8.4 – POVOS NÓMADAS E SEDENTÁRIOS
Os estudos etnográficos realizados tanto na Ásia Ocidental, como nas zonas das
estepes africanas, revelam que as civilizações de pastores nómadas e de
agricultores sedentários muitas vezes se confrontam, mas também se
interpenetram. O estilo de vida pastoril depende, em muitos aspectos da sua
existência, da aquisição de provisões a vizinhos agricultores.
Por vezes, os dois grupos fazem parte dum só sistema demográfico no interior do
qual fluxos de populações sedentárias se tornam membros de comunidades pastoris
e, por sua vez, comunidades que não podendo acumular todos os rebanhos e
manadas, necessários a uma criação de gado bem sucedida, juntam-se a
agricultores sedentários. Em muitos casos grupos pastoris instalam-se em áreas
localizadas próximas das populações rurais e urbanas.
Com frequência, as tribos pastoris conduziam conflitos, caracterizados por uma
elevada agressividade e mobilidade, como fim de se apoderarem dos bens
armazenados nas cidades. Por outro lado, a pressão económica e militar exercida
pelos estados urbanos sobre os nómadas tinha como objectivos: sujeitar as tribos
pastoris a uma imposição tributária, explorar as matérias-primas de áreas
periféricas ou reduzir as terras de pastagem em benefício de terras cultivadas.
Entre os pastores nómadas, os homens estavam em constante treino militar e eram
guerreiros durante toda a vida adulta. O seu objectivo na guerra era o de
conquistar pastagens e capturar cabeças de gado e escravos, apoderarem-se do
fruto das pilhagens. Os cavaleiros nómadas eram capazes de percorrer centenas de
quilómetros a cavalo em poucos dias. Isto permitia-lhes ameaçar outras regiões e
adoptar o método de guerra móvel, equipando guerreiros a cavalo com armas de
ferro. Estes nómadas eram muito mais que meros pastores. Aptos a organizarem-se
em bandos de conquista, podiam saquear os centros mercantis urbanos ou os
existentes nos oásis. A utilização do cavalo de sela tornou possível uma maior
rapidez no estabelecimento de contactos e a difusão de notícias abrangendo
grandes distâncias, verificando-se um progresso nas artes de guerra e das
funções militares. O estribo de ferro difundiu-se em toda a estepe. A riqueza
era avaliada pelo número de cavalos possuídos. Os nómadas a cavalo foram a base
económica e militar das invasões mongóis. A sua supremacia militar sobre os
exércitos dos povos agrícolas foi evidente até ao dia em que a invenção das
armas de fogo pôs fim à supremacia dos archeiros a cavalo e retirou-lhes toda a
espécie de importância.
O domínio sobre os povos sedentários deu lugar a que uma aristocracia nómada aí
se instalasse, aproveitasse a riqueza da terra e assimilasse a sua cultura. Esta
aristocracia perde o contacto com as tribos pobres que permanecem nas estepes.
De tempos a tempos, alguns destes povos nómadas desempenharam um papel
importante na história política de grandes civilizações. No Império Mongol, a
exploração económica das sociedades sedentárias era assegurada através da
cobrança de taxas e tributos.