Contribuciones a las Ciencias Sociales
Julio 2011

A FILOSOFIA LATINO-AMERICANA E SUAS IMPLICAÇÕES PARA A “LIBERTAÇÃO AMBIENTAL”



César Augusto Soares da Costa (CV)
csc193@hotmail.com




RESUMO

Este trabalho é uma reflexão acerca dos fundamentos e da importância do pensamento filosófico latino americano como premissa ao debate ambiental crítico. As interpretações dirigem-se às questões do conceito de libertação e desenvolvimento enquanto práxis latino-americana e suas implicações para a reflexão ambiental que de modo que colaborem no exame de nossas práticas sociais. Somente assim, procuramos demarcar uma nova percepção filosófica de cunho latino-americano que leva em conta a dimensão ambiental no empenho da cidadania libertadora tendo como fundamento os autores Leopoldo Zea e Enrique Dussel.

Palavras-chave: Debate ambiental, cidadania libertadora, libertação.

Abstract

This paper is a reflection on the fundamentals and importance of Latin American philosophical thought as a premise to debate critical environmental. The interpretations are directed to issues of liberation and development concept of praxis as Latin America and its implications for the environmental think tank that can assist in reviewing our educational practices. Only then, we mark a new philosophical perception of the Latin American slant which takes into account the environmental dimension in the task of liberating citizenship having as basis the authors Leopoldo Zea and Enrique Dussel.

Keywords: environmental debate, citizenship liberating release.
 



Para citar este artículo puede utilizar el siguiente formato:
Soares da Costa, C. A.: A filosofia Latino-Americana e suas implicações para a “Libertação Ambiental”, en Contribuciones a las Ciencias Sociales, julio 2011, www.eumed.net/rev/cccss/13/

1 As premissas: Libertação e Desenvolvimento

A palavra desenvolvimento entrou em uso depois da Segunda Guerra Mundial. Ela deixava clara a divisão que havia no mundo entre os países desenvolvidos e os países subdesenvolvidos, ao mesmo tempo em que tratava das condições de superação desta divisão, de forma que toda a humanidade viesse a desfrutar de condições de vida mais dignas. Confundia-se desenvolvimento com crescimento econômico. O objetivo consistia, no crescimento da riqueza, em decorrência do qual o bem estar alcançaria todos. Os evidentes limites desta concepção junto com uma antropologia mais exata na compreensão da condição do homem fizeram com que o desenvolvimento passasse a ser considerado um processo social mais amplo. Além do aumento da riqueza e da melhoria nas condições de vida, as demais esferas da sociedade deveriam ser atingidas. Um passo mais adiante, e se alcançou à perspectiva humanística de desenvolvimento entendido como “reciprocidade de serviços” em vista da “reciprocidade de consciências” (GUTIERREZ, 1985).

A palavra libertação começou a ser utilizada pela “teoria da dependência”. Em sua análise, tal teoria concluíra que depois da Segunda Guerra, o continente latino-americano crescera na economia, mas a vida de seu povo não tinha melhorado. O crescimento não acarretara a independência na economia, de maneira que a América Latina continuava a não participar da economia mundial em condições iguais com outras regiões e a população continuava pobre subalterna. A passagem do subdesenvolvimento para o desenvolvimento não resultaria de uma evolução gradual, mas requeria uma ruptura, uma libertação.

Partindo destas premissas introdutórias, seria relevante atribuir a categoria ambiental o conceito de desenvolvimento? Ou não seria mais conveniente atribuirmos à categoria libertação? Tomamos como caminho seguir tal provocação, pois libertação nos parece mais viável para os rumos ambientais que pretendemos apontar neste trabalho.

2 Uma concepção de Exclusão

Adentrando o nosso debate acerca da problemática libertadora, precisamos entender um conceito amplamente usado: o conceito de exclusão. Mas ainda cabe a seguinte pergunta: excluídos de que? Neste sentido, permanecem as relações de interdependência com o restante da humanidade e com todos seres da natureza. Tais pessoas não estão excluídas do alcance dos meios de comunicação de massa que socializa o pensamento dominante e o padrão do consumo. Os pobres latino-americanos também possuem os desejos de consumo da em grande parte prometidos pela comunicação, mesmo que eles não tenham condições de satisfação dos mesmos via mercado.

O equívoco na percepção da realidade, a falta de uma educação baseada no princípio sistêmico de mundo, colaboram ainda mais, na manutenção social e sendo inaceitável do ponto de vista ético com implicações ao debate ambiental. Uma aproximação entre exclusão e reconhecimento da solidariedade como ponto de partida para uma redefinição para uma práxis ambiental, requer uma reconfiguração em vislumbrar um método que sirva de abordagem na realidade. Tal abordagem da categoria exclusão, também envolve percepções da exclusão ambiental fruto de sistema colonizador, dominante e perverso onde por muitos séculos alija o povo latino-americano de sua real condição (ASSMANN, 2000).

Assim, uma abordagem latino-americana vai descobrindo sua atualidade e também sua perspectiva, lugar e tempo neste esforço de diálogo e aproximação. Somos capazes de descobrir um aspecto fundamental: a existência de muitos mundos diferentes dentro do nosso mundo: a “outridade latino-americana” (DUSSEL, 1986), dentro da nossa realidade. É reconhecendo a pluralidade na realidade que aprendemos a reconhecer a pluralidade de interpretações, a respeitar os diferentes pontos de partida para a compreensão ambiental. Em nosso entendimento, optamos por valorizar o foco de análise partindo do enfoque da filosofia libertadora latino-americana, por reconhecermos a importância que ela ocupa, enquanto práxis como orientação e efetividade histórica em nosso continente.

Passamos no primeiro momento ao exame da Filosofia da Libertação.

3 A Filosofia da Libertação

As Filosofias da libertação surgiram no final dos anos sessenta e início dos anos setenta, devido à negação de direitos humanos, falta de democracia, violências sociais e marginalização da sociedade latino-americana (DALLABRIDA, s/d).

A “filosofia da libertação” da qual Dussel se constitui expoente é o resultado de um acúmulo coletivo de reflexões sobre várias questões sociais, econômicas e culturais a partir de diversos autores situados em diversas regiões da América Latina:

É importante, entretanto, afirmar que embora vários autores tenham seus nomes associados à paternidade da filosofia da libertação, sendo indicados em maior ou menor medida nesta condição em razão de algum trabalho remoto que verse sobre temas pertinentes, tal filosofia, contudo, não é obra de um autor ou fruto de uma determinada síntese. Antes, pelo contrário, ela é o resultado de um acúmulo coletivo em várias regiões da América Latina e da África. Destaque-se também que as trajetórias intelectuais e vitais de Leopoldo Zea, Salazar Bondy, Enrique Dussel (...) e tantos outros que elaboraram filosoficamente sobre temas pertinentes à práxis de libertação, não são análogos (MANCE, 2000, p. 35).

Entre esses pensadores, destaca-se a filosofia da libertação de Enrique Dussel, uma das mais importantes, sendo um movimento filosófico em processo de construção, possuindo bases na análise do contexto histórico, econômico, cultural e político da América Latina. Atualmente, ela não é aplicada apenas à América Latina, mas a todos os países ou regiões do mundo afetadas com a exploração colonial imperialista, o que não permite um pleno desenvolvimento, e assim, deixando-os dependentes de tecnologia, economia, cultura e, por assim dizer, impossibilitando-os de mudanças sociais.

Os eixos do pensamento dusseliano pode ser delineado nos seguintes pontos: A América Latina como a referência fundamental de sua reflexão; conceber a libertação como a práxis fundamental e, descobrir o outro como pobre. (LONDOÑO, 1996, p. 47). Portanto, a filosofia da libertação é uma tentativa de um fazer filosófico que parte da América Latina rumo à universalidade com peculiaridades regionais, cuja ancoragem em Dussel busca na categoria da alteridade, o outro (o pobre).

Já Leopoldo Zea procura as razões da atividade filosófica (MEDIN, 1986). Ele observa que a filosofia não é uma ocupação gratuita e acessória. De fato, quando e enquanto se sente a necessidade da filosofia, sente-se a exigência de responder aos problemas que se nos impõe o ambiente em que vivemos. O homem está inserido no mundo e ali é forçado a agir, assumindo-se a cada instante, com a responsabilidade de enfrentar escolhas sempre novas. Com sua atividade, o homem envolve os outros e, por sua vez, é envolvido por eles. Na verdade, a vida humana é um entrelaçar de empenhos e responsabilidades recíprocas. Nesta situação, o filósofo é um homem que tem maior consciência desta sua condição empenhada. Diante disto, Zea enfrenta a questão da filosofia a partir da realidade de mexicano e latino-americano (SCHUTTE, 1993).

Na obra “América como conciencia”, Zea pergunta-se de que modo o filósofo latino-americano desenvolveu sua tarefa como pensador. Para responder, o autor recorda como os europeus consideraram a América. A opinião deles pode ser resumida na celebre frase de Hegel na “Filosofia da História”, afirmando que a América é o país do futuro. Se é o país do futuro, diz Zea, então atualmente a América é pura potencialidade, ou seja, é “sem” história. Ora, sendo o homem um ser essencialmente histórico, ao negar a historicidade ao americano, nega-se-lhe a humanidade. O que é grave, acrescenta Zea, é que esta posição foi assumida pelos próprios latino-americanos. De fato, após a independência, eles creram poder projetar-se para o próprio futuro, negando e desprezando seu passado. Zea conclama os latino-americanos a tomarem consciência de sua identidade, do seu ser. Somente deste modo poder-se-á criar uma cultura que não seja européia. Contudo, alerta que não se trata de um fechamento em si. O que é preciso é reagir, a modo próprio, às idéias dos outros, afirmando a própria originalidade. Isto faltou ao latino-americano. Este apenas se esforçou por repetir e copiar servilmente os frutos da cultura européia, em vez de copiar o espírito que os produziu.

4 À guisa de conclusão: uma Filosofia Libertadora para a Ambiente

A Filosofia da Libertação contribui no sentido próprio da alteridade interpretante e crítica como imperativo à questão ambiental. Pois, entendemos a libertação e a práxis ecológica como intimamente ligadas e ambas possuem o elo: partem de duas chagas que sangram: a primeira é a chaga da pobreza na América Latina, e a segunda, a da agressão da terra ameaçada pela depredação realizada a partir do desenvolvimento montado pelas sociedades contemporâneas. Também ambas visam à libertação: uma, dos pobres, a partir deles mesmos como sujeitos históricos organizados, que assumem a sua luta; a outra, a da Terra, mediante uma nova aliança do ser humano com ele e com o tipo de desenvolvimento que respeite os diferentes ecossistemas e uma boa qualidade de vida dos seus cidadãos (BOFF, 1996).

Assim, uma filosofia da libertação deve assumir o discurso ambiental em nome da nova cosmologia, ou seja, compreender a visão do Planeta Terra como um grande organismo vivo e articulado com o universo inteiro, uma vez que, o ser humano foi criado para o universo e não vice-versa, para realizar uma etapa mais alta e complexa da consciência social. Portanto, pensamos que não apenas os pobres e oprimidos dever ser libertados, mas todos os seres humanos que habitam a Terra e que são excluídos por um modelo de vivência que escraviza o valor de cada pessoa e não exalta dignamente.

No imaginário da sociedade moderna, o desenvolvimento é movido dentro de dois pólos: o infinito dos recursos naturais e o infinito do desenvolvimento rumo ao futuro. Mas sendo assim, os recursos não são ilimitados na sua maioria; estão sendo postos em degradação e podem tornar-se incertos no futuro da história. As sociedades sempre organizam suas relações com o meio, no sentido de garantir a produção e reprodução da vida. Estruturalmente, surge de modo relevante e indispensável quanto a dimensão “revolucionária”; a situação de degradação da humanidade frente ao ambiente em que habitamos, mas também problemática perante as desigualdades sociais geradas pelo sistema-mundo e no mau uso dos recursos que a sociedade dispõe.

Ante os aspectos de ouvir a palavra do “outro” e da natureza até a adequada interpretação, podemos perceber que o momento ético é essencial para o debate. Somente pelo compromisso existencial, pela práxis libertadora, podemos nos tornar servir ao mundo, podemos aceder à sua interpretação real.

Assim, a filosofia latino-americana denota seu viés questionador e contestador porque exige o reexame da teoria e a crítica da sua prática (COSTA, 2010). Tanto Zea e Dussel em suas reflexões, orientam sua prática afirmando que a libertação (no sentido social) é antes de tudo uma tarefa ética, nos colocando á serviço do outro, e auxiliando em sua libertação social e política. Suas teorias são eminentemente práticas, à medida que é preciso libertar o ser humano da exclusão. Tal aspecto serve para nos inserirmos numa visão ampla e emancipatória do ser humano a partir de sua condição real de existência. Pois a práxis transformadora é, portanto, aquela que fornece e dá condições ao processo social para superar seus antagonismos sociais entre seus sujeitos, visando a redefinição de lógicas excludentes que definem a sociedade capitalista.

A filosofia libertadora assim entendida é uma pedagógica para a problemática ambiental. Pois o filósofo em nosso caso (o educador ambiental) para ser mestre deve começar por ser discípulo, uma vez que, a libertação da totalidade fechada, nada pode interpretar (DUSSEL, 1986). Assim, filosofia latino-americana é o pensar que sabe escutar a voz do oprimido (“o outro”) dentro do ambiente e que sabe comprometer-se com o movimento ou com a mobilização da sua libertação. Logo, a filosofia devolve ao “outro” (entendido como parte do ambiente) sua revelação crítica, re-criadora e interpelante. O pensar filosófico como libertação latino-americana, é um grito, um clamor, é a exortação do educador que faz reincidir a contrariedade que havia recebido como inquietação radical! A filosofia latino-americana que tende a interpretação da voz latino-americana é um momento novo na história da filosofia humana, por trazer até nós a interpretação radical da categoria “outro” uma exigência ética à categoria ambiental.

Referências Bibliográficas

ASSMANN, Hugo. Competência e sensibilidade solidária. Petrópolis: Vozes, 2000.

BOFF, L. Ecologia: grito da Terra, grito dos pobres. 2 ed. São Paulo: Ática, 1996.

COSTA, César Augusto. Apontamentos sobre a relação “teoria e práxis”, Contribuciones a las Ciencias Sociales, junho 2010, Disponível em: www.eumed.net/rev/cccss/08/casc3.htm Acesso em: 21/3/2011.

DALLABRIDA, Elias. Questões de política contemporânea em Dussel. (mimeo). s/d.

DUSSEL, Enrique. Método para uma filosofia da libertação. São Paulo: Loyola, 1986.

______. Teologia da Libertação. Perspectivas. 5 ed. Petrópolis: Vozes, 1985.

LONDOÑO, F. T. Enrique Dussel: perfil de um intelectual católico latino-americano na procura da libertação. In: LAMPE, Armando (Org.,) História e libertação. Homenagem aos 60 anos de Enrique Dussel. Petrópolis: Vozes, 1996, pp. 35-61.

MANCE, E. A. Uma introdução conceitual às filosofias de libertação. In: Revista Libertação - Liberación. Curitiba: 2000, Ano1, nº.1, pp. 25-80.

MEDIN, Tzvi. Leopoldo Zea: Ideología, historia y filosofía de América Latina. México City: Universidad Nacional Autónoma de México, 1986.

SARTI, Sergio. Panorama della filosofia ispanoamericana contemporanea. Milano: Cisalpino-Goliardica, 1976, p. 520-527.

NEUTZLING, C; COSTA, César Augusto. Filosofia na/da América Latina: a importância do americanista Leopoldo Zéa. Contribuciones a las Ciencias Sociales, Málaga, dezembro 2010, Disponível em: www.eumed.net/rev/cccss/10/ Acesso em: 24/03/2011.

SCHUTTE, Ofelia. Cultural Identity and Social Liberation in Latin American Thought. Albany: SUNY Press, 1993.

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