1.2 O BANCO NO ACRE
No Acre, são nove agências do banco, sendo a microrregião do Baixo Acre (compreende a capital) a melhor atendida, se não pela quantidade de agências,
pelas condições de deslocamento (infra-estrutura viária), mesmo sendo apenas duas para atender seis
cidades e a maior parte da população (56,7% do total do Estado). É nesta microrregião6 onde
está a cidade mais distante por via rodoviária da agência de atendimento (Acrelândia, 105 km),
conforme pode ser visto no Quadro nº 01.
A segunda microrregião (em quantidade de habitantes) é a regional do Alto Juruá,
onde se concentra pouco mais de 18% dos habitantes do Estado. Nesta, a situação de
infra-estrutura é crítica, pois apenas quatro municípios são servidos por rodovias (Cruzeiro do Sul e
Mâncio Lima; Feijó e Tarauacá). Com isso os pequenos produtores dependem de viagens por intermédio de
pequenas embarcações. Uma agência atende a toda a microrregião de Cruzeiro do Sul. As
demais regiões se distribuem de forma mais ou menos igual em termos de população percentual.
Cabe destacar apenas a agência na pequena Xapuri, a qual atende um contingente
de pouco mais de 2% e dista 44 km de Brasiléia. Na lógica econômica e do mercado,
não há razão para a existência de uma agência nesta cidade. O mesmo se dá para as duas
agências em Feijó e Tarauacá, e por via asfaltada. Mas essa descentralização e ampliação da área de
cobertura é desejável para o desenvolvimento regional, devido à ampliação da área de
cobertura. Há pois diferença entre as duas lógicas, como se verá mais à frente.
A distribuição das agências é similar ao apontado por Jayme Jr.; Crocco (2005),
pois estes revelaram haver no país uma forte desigualdade regional financeira, sendo
isso um reflexo de sua desigualdade econômica latu sensu. Para eles, além de haver concentração
de agências bancárias nas regiões mais desenvolvidas, existe maior participação relativa
destas regiões no volume de depósitos e créditos. O volume de renda monetária e sua distribuição
espacial e pessoal explicam a distribuição das agências bancárias no Brasil. Além disso, a
concentração financeira é maior em áreas economicamente mais fortes e que quanto maior o
dinamismo econômico e a produtividade, maior a retenção de depósitos e menor a preferência
pela liquidez (SICSÚ; CROCCO, 2003, CASTRO 2002, ambos apud ALEXANDRE et al. 2006). Alexandre
et al. (2006) concluem então que a atividade financeira se concentra em alguns
pólos e que há correlação entre desenvolvimento econômico e financeiro. Estes dados podem ser
aplicados à região do entorno da capital acreana.
Em termos de investimentos no Acre, o Banco da Amazônia7 vem priorizando os financiamentos que viabilizem o desenvolvimento em âmbito local. Nesta linha de
ação, o Encontro Estadual de Planejamento para o Desenvolvimento Regional, ocorrido no
Estado nos dias 11 e 12/08/05, apontou como prioritários para 2006 os Arranjos Produtivos
Locais (APLs) de indústria florestal integrada, piscicultura e ecoturismo. A partir destes,
foi construída uma matriz de desenvolvimento local que possibilitou a identificação, para cada um
desses APL prioritários, dos produtos potenciais para a formatação de projetos, respectivos
espaços geográficos e agentes institucionais envolvidos na estruturação e viabilização
desses APL. Mas, como se verá nas análises das linhas de crédito, não houve liberações para estes
setores.