Contribuciones a las Ciencias Sociales
Febrero 2011

CASAMENTO E FAMÍLIA NO BRASIL: BREVE PANORAMA

 

Bruna Del Chiaro Nieble Teno (CV)
Maria do Rosário Rolfsen Salles
brunanieble@gmail.com  


 

RESUMO

O objetivo do presente trabalho é refletir sobre o significado e as transformações da família no Brasil ao longo da década de 1960 e na atualidade. A pesquisa consistiu num levantamento bibliográfico sobre o tema, que considerou as principais mudanças na família no casamento. A década de 1960 foi considerada como um marco de mudanças significativas em diversos aspectos da vida social e familiar. O capitalismo, a rápida industrialização,o avanço tecnológico são apenas alguns dos fatores a serem citados. O estudo, de natureza qualitativa objetiva evidenciar as persistências e mudanças mais significativas na família brasileira ao longo desses cinqüentas anos, que ocorreram decorrentes de fatores como o surgimento de uma “nova mulher” e sua emancipação, da desmistificação do amor romântico, da aceitação social e Legal do divórcio e outros. Os resultados apontam para o aparecimento de novas organizações familiares que vieram substituir o antigo modelo de família patriarcal.

PALAVRAS-CHAVE: Família; Mulher; Emancipação; Casamento; Mudanças.
 



Para citar este artículo puede utilizar el siguiente formato:
Nieble Teno y Rolfsen Salles: Casamento e família no Brasil: breve panorama, en Contribuciones a las Ciencias Sociales, febrero 2011, www.eumed.net/rev/cccss/11/

Introdução

O objetivo deste trabalho é refletir sobre a relação família e casamento no Brasil, tendo em vista pesquisa recente que originou uma Dissertação de Mestrado em Hospitalidade, intitulada: Festas de casamento e Hospitalidade: permanências e mudanças. O objetivo era refletir sobre as permanências e mudanças nas formas de receber doméstico em festas de casamento e as formas atuais, amparadas em serviços profissionais cada vez mais sofisticados e diversificados. Para o desenvolvimento do trabalho, houve necessidade de uma contextualização sobre casamento e família no Brasil, objeto do presente artigo. Sabe-se que as mudanças mais significativas sobre a posição feminina perante o trabalho, a sexualidade e sua participação na sociedade, foram determinantes para as mudanças no caráter da família e das concepções sobre o casamento e as uniões amorosas de uma maneira geral.

Pretende-se então, através deste estudo, discorrer brevemente sobre as transformações ocorridas na sociedade brasileira em relação à posição feminina segundo sua emancipação e conseqüências perante a família e o casamento.

A sociedade e a mulher entre os séculos XIX e XX

No inicio do século XIX, a vida urbana, praticamente inexistia no Brasil, que podia ser caracterizado então, como um enorme país rural, com um estilo de vida profundamente marcado pela aristocracia portuguesa, pelo cotidiano das grandes propriedades rurais e pelo sistema escravista. Esses fatos impunham um modelo de família, a família patriarcal brasileira, em que o poder cabia ao “pater familias” ao redor do qual gravitavam membros da família, escravos, agregados, ao estilo casa grande e senzala, embora com diferenças entre as regiões brasileiras segundo os tamanhos das propriedades, onde muitas vezes não imperava a grande propriedade e os estilos mais aristocráticos de vida. Durante o século XIX, a cidade é um apêndice da área rural, reflete a estratificação rural, com pequena população fixa, alguns artesãos, e um grande número de pessoas sem ocupações definidas.

Durante todo o século XIX, o desenvolvimento do capitalismo e da vida urbana, a ascensão de uma burguesia proveniente da aristocracia agrária, apontavam para o surgimento de uma “nova mentalidade” propiciada pelas novas alternativas de convivência social que “reorganizava as vivencias familiares e domesticas do tempo e por que não, a sensibilidade e novas formas de pensar o amor” (D’ INCAO, 2004, p. 223). Desenvolve-se uma “nova mulher nas relações da chamada família burguesa, marcada pela valorização da intimidade e da maternidade”.

Ao iniciar-se o século XX, introduzem-se novos valores numa sociedade ainda com resquícios escravocratas baseada na exploração agrária. Sobretudo depois da Republica, a modernização das cidades como o Rio de Janeiro, impõem um padrão europeu de civilização e europeização, materializado nas reformas urbanas do Prefeito Pereira Passos. As distinções entre as elites e os pobres, se acentuam, não se tolera mais a pobreza nos centros urbanos. A rua, “lugar publico”, se opõe definitivamente ao espaço privado da família e da casa. As casas se redefinem e refletem a intimidade da família, os limites do convívio, a sala de visitas, os salões. A mulher de elite passa a freqüentar espaços públicos como cafés, bailes e teatros, mas aprende a se comportar em público, convive de maneira educada. As alcovas representam o espaço do segredo, da individualidade e da privacidade. (D’ INCAO, 2004, p. 229).

Entretanto, há profundas diferenças entre os comportamentos das mulheres da elite e das classes populares, para as quais as exigências eram impossíveis de ser cumpridas: as mulheres pobres precisavam trabalhar. “Das camadas populares se esperava uma força de trabalho adequada e disciplinada. Especificamente sobre as mulheres, recaia uma forte carga de pressões acerca do comportamento pessoal e familiar desejado, que lhes garantissem apropriada inserção na nova ordem”. (SOIBET, 2004, p. 362). A autora enfatiza que a organização familiar dos populares assumia uma multiplicidade de formas, sendo inúmeras as famílias chefiadas por mulheres. No entanto, a implantação dos moldes da família burguesa entre os trabalhadores era encarada como essencial, visto que no regime capitalista que se instaurava com a supressão do escravismo, no custo de reprodução da força de trabalho era considerado como certa a contribuição invisível não remunerada, do trabalho domestico das mulheres. Além disso, ainda segundo a autora, a concepção de honra e de casamento das mulheres pobres, era considerada perigosa para a moralidade da nova sociedade. Considerava-se a fragilidade, o recato, a subordinação da sexualidade à vocação maternal, em oposição ao homem que conjugava à sua força física, uma natureza autoritária, empreendedora, racional, e uma sexualidade sem freios. Para as mulheres a sexualidade era impedida antes do casamento e depois restringida ao âmbito desse casamento.

A mulher e o casamento a partir de 1960

Considerou-se que a família passou por diversos momentos ao longo das décadas e, como afirma DIAS (2006), pode-se observar que diferentemente do modelo em vigor até as primeiras décadas do século XX, quando as decisões sobre a escolha do cônjuge ainda se pautavam em escolhas por interesse familiar, as uniões foram sendo substituídas pelas escolhas individuais, assim como se deu a redução no número de filhos e demais componentes, até a constituição da família conjugal moderna.

A década de 60 costuma ser apontada como um marco nas transformações no caráter da família, em função de uma serie de fatores como a participação mais evidente da mulher no mercado de trabalho e a emancipação feminina, que resultaram em novas organizações familiares e imprimiram cada vez mais o caráter de escolha individual dos parceiros na constituição das famílias, compostas hoje por prole reduzida, modelos alternativos, pais divorciados etc. Essa situação, contudo, não significou ao que parece, o enfraquecimento da instituição familiar ou o decréscimo do numero de casamentos, embora seja real o aumento do numero de divórcios como será apresentado mais adiante.

Para Del Priore (2005), as décadas de 30, 40 e 50 (do século XX), foram importantes para as mudanças no casamento no Brasil. Ou seja, na década de 30 e 40 a urbanização e industrialização traziam novidades junto com a migração do campo para a cidade o que acabou por diluir as antigas redes de sociabilidade, fazendo com que as relações entre homem e mulher se democratizassem. O beijo surge nas telas de cinema bem como nas relações de namorados, significando também o estreitamento do contato físico.

Depois da segunda guerra mundial, com a ascensão da classe média o acesso ao lazer, informação e consumo aumentou, e com isto os jovens poderiam passar mais tempo juntos sem a guarda dos pais. Houve então uma aproximação não apenas verbal, mas também carnal levando em consideração as devidas restrições da época, o que significava que se mulher se entregasse (tivesse relações sexuais) ou permitisse intimidades, corria o risco de não casar e ficar então à margem desta sociedade. (DEL PRIORE, 2005).

O noivado virou um compromisso formal com o casamento e sua finalidade era de preparar enxoval, a festa e a moradia. O ideal era usar véu, grinalda, e ser virgem para poder entrar na igreja de branco. O estereótipo da mulher que casava era a de “moça de família” sendo recriminadas as que bebiam “cuba libre” de noite nos “Snack-bars”. No Censo de 1960, 60,5% da população dizia-se casada no civil e no religioso. (DEL PRIORE, 2005).

Mesmo diante de tantas novidades, Machado (2003) observou em seu estudo sobre a mulher e o trabalho fabril que a mulher seguiu em desvantagem trabalhista e social durante muitos anos. A autora verificou que entre as décadas de 40 e 60, que muitas das mulheres que trabalhavam em fábricas, permaneciam no trabalho apenas até se casarem, demonstrando que o próprio mercado de trabalho se incumbia de expulsá-las por causa de seu estado civil. Assim, as mulheres serviam apenas solteiras e ganhavam salários muito baixos, uma vez que a sociedade justificava que o provedor de uma casa deveria ser o homem.

Esse modelo persistiu até a o final da década de 60 quando a independência feminina, diante do trabalho, o início da liberação sexual decorrente do surgimento da pílula anticoncepcional e a invasão da mídia (novelas, filmes e outros), que mostravam o amor e a paixão como temas principais, fez com que lentamente o sexo antes do casamento fosse visto não apenas como tema de novela, mas também da vida real, desvinculando-se assim da procriação e do próprio casamento. Apesar dessa lenta mudança, as revistas femininas ainda apostavam na figura da mãe e dona-de-casa, que agora enfrenta o desmoronamento da figura de “rainha-do-lar”.

Segundo Vieira (2010), foi nesta mesma época que as fronteiras sexuais foram “borradas”. Ao mesmo tempo em que se assistia uma transição social e as décadas de 60 e 70 passavam um momento revolucionário em termos políticos, sociais, culturais e ideológicos, a censura ainda estava presente em meios de comunicação, principalmente quando os temas se referiam ao aborto, a contracepção, o divórcio, etc. A autora ainda afirma que a nova facilidade de contracepção levou à uma diminuição significativa dos casamentos formais. Assistiu-se então, uma Revolução Sexual inserida na Revolução dos costumes. As mulheres passaram a se vestir de maneira mais liberal e reivindicar por igualdade salarial, de direitos e de decisões. Aos poucos, a noção de “atentado” aos bons costumes desaparece, a informação e educação sexual deixam de ser um tabu e proclama-se o direito ao prazer sexual.

Além de todas as questões referentes ao sexo e à emancipação feminina, as décadas de 1960 e 1970 também foram palco de movimentos estudantis, pelas ditaduras implantadas, por lutas sindicais e a individualidade caracterizada pelo final da década de 1960, onde movimentos feministas, hippies e outros tentavam subverter as regras impostas pela sociedade. Pode-se dizer então que nessa época aonde um “vendaval” de movimentos das minorias veio trazer uma nova visão principalmente aos jovens, também se observou outro tipo de revolução: A do consumo. Ou seja, houve uma massificação das informações pelos meios de comunicação, em especial a televisão. Contudo, dentre os movimentos destas décadas conturbadas, o que se destacou em relação ao casamento foi a liberação sexual devido ao uso de contraceptivos, a emancipação feminina e a nova imagem da mulher que passou de “dona-do-lar” à “nova mulher”.

Para a autora Del Priore (2005) decorrente de toda esta fase de transição feminina, a família deixa então para trás o patriarcalismo do século XIX e meados do século XX, para abrir espaço à individualidade e liberdade de direitos presentes nos dias atuais.

A mulher e o casamento nos dias atuais

Como visto anteriormente a mulher aos poucos vai conquistando sua independência sexual. Já na década de 80, mesmo com o aparecimento da AIDS, a década foi marcada pela total desvinculação do sexo da procriação, principalmente decorrente dos avanços médicos como a pílula anticoncepcional. Vive-se então após esta década, uma realidade onde o casamento não é mais obrigatório e o divórcio não é mais vergonhoso.

Percebe-se que realmente a estrutura familiar se modificou. Para exemplificar, observa-se como o crescimento do número de casamentos no Brasil nos últimos anos tem aumentado, apesar de todas as mudanças e da melhor aceitação de outras formas de arranjos familiares. Ou seja, mesmo com o surgimento de diferentes formas de relacionamento e do divórcio estar presente, ainda se percebe como demonstrado abaixo que o número de casamentos no Brasil continua crescendo:

No entanto, esses números não diferenciam primeiro casamento de recasamentos, ou seja, com o divórcio as pessoas podem se casar legalmente novamente, fazendo então, parte desta estatística.

Segundo Martins e Mello (2009), cerca de 1 milhão de pessoas se casam todos os anos no Brasil e pouco mais de 250 mil se separam. Ou seja, embora um em cada quatro casamentos termine em divórcio, as pessoas não deixam de se casar. Dados do IBGE de amostragens anuais de 100 mil brasileiros demonstram que o número de casamentos cresceu 34,8% entre 1998 e 2008, superando ainda o número de divórcios que cresceu 33%. A diferença é pequena e precisa ser mais bem investigada.

Assiste-se então uma grande mudança em relação ao casamento e a figura feminina antes e depois da sua emancipação. Dias (2006) coloca que decorrente desta facilidade em unir-se e separar-se se encontram hoje em dia novas composições da família, ou seja, existem formas alternativas de organização familiar que foge àquele modelo “patriarcal” já discutido anteriormente. Em síntese, a autora afirma que a família patriarcal foi substituída pela família conjugal moderna. A autora diz que as famílias se encontram cada vez mais reduzidas em seu tamanho com uma tendência à nuclearização. Isso quer dizer que se encontram hoje em dia, famílias compostas apenas por pai, mãe e filhos ou até mesmo as consideradas “incompletas”, onde a mãe é a única responsável pela educação e criação dos filhos. Várias pesquisas atuais demonstram o crescimento do número de mulheres inseridas no mercado de trabalho e o papel da mulher como chefe de família. Em 2005, 30,6% das famílias brasileiras residentes em domicílios particulares eram chefiadas por mulheres (IBGE, 2006 p. 163, gráfico 5.1). No trabalho de Bruschini (2007) sobre a inserção da mulher no mercado de trabalho, a autora afirma que entre 1992 e 2005 houve um crescimento significativo de mulheres no mercado de trabalho, apesar das condições nem sempre serem favoráveis ao sexo feminino. A autora também coloca a posição da mulher como desfavorável pelo fato de além de trabalhar fora, ainda lhes serem atribuídos afazeres domésticos e familiares. Além dessa família reduzida, dentro destas novas composições se encontram famílias de pais separados, onde cada pai se casa com outra pessoa, formando então outra família.

Considerações Finais

Percebeu-se através deste estudo, que as mudanças ocorridas na família e no casamento acompanharam a história da mulher no Brasil. Ou seja, a entrada da mulher no mercado de trabalho, a liberdade sexual e conseqüentemente a opção de escolha de companheiro, trouxe à mesma uma independência que ainda estava em desenvolvimento até meados do século XX.

Com tantas mudanças na vida da mulher, percebeu-se seu reflexo na família e no casamento. Hoje, assiste-se a uma nova organização familiar nuclear e decorrente da liberdade de escolha e da independência feminina, encontra-se, por exemplo, outros tipos de famílias compostas apenas por mãe e filhos ou por pais separados (DIAS 2006).

Ou seja, o antigo modelo patriarcal abre, através das inúmeras transformações ocorridas na sociedade e na história da mulher, novas formas de organizações familiares e uma nova visão perante o casamento.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BRUSCHINI, Maria Cristina Aranha. Trabalho e gênero no Brasil nos últimos dez anos. São Paulo: Banco de dados da Fundação Carlos Chagas, 2007.

DEL PRIORE, Mary. História do Amor no Brasil. São Paulo. Contexto: 2006.

______________. Historia das mulheres no Brasil. São Paulo: Editora Contexto, 2004.

DIAS, Maria Luiza. Famílias e terapeutas: Casamento, divórcio e parentesco. São Paulo: Vetor, 2006.

D'INCAO. Maria Angela (org.). Amor e família no Brasil. São Paulo: Contexto: 1989.

_______________. Mulher e família burguesa. In: DEL PRIORE, Mary. Historia das mulheres no Brasil. São Paulo: Editora Contexto, 2004

IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). http://www.ibge.gov.br/home/ acessado em 26-02-2009.

MACHADO, Maria Lúcia Büher. Construindo os “anjos da casa”: trabalho fabril feminino e casamento entre as décadas de 40 e 60. 2003.

MARTINS, Ivan; MELLO, Kátia. Como salvar seu casamento. Revista ÉPOCA. São Paulo: Editora Globo, 19 de abril de 2010. Edição número 622, p. 116-124.

SAMARA, Eni de Mesquita. A família Brasileira. São Paulo: Brasiliesnse, 2004

SOIBET, Raquel. Mulheres pobres e violência no Brasil urbano. In: DEL PRIORE, Mary. Historia das mulheres no Brasil. São Paulo: Editora Contexto, 2004..

VIEIRA, Rejane Esther. A construção de novas imagens femininas na revista Realidade 1966-1976. Site Article Marketing Brasil. Disponível em: http://www.artigosbrasil.net/art/varios/2164/imagens-femininas.html%22 acessado em 28-09-10.

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