4.9 - LUCROS
O uso lucrativo do dinheiro não é exclusivo duma sociedade capitalista. A compra
de escravos era presumivelmente um emprego lucrativo, a sociedade mercantil
acumulava lucros avultados com os seus negócios, tinha os seus agiotas e
utilizava, embora de forma não preponderante, alguns indivíduos em regime de
trabalho assalariado. Os mercadores ou os comerciantes obtêm o lucro pela
diferença entre o preço de venda e o preço de compra das mercadorias, abatida
dos seus próprios custos em meios de distribuição e de remuneração dos
trabalhadores ao seu serviço. Por vezes, recolhem lucros como simples
intermediários, aproveitam as dificuldades dos pequenos produtores, tiram
vantagens da concorrência ou da diferença de preços entre os mercados. Os
comerciantes aproveitam-se da posição desfavorável dos pequenos produtores como
vendedores das suas mercadorias e como compradores de matérias-primas,
utensílios e meios de trabalho.
Porém, o lucro é uma categoria económica basicamente aplicável ao capitalismo. O
lucro constitui o meio impulsionador do processo de produção capitalista. Para a
sua realização os capitalistas desembolsam capital não só para contratar força
de trabalho mas também para adquirir meios de produção. Porém, na sua origem, o
lucro não reside na totalidade do capital empregue mas apenas na parte variável
investida, ou seja, na força de trabalho. A conversão da mais-valia em lucro
ocorre no processo de realização da mercadoria, sob a forma de diferença entre o
preço de venda e os custos de produção e distribuição. O lucro é uma forma
transfigurada de mais-valia. O objectivo do capitalista é optimizar a taxa de
lucro, definido como a relação entre o lucro realizado e o capital empregado,
calculado aos preços de mercado dos objectos e dos instrumentos de trabalho mais
os salários em dinheiro.
A taxa de lucro difere da taxa de mais-valia na medida em que estabelece uma
relação entre a mais-valia e a totalidade do capital desembolsado, expressa em
percentagem. A taxa de lucro caracteriza a eficiência da utilização do capital,
ou seja, a rentabilidade da empresa. A sua grandeza depende essencialmente da
mais-valia e da composição orgânica do capital. Com o desenvolvimento do
capitalismo cresce a participação do capital constante na composição orgânica do
capital, o que provoca uma tendência para a diminuição da taxa de lucro. Para
contrariar esta tendência, o capitalismo utiliza várias medidas: aumento da
exploração dos trabalhadores, com a diminuição dos salários reais; agravamento
da exploração dos países dependentes ou colonizados; alteração da composição dos
meios de produção, com a introdução de melhores técnicas, novas máquinas e
instalações; aumento da velocidade de rotação do capital; ampliação do volume da
produção, etc. Tais medidas reflectem-se, por vezes, no aparecimento de crises
económicas de superprodução.