Capítulo 5. Mercosul e o déficit democrático
O estudo do processo de construção do Mercosul demonstrou que Argentina e Brasil
optaram por um modelo institucional intergovernamental para a integração
evitando uma cessão maior de suas soberanias a órgãos supranacionais.
Concomitantemente, evitou-se na medida do possível a participação social, pois
se acreditava que alguns setores da sociedade ao se sentirem prejudicados
poderiam impedir o avanço da integração. Contudo, surgiram debates em torno do
tema do “déficit democrático” que levou os países a criarem alguns espaços que
tornassem a integração mais democrática.
A Comissão Parlamentar Conjunta é criada pelo Tratado de Assunção em 1991, mas
já havia sido esquematizada pelo Tratado de Integração, Cooperação e
Desenvolvimento, em 1988 em razão das discussões acerca do caráter pouco
democrático da integração. Porém, não houve por parte dos parlamentares
argentinos e brasileiros, grande interesse pelo tema da integração, como será
discutido mais adiante.
O Tratado de Assunção também criou onze subgrupos de trabalho , que após o
período de transição – a partir de 1995 – passariam a ser dez . Atores
não-governamentais podiam participar das discussões no interior destes
sub-grupos, mas durante a fase decisória – que formularia as recomendações ao
Grupo Mercado Comum (GMC), órgão executivo do Mercosul - somente a participação
de representantes governamentais dos países membros era permitida. Ou seja, as
decisões ficavam concentradas no atores governamentais.
O Protocolo de Ouro Preto, por sua vez, assinado em 1994 e que definiu a
estrutura institucional definitiva do Mercosul, criou o Foro Consultivo
Econômico-Social com o principal objetivo de garantir a participação dos setores
econômicos e sociais. Entretanto, seu caráter meramente consultivo e a
dificuldade de seu funcionamento não permitiram que este órgão tivesse grande
sucesso no cumprimento de seus objetivos, como será analisado.