BIBLIOTECA VIRTUAL de Derecho, Economía y Ciencias Sociales


ANTECEDENTES DO CAPITALISMO

Carlos Gomes
 


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3 – ACTIVIDADES TRANSFORMADORAS

3.1 – ARTEFACTOS DE MADEIRA

Depois de adaptada pelos madeireiros, a madeira era aplicada para diversos fins, desde a construção, à produção de diversos instrumentos de trabalho ou artefactos de uso corrente. A técnica de serração de madeiras não estava muito desenvolvida. Os instrumentos usados eram o machado e a serra. A aplicação da energia hidráulica às serras só surgiu na Europa no século VI. O uso do parafuso de madeira generalizou-se com a aplicação às transmissões de força, através de uma porca ou uma cavilha directriz, em inovadoras prensas de azeite, vinho e têxteis.

Combinada com a pedra e a telha, a madeira servia para construir edifícios para abrigo das famílias e do gado, resguardo das alfaias agrícolas ou oficinas. Nos telhados das casas eram usados os troncos das árvores como vigas e a madeira preparada para servir de portas e janelas. A madeira e as esteiras juntas com o adobe funcionavam como materiais de construção.

Nos meios de transporte, a madeira era usada igualmente na construção de embarcações, naus, barcos de pesca, canoas e remos, carroças e as respectivas rodas. A madeira de cedro, abundante no Mediterrâneo Oriental, era o principal material de construção necessário às frotas comerciais e militares. A descoberta posterior de madeiras rijas tropicais gerou um grande interesse na construção naval e permitiu o estabelecimento de estaleiros na América e Índia.

Além do fabrico de mobiliário, é de referir os objectos utilitários de uso diário, recipientes, armas, armadilhas, instrumentos musicais. As cascas de madeira e raízes eram utilizadas como recipientes para cozinha e armazenamento. O junco, a crescer em quantidades ilimitadas nas margens dos rios e dos canais, foi utilizado no fabrico de embarcações mais antigas e servia também para o fabrico de cestos, esteiras e caixas. Estes artigos eram por vezes revestidos a couro para terem mais solidez. A fibra de palma deu origem a um ofício especializado de fabrico de panelas e baldes para transportar água.

O trabalho de objectos em madeira deu lugar a uma divisão profissional que ia desde os madeireiros, aos carpinteiros, marceneiros, calafates e tanoeiros.

Em alguns concelhos eram aplicadas taxas de portagem ao transporte de madeira. A madeira era objecto de importação e exportação.

No séc. XIV, o desbaste constante e os pedidos sempre crescentes da indústria e da construção naval conduziram ao desenvolvimento do comércio internacional de madeiras. Os perigos deste desbaste chegaram a ser referidos, mas a ciência da silvicultura só se desenvolveu mais tarde.


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