Capítulo 1. As relações argentino-brasileiras no período anterior à Ata de
Iguaçu.
A análise da bibliografia referente às relações entre Argentina e Brasil no
período anterior a 1985, isto é data da assinatura da Declaração de Iguaçu,
demonstrou que essa história de relações é caracterizada por “antagonismos e
conflitos” (CAMARGO, 1987, p.21); por “avanços e recuos” (CANDEAS, 2005,
p.173,); “é uma história de conflito e harmonia, de guerra e de paz, de
rivalidades e disputas ideológicas, de cooperação e de integração”. (VEGAS,
1995, p.172). Assim, não se pode afirmar que Brasil e Argentina se viram ao
longo de suas histórias como inimigos de fato, mas como países rivais.
A questão da rivalidade está relacionada em um primeiro momento à herança das
disputas entre Espanha e Portugal, metrópoles de Argentina e Brasil,
respectivamente, os quais se chocaram pelo domínio de territórios e, sobretudo,
pelo domínio das águas da Bacia do Prata. Assim, a rivalidade entre Argentina e
Brasil advém de antes mesmo de suas independências e permanece ao longo do
tempo, com períodos de maior ou menor intensidade, sendo alimentada por idéias e
teorias de políticos e geopolíticos argentinos e brasileiros.
Além disso, em muitos momentos, o distanciamento entre os dois países ocorreu em
razão de suas vinculações com terceiros. A Argentina, por exemplo, sempre esteve
mais vinculada à Europa, mais especificamente à Inglaterra, enquanto que o
Brasil tradicionalmente manteve relações mais próximas aos Estados Unidos.
O estudo das bibliografias, tanto de autores brasileiros quanto argentinos,
demonstrou que existiram momentos de maior rivalidade e cooperação tendo em
vista o contexto ideológico que vivia cada um dos países. Além disso, nota-se
que algumas teorias, sobretudo as do campo da geopolítica, influenciaram a
construção de suas identidades e também a forma como cada um construiu a imagem
do outro ao longo de suas relações.