que a questão da pluralidade cultural vem encontrando certa ressonância no ambiente escolar. Segundo Gadotti:

“a diversidade cultural é a riqueza da humanidade. Para cumprir sua tarefa humanista, a escola precisa mostrar aos alunos que existem outras culturas além da sua. Por isso, a escola tem que ser local como ponto de partida, mas tem que ser internacional e intercultural como ponto de chegada. (...) Escola autônoma significa escola curiosa, ousada, buscando dialogar com todas as culturas e concepções de mundo. Pluralismo não significa ecletismo, um conjunto amorfo de retalhos culturais. Significa sobre tudo diálogo com todas as culturas, a partir de uma cultura que se abre às demais” (idem, 1992 p.23)

Gómez (2001) pensa o ensino “como um espaço ecológico de cruzamento de culturas”. Defende, assim, que esses espaços têm o papel de oferecer uma “mediação reflexiva” entre a “cultura crítica” (que inclui o conhecimento científico) e a “cultura experencial” trazida pelo aluno (senso/conhecimento comum).
A UNESCO publica em seu site que as desigualdades sociais no Brasil afetam diretamente as diversas condições de acesso à educação no país. Quase todos os indicadores educacionais brasileiros evidenciam este fato. São percebidas desigualdades nas condições de acesso à educação e nos resultados educacionais das crianças, dos jovens e dos adultos brasileiros, penalizando especialmente alguns grupos étnicorraciais, a população mais pobre e do campo, os jovens e adultos que não concluíram a educação compulsória na idade adequada. Grandes desigualdades raciais e étnicas continuam existindo na sociedade brasileira (especialmente com relação a alguns grupos específicos, tais como a população indígena, a população afrodescendente, os quilombolas, a população carcerária e a população rural).
A literatura especializada mostra que há forte correlação entre a origem étnica e as oportunidades educacionais. Estas coexistem lado a lado com desigualdades sociais e regionais, contribuindo, assim, para a exclusão educacional de um número considerável de jovens e adultos.
A UNESCO pretende apoiar o país na implementação de ações afirmativas para promover oportunidades iguais de acesso àeducação de qualidade, incluindo todos os grupos da sociedade brasileira.

DIVERSIDADE: RESPEITO ÀS DIFERENÇAS DE APRENDIZAGEM, CONHECIMENTO E COMPREENSÃO

Estamos vendo que os campos da formação humana são múltiplos e complexos. O educador deve ser um colecionador incansável de experiências didáticas bem-sucedidas, suas e de outros colegas, e de técnicas e dinâmicas de ensino.
Deve ser ainda um profissional especializado na elaboração de recursos de ensino (textos, roteiros de trabalho, apostilas, exercícios), visando não só a aquisição de conhecimentos cognitivos, mas também de outros saberes e competências sociais, políticas, instrumentais, ultimamente denominados de saber, saber ser e saber fazer.
Freire (1997, p.25) aborda a diferença entre treinar e educar, descrevendo que treinar é aprender as técnicas e habilidades necessárias para determinado fim, enquanto que educar é muito mais do que isso, "não é transmitir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua produção ou a sua construção”.
O autor também aponta a importância do professor respeitar a individualidade do educando e aproveitar suas vivências e experiências no ato de educar. Assim, é possível fazer a ponte entre os conhecimentos que o educando adquiriu no decorrer de sua vida e os conhecimentos técnicos e acadêmicos.
A Universidade não pode, pois, orientar-se pelo paradigma da uniformidade curricular, o que exige alterações profundas ao nível da organização e gestão curricular e da formação de professores e claro, de início, um currículo flexível, portanto adaptável.

Para este processo ser efetivo, é fundamental que a universidade também ‘exercite a flexibilidade com relação às capacidades individuais de cada aluno e coloque suas necessidades e interesses no centro de suas atenções, porque é com base no compromisso de conhecer cada aluno que a universidade se torna, gradualmente, um ambiente de aprendizagem diferenciada. (Portal: UNESCO)

O cenário atual da Educação Superior convida as universidades a uma transformação de sua capacidade de gerar novos conhecimentos pedagógico/didáticos a partir de seu próprio contexto. Desta forma, o profissional “professor” deve buscar o aprimoramento profissional através de inovação e dinâmicas de mudanças; considerando-se a cultura de cada instituição educativa.
Martha (2007, p. 68-70), apresenta em seu livro o marco conceitual do Ensino para Compreensão (EpC) nos orienta a revisar antigas questões sobre “o que” e “como” ensinar. Ele os incentiva a continuar aprendendo sobre sua matéria, enquanto desenvolvem tópicos geradores mais potentes, e a articular metas de compreensão mais penetrantes. Ele os ajuda a ouvir seus alunos a fim de aprender como estão entendendo o currículo e ajudá-los visando a atender seus interesses, pontos fortes e pontos fracos.
A autora apresenta que o trabalho com professores durante os anos iniciais do projeto revelou que aprender a ensinar para a compreensão é por si só, um processo de desenvolvimento de compreensão. A partir dessa perspectiva, o próprio marco do EpC oferece uma base para orientar o processo de Compreensão, Planejamento, Implementação e Integração.
A implicação desta linha de trabalho pedagógico e curricular só é possível com o professor atuando como agente de mudança com característica pessoal de auto motivação, refletindo a importância do processo de aprimoramento contínuo de revisão e formação.
O resultado destas mudanças é o desdobramento de ações efetivas que colabora com um processo dinâmico e flexível de sua formação acadêmica propiciando condições e recursos em sua tomada de decisão.
Freire (1979) considera essa questão ao descrever que entre aluno e professor há uma troca mútua de conhecimentos e questionamentos, onde quem ensina aprende ao ensinar e quem aprende ensina ao aprender.

“O homem enche de cultura os espaços geográficos e históricos. Cultura é tudo o que é criado pelo homem. Tanto uma poesia como uma frase de saudação. A cultura consiste em recriar e não em repetir. O homem pode fazê-lo porque tem uma consciência capaz captar o mundo e transformá-lo”. (FREIRE, 1979, p. 30-31)

Na organização de aprendizagem o ambiente favorece a criação de objetivos compartilhados e processos de socialização, gerando um sentimento de coletividade que permeia a organização e dá coerência às diferentes atividades, contribuindo para o engajamento e participação das pessoas.
Em suma, conforme diz Gómez:

Assim, o aspecto mais importante dentro dessa corrente são os processos de socialização do professor/ a, já que se considera que neste longo processo socialização vão se formando lenta, mas decisivamente as crenças pedagógicas, as idéias e teorias implícitas sobre o aluno/ a, o ensino, a aprendizagem e a sociedade. (idem, 1998, p.67).

Em um mesmo grupo de formação, nem todos os aprendizes vivem a mesma experiência. As pessoas confrontadas com a situação aparentemente idêntica constroem experiências subjetivas diferentes, porque invertem na situação seus meios intelectuais, seu capital cultural, seus interesses, seus projetos e suas atividades, suas energias, suas estratégias e seus desafios do momento, todos esses recursos se distinguem.
Imbernón (2004) nos leva a ampliar nossas reflexões acerca de “práxis” ressignificando nossa profissão e contribuindo na perspectiva do coletivo que, de fato, constrói e desenha novos contornos para uma atuação verdadeiramente transformadora.
A universidade precisa trazer à tona o debate sobre a mobilização das inteligências Múltiplas de Gadner, “que define inteligência como habilidade para resolver problemas ou criar produtos que sejam significativos em um ou mais ambientes culturais”.
Segundo Gadner, citado por Oliveira:

“O ser humano dispõe de graus variados de cada uma das inteligências e pode combiná-las organizando-as de forma pessoal para criar produtos e resolver problemas. Ele identificou sete tipos de inteligências, embora admitia que possa haver outras. São Elas: A lingüística (inteligência dos poetas e escritores); A lógica – matemática (inteligência dos cientistas e matemáticos); A espacial (inteligência dos artistas plásticos e dos arquitetos; A musical (inteligência dos músicos; A cinestésica inteligência dos atletas e bailarinos; A interpessoal (inteligência dos professores, dos vendedores e dos líderes; A intrapessoal (inteligência de lidar consigo mesmo, com eficácia, exteriorizando-se, através de outras inteligências” (apud OLIVEIRA, 1997, p. 26-28)

A constante busca de alternativas para trabalhar e respeitar às diferenças poderia levar a transformação das desigualdades em aprendizagem e em êxito escolares.
Conforme Moreira:

“O avanço das pesquisas e da experiência, os professores disporão de instrumentos que lhes permitem delimitar melhor a natureza dos obstáculos à aprendizagem encontradas em cada aluno e, portanto, saber se requerem uma intervenção urgente, ou um desvio, ou um tempo de latência, por exemplo, dando à criança tempo para crescer, amadurecer, superar as crises familiares ou problemas de individualidade. Os professores precisam encontrar meios de criar espaço para mutuo engajamento das experiências de multiplicidade de vozes, por um único discurso dominante. Mas professores e alunos precisam encontrar maneiras de que um único discurso se transforme em local de certeza e aprovação”.(idem, 2002, p. 106)

Um dos grandes desafios da universidade atualmente é o de desenvolver um Projeto Político Pedagógico que estabeleça uma visão real da práxis pedagógica em relação à diversidade cultural para a mobilização das competências dos alunos e participação dos professores.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

O estudo aqui realizado pode contribuir para superação do preconceito de que existe o aluno ideal para uma real compreensão do fenômeno diversidade cultural na universidade. Pois não há uma classe homogênea. Podemos citar a “motivação” como fator do processo/aprendizagem.
São processos que ocorrem no interior do sujeito, estando, entretanto, intimamente ligados às relações de troca que o mesmo estabelece com o meio, principalmente, seus professores e colegas. Nas situações escolares, o interesse é indispensável para que o aluno tenha motivos de ação no sentido de apropriar-se do conhecimento. A motivação é um fator que deve ser questionado no contexto da educação tendo grande importância na realização do processo educativo.
O professor deve descobrir estratégias, recursos para fazer com que o aluno se disponha a aprender, fornecendo estímulos para que ele se sinta motivado a aprender. Ao estimular o aluno, o educador o desafia a aprender. O desejo de realização é a própria motivação, assim o professor deve fornecer sempre ao aluno o conhecimento de seus avanços, captando a atenção do aluno.
O motivo para desenvolver a compreensão se torna o desejo de ajudar outras pessoas, de acordo com suas circunstâncias, considerando quais são os fatores mais decisivos em cada caso. Portanto, mobilizar competências e despertar compreensão, significa ter empatia pelo outro e saber se realmente estou sendo participativo em sala, se minhas aulas estão contribuindo para a formação/desenvolvimento do meu aluno/ a, se estou passando um feedback positivo
Podemos ter conhecimento das estratégias didáticas e das atitudes dos professores em relação à diversidade de idéias, experiências, atitudes, estilos de aprendizagem, ritmos, capacidades, interesses, etc. Ao analisar o paper apresentado, um dos desafios da universidade é reverter esse papel, encarando a diversidade cultural como meio de transformar a universidade e a sala de aula num ambiente de “aprendizagem significativa”.

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