4.3 – BOLSAS
Começou a chamar-se bolsa a todo o lugar onde se reuniam comerciantes e homens
de negócios para efectuarem as suas transacções. Nas bolsas de mercadorias,
denominadas também bolsas de comércio, começaram a fixar-se preços e a
negociar-se matérias-primas e produtos de base, em geral, objecto de transacções
internacionais, como por exemplo: café, cacau, açúcar, algodão, cereais, metais
não ferrosos, etc. Trata-se de estabelecimentos públicos onde se reúnem
comerciantes, agentes de comércio e corretores para concertarem ou cumprirem
operações de comércio sobre bens e serviços. Determinavam cotações de troca de
mercadorias, dos transportes por terra e mar, dos fretes, dos seguros, etc. O
comércio em larga escala de mercadorias fungíveis assumiu um carácter
especulativo. A diferenciação entre feiras e bolsas surge conforme a especulação
financeira se foi impondo desvinculando-se da contratação sobre as mercadorias.
A bolsa de valores torna-se um mercado público organizado e especializado onde
se fixam preços, pela confrontação da oferta e da procura, e onde são efectuadas
as operações de compra e venda de valores mobiliários lançados pelos seus
emissores ou propostos pelos seus detentores. A primeira bolsa de valores foi
inaugurada em Antuérpia no ano de 1531. Aí se ajustaram numerosos empréstimos e
operações financeiras, negócios puramente especulativos; nasceram as primeiras
manifestações do mercado de prémios de seguros marítimos e de vida; tiveram
origem os jogos de azar como a moderna lotaria. O desenvolvimento de companhias
por acções originou o mercado de fundos e valores. Foram cotadas as primeiras
acções, em 1610, da Companhia Holandesa das Índias Orientais. Quando a Companhia
das Índias Ocidentais lançou uma grande emissão para pressionar o mercado,
desenfreou-se a especulação e nasceu o jogo de alta e da baixa, característica
da moderna técnica bolsista.
Além das acções, cotavam-se na Bolsa obrigações do Estado, provinciais ou
municipais. O recurso contínuo ao crédito por parte dos Estados, facilitou a
aplicação de capitais à possibilidade de especulação, plenamente autorizada, que
originou a criação de bolsas mundiais de crédito público.
Na Europa, durante o séc. XVI, foi instituída a primeira bolsa de capitais no
porto de Antuérpia. Em Amesterdam, existia no século XVII uma bolsa geral de
mercadorias, câmbios e valores e uma especial para os cereais, onde se fixavam
os preços desta mercadoria vital. A grandeza económica e política da Inglaterra
baseou-se precisamente na especulação bolsista, que expandiu o mercado de
capitais.