Carlos Gomes
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Há que analisar a caça sob três ângulos: como fonte de produção de bens de consumo imediato e de matérias-primas, como meio de eliminar animais que punham em risco as actividades agrícolas e como divertimento.
Como actividade económica, a caça desempenhava um papel importante, quer como fonte alimentar, quer como meio de aproveitar as peles de alguns animais como matéria-prima dum importante sector artesanal. A captura dos animais estava também relacionada com a vigilância das florestas. A existência duma classe de profissionais dedicados à caça revela a importância atribuída a esta actividade. O aparecimento de novos meios de produção de carne contribuiu para a diminuição da caça.
Os membros das classes subordinadas, especialmente os agricultores, praticavam a caça para consumo próprio e para comercializar, depois de deduzida a parte que tinham de entregar como renda. Em algumas regiões, esta tributação era mais pesada para os caçadores que atacassem animais de grande porte. Numerosos concelhos cobravam ainda taxas de portagem.
Na eliminação de animais de grande porte ou mais rápidos era indispensável uma cooperação entre os caçadores, que se estendia para além dos limites familiares, envolvendo indivíduos de ambos os sexos e jovens. Na África Ocidental, a abundância de caça deu origem à criação de irmandades de caçadores.
Para sua distracção a aristocracia reservava amplas zonas para “coutadas de caça” e exigia trabalho pessoal gratuito aos seus súbditos. Em muitas regiões, a caça era um divertimento e privilégio dos mais preciosos da aristocracia, que possuíam as mais vastas e mais belas florestas. Os direitos de caça eram ciosamente protegidos, o que provocava o ressentimento da população. As leis protectoras da caça e o custo elevado dos equipamentos transformaram a caça num monopólio dos grandes proprietários. Com a expansão do urbanismo e da mecanização, alguns animais selvagens começaram a desaparecer, como a lebre e o cabrito-montês, e a caça tornou-se mais num desporto reservado às classes privilegiadas do que como meio de procura de alimentos.
Antes do aparecimento e emprego das armas de fogo, as técnicas usadas eram muito rudimentares. Limitavam-se à instalação de armadilhas ou vedações, lançamento de setas, uso de furões e de cães, laços em corrida, uso de disfarces ou de luz para encadear. As armadilhas eram um importante meio de captura de animais, como javalis e veados. Na caça de animais de grande porte eram usados o tiro ao arco e o laço. O aperfeiçoamento das técnicas de caça ocorreu com mais frequência em áreas florestais, onde a agricultura era praticamente impossível.
Em África, século XVI, a caça desempenhava um papel importante e, por vezes, era praticada também por mulheres. Alguns povos faziam da caça uma actividade quase exclusiva. A caça não era apenas uma actividade para especialistas, pois muitos camponeses dedicavam-se à caça de animais mais pequenos. Havia grupos organizados caçadores que influenciaram as deslocações migratórias e a implantação de povoados. Também se verificava uma correlação entre a caça e a guerra.
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