6. CONSIDERAÇÕES FINAIS
O crescimento econômico brasileiro foi acentuado ao longo do século passado.
Entre a era Dutra até o governo de FHC o país passou de primário-exportador para
um país industrializado e moderno. Os projetos de industrialização urbana e
rural desenvolvidos culminaram em um aumento substancial da complexidade da
economia doméstica. Foram implantadas as indústrias de base (siderúrgica,
petroquímica, mineração, cimento, papel e celulose, etc.), dando início à cadeia
de produção de diversos bens finais, como automóveis, máquinas e equipamentos,
plásticos, vestuário, eletroeletrônicos, etc.
Este processo foi acompanhado por um aumento da demanda de infra-estrutura de
transporte de bens e pessoas, telecomunicações, energia elétrica, saneamento
básico, saúde e habitação, assim como por um aumento da dívida externa e de um
processo inflacionário. Somente com a implantação da moeda Real os preços foram
estabilizados e a população agora retomava a assimilação do seu poder de compra.
Esta mesma estabilização de preços, aliada ao aumento da renda familiar real e à
disponibilidade de créditos com períodos para pagamentos mais longos ao
consumidor para a compra de eletrodomésticos, contribuiu para aumentar as vendas
destes produtos. Desta forma, entre 1995 e 2001 houve o aumento mais acentuado
de demanda de eletricidade já visto desde 1970 e, somado à falta de
investimentos no setor e a uma hidrologia bastante adversa desde 1996, provocou
a falta de abastecimento de energia elétrica e no racionamento em 2001,
acarretando uma redução permanente na curva de consumo de eletricidade.
De forma semelhante no Estado do Tocantins ocorreu este processo de aumento da
demanda residencial de eletricidade. A implantação do Plano Real trouxe a
estabilidade de preços, maior facilidade de crédito ao consumidor, aumento do
poder aquisitivo da população e, como conseqüências destes fatores, o aumento do
consumo de eletrodomésticos. A combinação destes fatores resultou em um aumento
da taxa do consumo residencial de eletricidade 44% superior ao aumento da taxa
do crescimento do número de domicílios particulares no período de 1995 a 2002. O
quadro econômico propiciou o aumento das aquisições de rádios, televisões e
geladeiras como influência da queda do índice de preço real de eletrodomésticos
e a disponibilidade de crédito ao consumidor com prazos mais longos. Este quadro
trouxe maior conforto e comodidade às famílias brasileiras. A crise de
abastecimento e o racionamento de energia elétrica em alguns períodos fizeram
com que o governo federal enfrentasse o problema com maior planejamento e
investimentos para o setor de energia. Os últimos investimentos neste setor
tinham sido realizados no II PND e vinham garantindo o crescimento econômico e
social até a década de 1990. Porém, quando houve um novo processo de
crescimento, desenvolvimento e melhoria do poder aquisitivo da população,
percebeu-se um déficit acumulado neste setor devido a quantidades insuficientes
de investimentos. Tal deficiência se deu nas áreas de transmissão e geração,
sendo que a primeira apresentou o maior déficit e urgência na sua adequação. A
partir deste momento percebeu-se que o setor precisava voltar a ter um
planejamento a longo prazo, em nível nacional, conduzido pelo Estado.