Revista: Caribeña de Ciencias Sociales
ISSN: 2254-7630


O ÁLBUM DOS PRIMEIROS ANOS DE VIDA DE UMA MENINA: uma análise da sua trajetória e a contribuição para a Cultura Escrita

Autores e infomación del artículo

Carmen Beatriz Pereira Leal*

UCPEL, Brasil

carmemleal.educampo@gmail.com

RESUMO

O presente trabalho analisa um álbum de bebe, nos seus primeiros anos de vida de uma criança. A autora dos escritos deste álbum é a mãe da menina.A família era domiciliada em Tapes/RS,cidade localizada as margens da Lagoa dos Patos.A existência deste álbum com mais de cinquenta anos de existência, ajudam a entender um pouco do corpus documental, bem como os vários momentos desta menina ao longo de seus primeiros anos de vida.A fonte histórica, mostra os sujeitos envolvidos, as lembranças e as memórias. Neste sentido convém ressaltar a importância da cultura escrita e da escrita para a compreensão das mudanças ao longo da evolução desta criança.

Palavras-Chave:Álbum. Cultura Escrita. Memórias. Estudos.

 

Para citar este artículo puede utilizar el siguiente formato:

Carmen Beatriz Pereira Leal (2017): “O álbum dos primeiros anos de vida de uma menina: uma análise da sua trajetória e a contribuição para a cultura escrita”, Revista Caribeña de Ciencias Sociales (octubre 2017). En línea:
http://www.eumed.net/rev/caribe/2017/10/contribuicao-cultura-escrita.html
http://hdl.handle.net/20.500.11763/caribe1710contribuicao-cultura-escrita


INTRODUÇÃO

O hábito de acumular, separar e preocupar-se com objetos que estão guardados, e em um primeiro momento parecem não ter valor utilitário, podem vir a ter mudanças valiosas quando percebemos a sua importância para os sujeitos em um determinado tempo.
 Meu interesse em analisar cuidadosamente o álbum, escrito por minha mãe em meus primeiros anos de vida, nasceu quando comecei a cursar a disciplina de Cultura Escrita e cada aluno tinha que escolher um assunto envolvendo o conteúdo para realizar o trabalho final. Após dúvidas sobre o que escrever e com a ajuda das discussões e material de aula, tomei a decisão de reler novamente o álbum que ao longo de minha vida sempre serviu de companheiro, pois havia escritos individuais de minha trajetória que embora vividos não eram lembrados.Os registros foram feitos por minha mãe Selma Garcia Pereira.Sendo eu o próprio sujeito, que passei por várias evoluções, posso dizer que consegui vivenciá-las através dos valiosos escritos.Foi através das passagens dos meus primeiros anos de vida, que pude compreender o contexto em que minha família viveu, bem como as relações de parentesco, batizado, padrinhos, primeiras palavras, entre outros fatos muito ricos para minha formação.
   Não há como desconsiderar que muitas pessoas citadas nas informações do álbum foram familiares bem próximos, mas outros sujeitos totalmente desconhecidos.
Mesmo reconhecendo o protagonismo de Selma (minha mãe), sendo ela a responsável por catalogar brilhantes dados de uma criança que vem ao mundo sem nada saber, consigo entender que outros membros da família também tiveram participação, como por exemplo, o meu pai, pois em vários momentos ele é citado. Outras pessoas, que mesmo com idade avançada, convivo até hoje. Outras apenas saudades e belos bons momentos vividos em minha infância. Também graças aos cuidados e conservação deste álbum, posso hoje escrever passagens de aconteceram em minha vida. Lembro que os meus dois irmãos também tiveram estes escritos, embora eles não tiveram  contatos, acho que os mesmos perderam-se  ao longo do tempo ou devido as várias mudanças de domicílio.A partir desta linha, importante vincular a conexão que a preservação de determinados documentos possuem,para que traçar as informações de crenças, valores e histórias, colaborando assim para os vários estudos da cultura escrita.
Os estudos da cultura escrita,vem aumentando cada vez mais em vários países,no Brasil desde o final dos anos de 1980. Alguns autores importantes vem contribuindo nestes estudos, dentre eles:Roger Chartier, Jean Hebrard e Anne-Marie Chartier, Armando Petrucci, Antonio Castilho Gómez, AntonioViñaoFrago, Ana Maria Galvão,dentre outros.
Segundo Galvão (2010, p.218):

Ao abordarmos a leitura e a escrita enquanto práticas culturais, buscamos compreender os meios de participação dos indivíduos no universo da cultura escrita,não é único ou isento de polêmicas, uma vez que a relação que os indivíduos estabelecem com as culturas do escrito, possibilita diferentes abordagens investigativas.Neste contexto, consideramos cultura escrita como “o lugar simbólico e material”-que o escrito ocupa em /para determinado grupo social, comunidade ou sociedade.

 

A sociedade em que vivemos nos dias de hoje,onde a ubiquidade dos estudos da cultura escrita nos transporta a pensá-la como uma forma de organização em que a bagagem de conhecimentose a busca de produção dos mesmos,sejam eles os valores ou os costumes que buscam realizar seus objetivos.Tendo a escrita, mostrar sua natureza metalinguística, objetiva levar a importantes ganhos.
O ato de escrever e de ler tem papel indispensável ao pensamento.Ao ter contato com a língua, bem como a escrita, os homens envolvem-se no mundo da linguagem.Com isso os indivíduos são estimulados através da escrita, a perceberem a importância do texto, tanto do seu conteúdo, bem como usá-lo como instrumento de reflexão.
Os valores bem como os comportamentos mostrados neste trabalho, sustentados e registrados por minha mãe, são ações visíveis que ao longo do tempo, foram tornando-se reais através de minhas leituras, pois as mesmas aconteceram em tempos onde um recém-nascido não consegue ter lembranças, mas que ao longo do tempo fizeram diferenças em minha vida ao serem desvendadas.
As nossas memórias encontram-se consolidadas a conjunturas que envolvem momentos marcantes, lugares e mais importante as pessoas que no meu caso, marcaram meu crescimento e influenciaram as diferentes fases da minha vida.Seria a memória apenas individual ou também poderia existir dependendo da situação diálogos com o social.
Segundo Chauí (1987, pl.30):

[...] o modo de lembrar é individual tanto quanto social:o grupo transmite, retém e reforça as lembranças, mas o recordador, ao trabalhá-la vai paulatinamente individualizando a memória comunitária, no que lembra e como lembra {...}o tempo da memória é social, não só porque é o calendário do trabalho e da festa, do evento político e do fato insólido, mas também porque repercute no modo de lembrar.

 

A HISTÓRIA DE CARMEN: O BEBÊ

Para situar um pouco dos primeiros anos de vida de nossa protagonista, seria interessante, mostrar alguns dados históricos. O ano de 1960 foi a décima sétima eleição presidencial e a décima quinta em um sufrágio direto. Podemos dizer que foi a última eleição antes do Golpe Militar de 1964, que instaurou um Regime Militar no país.O Presidente eleito foi Jânio Quadros com 5.636.623- 48,26%. Mas o Presidente governou por apenas sete meses e após a sua renúncia foi João Goulart que assumiu. Depois de situarmos o momento histórico, vamos mostrar os primeiros momentos da menina recém nascida. Antes importante ressaltar que o álbum da menina foi presenteado por sua avó materna, chamada de Noêmia, que era conhecida carinhosamente de Mimi.
Os primeiros momentos da mãe da menina com a Cultura Escrita, é mostrado com minúcias bem individualizadas, que em um primeiro contato com a leitura do álbum imaginamos os detalhes com muita profundidade, como se estivéssemos mergulhados nos fatos. Selma a mãe da menina,tinha estudado até o antigo quinto ano primário, era Dona de casa e seu marido, meu querido pai trabalhava na agricultura.Nunca deixava de ler o Correio do Povo, jornal que já existia na época,inclusive quando a menina nasceu, houve a participação de nascimento neste veículo de comunicação.
Começa contando, que o dia 7 de fevereiro de 1960,foi o dia mais importante da vida dela,  que o bebê chegou às 14 horas,depois de um parto normal e três dias de dores para ter a menina, que o médico resolveu esperar pois na época a cesariana não era muito comum.O peso da menina “ao vir ao mundo”, era de três quilos e duzentas gramas e media cinquenta centímetros.
Selma mostra em seus escritos, um bom entrosamento com a escrita, pois quando escreve a árvore genealógica da filha,as palavras são bem escritas,bem como os nomes próprios e as várias frases, não possuem palavras escritas de maneira errônea. Nota-se que a clareza do texto demonstra um envolvimento com a cultura letrada, pois o álbum como um documento escrito, realizado com manuscrito e uma letra bem legível, demonstra em nossa civilização, que todo cidadão, independente de seu grau de escolaridade,demonstra sua inserção no mundo da cultura.Em um momento de seus escritos, Selma diz “os amigos de meus pais gostam muito de mim, pois me ofereceram lindos presentes.Para que eu me lembre sempre deles, transcrevo aqui seus nomes,” assim ela enumera o nome das visitas e ao lado o presente ofertado a sua filha. Como naquela época fazia parte do contexto batizar os bebes nos primeiros anos de vida,nossa menina, foi batizada no dia 14 de fevereiro, na Igreja Nossa Senhora de Carmo /Tapes, ministrado pelo padre Wnibaldo Flak, sendo padrinhos Telmo de Oliveira Garcia (irmão da mãe) e Dulcy de Moura Saldanha (irmã do pai).
De acordo com Ong (1998, p.52):

O conhecimento exige um grande esforço e é valioso, e a sociedade tem em alta conta aqueles anciãos sábios que se especializaram em conservá-lo, que conhecem e podem contar às histórias dos tempos remotos.Pelo fato de armazenar o conhecimento fora da mente, a escrita- e mais ainda a impressão tipográfica-deprecia as figuras do sábio ancião, repetidor do passado, em favor de descobridores mais jovens de algo novo.

 

Prosseguindo as narrativas da mãe da menina quanto a sua alimentação ela diz: “Penso que a alimentação de minha filha está sendo bem administrada, pois o apetite dela é ótimo.” Seu alimento preferido tem sido até agora mingau de maisena e leite.Entretanto, como ela não é uma criança, enjoadinha,tem comido e gostado muito de novidades, como pão, bolachinhas,maçã, cremes e sorvetes.”
  Ao percebemos a história contada em um álbum, ele mostra uma forma de registro de memórias,tendo como partida as investigações nos dados que são anotados, com muito carinho e muita dedicação.O álbum tem características individualizadas, mostrando uma lógica dos fatos, no caso do material em estudo, compõe a narrativa da vida de uma menina,onde suas vivências foram conhecidas através das várias páginas do álbum.
 Importante ressaltar que quando um álbum é organizado,tem como motivação a preservação da memória,por meio das narrativas dos fatos nele contidos.Pode-se fazer a comparação de um álbum a um arquivo.Segundo Boris Kossoy ele afirma que: “Quando o homem vê a si mesmo, através dos velhos retratos nos álbuns, ele se emociona, pois percebe que o tempo passou e a noção de passado se torna de fato concreta”.
Nem todas as passagens do álbum, foram aqui mencionadas,mas os fatos mais relevantes foram aqui destacados.Tem um momento que ela fala das tendências do futuro da menina.Assim diz Selma:

Embora acho que minhas filha não tenha pretensões de vir a ser um gênio, acho que a sua personalidade está desenvolvendo de modo notável.Com referência à música, tem grandes tendências para ser acordeonista,com referências à contos infantis, gosta muito de ouvir histórias de palhaços, em relação a outras referências, diz que ela adora agarrar revistas e livros, botar embaixo do braço e dizer que vai para o colégio.

 

Na caminhada, muito interessante sobre minha vida (alguns momentos, confesso de emoção e muita imaginação, pois me sinto envolvida dentro do álbum, caminho junto com as anotações de minha mãe),chega a hora de enumerar as primeiras palavras que foram ditas, no dia treze de dezembro de mil novecentos e sessenta e um,que segundo os escritos foram compreendidos por mamãe e papai.São elas: “nenê, vovó,gato, auau, papai e titia.”
 Conforme o crescimento de uma criança, também suas mudanças, aqui existe alguns registros, que chegam a serem bastante engraçados.Foram enumerados minhas travessuras.Segundo Selma,os costumes e modos começavam a se modificar no dia a dia.Diz ela que a menina não era mais a mesma,não ficava mais quietinha sem mexer em nada.Durante os primeiros tempos de vida, teve tantas experiências que segue algumas: “[...] rasgou dois livros de histórias,quebrou dois enfeites de móveis,puxou a toalha da mesa,mexeu na gaveta de notas e rasgou algumas,rabiscou a parede do quarto,e como castigo, foram trancados a sete chaves todos os lápis que havia em casa.”
Ao fazer a leitura destas contribuições e conhecimentos de minha vida, que foi conhecida através destes escritos,nota-se que a cultura escrita diz respeito aos procedimentos, valores e instrumentos que constituem o mundo letrado.A compreensão da cultura escrita,com certeza vem de um processo de integração em um meio letrado, que faz uso da escrita.
Entre muitos dados registrados e como na vida nem tudo são fatos positivos, a menina de nossa história um dia fica doente. Mas segundo sua mãe ela explica que sempre foi carinhosa e dedicada, mas contratempos acontecem,nossa protagonista teve desidratação(precisou ficar hospitalizada),o que causou muita preocupação em toda a família pois era a primeira filha, a primeira neta, ou seja o membro mais novo da família.
A menina Carmen, fez sua primeira viagem a cidade de Santa Maria e segundo escritos, em companhia de seus pais, sendo o meio de condução o ônibus, para a casa de seus avós paternos.
Quando analisamos os estudos da cultura escrita, podemos notar as diferentes formas de autoria do discurso, que mostram conceitos,concepções e ideias do mundo.Assim passam a traduzir as representações que os sujeitos conseguem organizar em seu cotidiano.
      De acordo com Christin (2006, pp.101-102):

O contexto da escrita não se define como o que cerca e a torna possível:caneta, tabuinha ou memória central;ele é uma rede em que a escrita se prende e se estende, por sua vez, sobre onde estamos:a relação das coisas da linguagem com as coisas do mundo, instalada pela língua dentro do homem, uma relação imediata, quase sensível,que estabelece uma identidade necessária, sempre, cada dia,reapresentada – e, todavia falaciosa.O contexto da escrita é o homem na linguagem e no mundo.

 

Neste momento irão passar alguns anos na vida da menina de nossa história, alguns acontecimentos são repetitivos como aniversários, brincadeiras, travessuras, etc.Portanto, vamos dar um pulo de alguns anos e chegarmos no primeiro ano de vida escolar, que é contado nos escritos não mais pela mãe da menina e sim pela avó materna(a escola e as primeiras vivências).Toda a mudança de sujeito que escreve os acontecimentos tem uma explicação,talvez muito dolorosa para a menina,mas com certeza sem intenção de causar traumas.Convém elucidar que estes momentos foram vividos e lembrados por “Carmen”,por isso não ficaram restritos aos apontamentos do álbum.
Segundo Cunha (1997, p.2):

Quando uma pessoa relata os fatos vividos por ela mesma, percebe-se que reconstrói a trajetória percorrida dando-lhe novos significados. Assim a narrativa não é verdade literal dos fatos, mas antes representação que deles faz o sujeito e, desta forma, pode ser transformadora da própria realidade.

 

Os pais da menina, neste momento não já mais residiam na cidade de Tapes, mas sim foram para o interior de Rio Pardo residir no campo.O pai de “Carmen”, foi trabalhar em um campo do seu avô paterno, dedicando-se a pecuária e a agricultura. Como o tempo tinha passado, a menina já tinha um irmão chamado Julio. O problema iniciou quando chegou o momento da menina entrar para a escola.No local, onde os pais residiam não tinha escola.Qual foi a solução encontrada para resolver o problema? Leva-lá para estudar em sua cidade natal e residir com sua avó. Ela muito pequena com apenas sete anos, não conseguia muito bem entender as mudanças, mas foi residir com sua avó materna, pois havia a motivação de ir para a escola.A despedida dos pais foi desesperadora,lembro até o vestido que era listrado de azul e branco e as sandálias eram bege.O beijo e o abraço dos meus pais sinto até hoje a ternura, inclusive meu pai chorava muito. Os primeiros dias foram de muito choro e não comia, as refeições feitas pela minha avó, acho que era como uma forma de protesto.O primeiro semestre na primeira série,lembro que o livro era “Vera, Marcelo e Faíca”, decorei o livro e as cenas, mas não sabia ler nada além da cartilha.No meio do ano, minha avó adoeceu e voltei a residir com minha família,minha mãe terminou de me alfabetizar em casa.Retornei a escola para realizar os exames finais.A escola chamava-se Curso de Aplicação da Escola Normal Dr. José Loureiro da Silva e o da professora Vera Regina Vencato Sonemann.Aqui encerra um capítulo da vida de “Carmen”,mas que com certeza  não traz nenhuma lembrança boa pela saudade sentida da família.Entendo que tudo foi realizado pensando no melhor para minha pessoa,mas termino está parte do texto muito emocionada,pois as vivências eram reais, eu não estava mais lendo o álbum tão cheio de detalhes, estava sim, vivendo as experiências.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Os dados que foram mostrados e analisados neste trabalho, mostram questões importantes, sendo a principal delas que nos chama a atenção, o fato de um álbum de bebê, ter produzido vários escritos, especialmente de manuscritos, realizados pela mãe de uma menina chamada “Carmen”.Através da riqueza do conteúdo expresso no álbum,são mostrados relações diferenciadas entre a Cultura Escrita com os sujeitos envolvidos.Primeiramente, por mostrar o uso de matérias escritos, também por organizar através deste material a trajetória de uma criança, desde seu nascimento até o momento em que iniciou suas atividades escolares.Notamos que as passagens escritas neste álbum, cumpriram um papel importante no processo de evolução e formação desta criança,sendo a sua mãe a maior organizadora dos fatos.Várias situações,mostram os modos de inserção na cultura escrita, no caso em estudo de uma família,pois foi através dela que foram ensinados e apreendidos os primeiros contatos.No caso em estudo, houveram um conjunto de pessoas que contribuíram para a interação  da criança, bem como sua formação ao longo dos anos.A menina, gradualmente encontrou o seu lugar, desde o grupo familiar, até segundo dados do álbum o segundo grupo social, que foi a escola.
Os escritos realizados pela mãe da menina, sendo fenômenos de herança familiar, contribuíram para fazer da recém-nascida um ser que ao longo dos anos foi adquirindo pelo meio social familiar aprendizados profundos, que marcaram sua caminhada, pois através da leitura do documento podemos perceber estes ensinamentos, que até hoje estão presentes em determinados hábitos.Cabe reafirmar que a leitura do álbum fez com que a menina vivenciasse experiências através da leitura,como se ao mesmo tempo fosse sujeito do contexto e também expectador,pois em certos momentos os papéis misturavam-se,haviam encontros entre o eu social e o eu pessoal.Em muitos momentos quando escrevia este texto, era a narradora e juntamente com minha mãe a autora, principalmente no final das trajetórias aqui enunciadas.A formação e o conhecimento,contribuíram com certeza para muitas respostas futuras.Também são avaliados dados dos escritos, que são preferidos o esquecimento, mas embora muitos anos passaram-se, nem sempre foram esquecidos, principalmente a separação da família com apenas sete anos de idade e o início da vida escolar.
Conclui- se que a Cultura Escrita diz respeito aos valores, procedimentos, ações que fazem parte do mundo letrado. Em nossa sociedade, todo cidadão independente de seu grau de escolaridade e classe social, está inserido no mundo da cultura letrada.Portanto mais do que aprofundar as principais diferenças entre a Cultura Escrita e a oral, primeiramente é preciso mergulhar nas condições históricas e sociais em que os sujeitos estão inseridos, pois para diferentes situações e acontecimentos históricos são incorporadas determinadas culturas escritas, logo um conjunto de determinados resultados.

BIBLIOGRAFIA

ÁLBUM DE BEBÊ: Acervo particular da autora.
CHAUÍ, M. Os Trabalhos da memória. In: BOSI, E. Memória e Sociedade: lembranças de velhos. 2.ed. São Paulo: T.A. Queiroz, 1987.
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GALVÃO, Ana Maria de Oliveira.História das Culturas do escrito:tendências e possibilidades de pesquisa. In: MARINHO, Marildes; CARVALHO, Gilcinei, TEODORO (Orgs). Cultura escrita e letramento. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2010. p.218.
KOSSOY, Boris. Fotografias & História.5°.ed. São Paulo: Editora Ática, 2014.
ONG, W. J. Oralidade e cultura escrita: a tecnologização da palavra. Campinas: Papirus,1998. [original inglês:1882]

 

* Mestre em Filosofia e História da Educação (Fae/UFpel),Pós-Graduada em História do R.G.do Sul (UCPEL).Professora Aposentada da Rede Estadual de Ensino.Professora da Rede Privada.

Recibido: 10/09/2017 Aceptado: 18/10/2017 Publicado: Octubre de 2017

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