4.7 – VALOR DE TROCA
O elemento quantitativo representado pelo tempo de trabalho necessário à
produção, ou seja, o valor, não pode explicar o valor particularizado das trocas
em cada situação concreta. O valor não se manifesta de imediato após o acto da
produção, mas apenas no acto de troca, por intermédio dum valor de troca. O
valor da mercadoria adquire uma forma precisa, no acto de troca propriamente
dito, por intermédio da relação quantitativa que se estabelece indirectamente
através do valor de outra mercadoria. Esta relação é o valor de troca. Numerosos
factores intervêm nas permutas efectivas que alteram a proporção entre valor e
valor de troca. Porém, há uma tendência para se aproximarem estes dois valores
conforme o tempo e a amplitude das transacções.
Nas relações de troca comparam-se duas espécies de mercadorias, com valores de
troca diferentes, em que uma delas desempenha a função de equivalente. A
determinação do valor de troca exige que todas as mercadorias possam ser
expressas num equivalente geral com propriedades particulares, como sejam: fácil
divisibilidade, boa conservação e conter um valor próprio fixo ou de
determinação fácil.
O valor de troca duma mercadoria pode variar devido a três ordens de factores:
variações no valor da mercadoria que se encontra na forma relativa, mantendo-se
constante o valor da mercadoria equivalente; variações no valor da mercadoria
equivalente, mantendo-se constante o valor da outra mercadoria; variações
simultâneas no mesmo sentido ou em sentidos opostos, na mesma proporção ou em
proporções diversas.
O valor de troca corresponde ao valor individual das mercadorias produzidas num
determinado ramo de produção, segundo os meios utilizados pelo produtor, o
processo de trabalho, o nível técnico de organização da produção e a
produtividade. Isto origina que seja diferente, no tempo e no espaço, a
quantidade necessária de trabalho para laborar uma unidade de produto da mesma
qualidade, nas condições médias de produção socialmente normais.
Entre os factores que influenciam o valor de troca incluem-se: a circulação, a
fragmentação dos mercados numa série de zonas mercantis mais ou menos separadas
em consequência da fragilidade dos sistemas de conservação ou de transportes. O
valor de troca é ainda influenciado pelas diferentes condições económicas
existentes nos domínios estatais ou senhoriais, nos mercados ou nos concelhos.
As determinantes do valor de troca tendem a agir em áreas delimitadas dentro das
regiões onde predominam transacções comerciais, o que possibilita um comércio
com uma grande margem de especulação.