4.2 – REGIME E REMUNERAÇÃO DO TRABALHO
Nas sociedades senhoriais ou tribais, com o rendimento da tributação de
agricultores, pastores e artesãos, as classes dominantes pagavam em espécie aos
seus soldados e funcionários, aos artesãos e outros indivíduos que preferiam
trabalhar directamente para os governantes. A remuneração dos membros
dependentes dos palácios ou dos templos era constituída por géneros, para além
do mínimo indispensável, e outros produtos provenientes, em geral, dos tributos
recebidos pela aristocracia dominante. Alguns funcionários mais graduados eram
compensados com os rendimentos do cultivo dos campos e dos agregados a eles
adstritos. Eventualmente, a sua remuneração incluía o usufruto de lotes de
terreno, sujeito a condições reversíveis, caso o serviço deixasse de ser
prestado.
No trabalho servil era evidente a diferença entre o trabalho do servo para si
próprio e o trabalho forçado exigido pela aristocracia. Na escravatura todo o
trabalho aparecia como trabalho não pago, mesmo a parte do dia de trabalho na
qual o escravo trabalha para si próprio, ou seja, o valor dos seus reduzidos
meios de vida.
O mesmo não acontece com os assalariados. No trabalho assalariado a diferença
entre o trabalho necessário e trabalho excedente esbate-se e o trabalho não pago
apresenta-se como pago. A forma salarial aparece como se tratasse da remuneração
de todo o trabalho do assalariado. Na realidade corresponde apenas ao valor da
força de trabalho integrada no novo produto criado pelo trabalhador. Como já foi
referido, tanto nas sociedades tributárias como nas mercantis, a remuneração do
trabalho assalariado não se fazia sentir de forma substancial devido à pequena
percentagem de assalariados em relação à população total directamente empenhada
nas tarefas produtivas.
No sistema capitalista, há que distinguir o salário nominal do salário real. O
salário nominal é a soma de dinheiro que o trabalhador recebe do capitalista. O
salário real depende do nível de preços do conjunto dos bens e serviços que o
trabalhador pode comprar para si e para a sua família, com a remuneração
monetária que recebe. È ainda influenciado pela dimensão dos alugueres das
habitações, das comparticipações sociais, dos impostos, etc. No capitalismo
observa-se uma tendência constante para diminuir o nível do salário real,
através da subida dos preços dos artigos de consumo, mesmo que se mantenha o
salário nominal. Na medida em que os salários em dinheiro deixaram de acompanhar
a subida dos preços das mercadorias, os empregadores e donos de capital
enriqueciam anormalmente à custa da redução do padrão de vida da classe
trabalhadora.