BIBLIOTECA VIRTUAL de Derecho, Economía y Ciencias Sociales


ANTECEDENTES DO CAPITALISMO

Carlos Gomes
 


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8.4 – POVOS NÓMADAS E SEDENTÁRIOS

Os estudos etnográficos realizados tanto na Ásia Ocidental, como nas zonas das estepes africanas, revelam que as civilizações de pastores nómadas e de agricultores sedentários muitas vezes se confrontam, mas também se interpenetram. O estilo de vida pastoril depende, em muitos aspectos da sua existência, da aquisição de provisões a vizinhos agricultores.

Por vezes, os dois grupos fazem parte dum só sistema demográfico no interior do qual fluxos de populações sedentárias se tornam membros de comunidades pastoris e, por sua vez, comunidades que não podendo acumular todos os rebanhos e manadas, necessários a uma criação de gado bem sucedida, juntam-se a agricultores sedentários. Em muitos casos grupos pastoris instalam-se em áreas localizadas próximas das populações rurais e urbanas.

Com frequência, as tribos pastoris conduziam conflitos, caracterizados por uma elevada agressividade e mobilidade, como fim de se apoderarem dos bens armazenados nas cidades. Por outro lado, a pressão económica e militar exercida pelos estados urbanos sobre os nómadas tinha como objectivos: sujeitar as tribos pastoris a uma imposição tributária, explorar as matérias-primas de áreas periféricas ou reduzir as terras de pastagem em benefício de terras cultivadas.

Entre os pastores nómadas, os homens estavam em constante treino militar e eram guerreiros durante toda a vida adulta. O seu objectivo na guerra era o de conquistar pastagens e capturar cabeças de gado e escravos, apoderarem-se do fruto das pilhagens. Os cavaleiros nómadas eram capazes de percorrer centenas de quilómetros a cavalo em poucos dias. Isto permitia-lhes ameaçar outras regiões e adoptar o método de guerra móvel, equipando guerreiros a cavalo com armas de ferro. Estes nómadas eram muito mais que meros pastores. Aptos a organizarem-se em bandos de conquista, podiam saquear os centros mercantis urbanos ou os existentes nos oásis. A utilização do cavalo de sela tornou possível uma maior rapidez no estabelecimento de contactos e a difusão de notícias abrangendo grandes distâncias, verificando-se um progresso nas artes de guerra e das funções militares. O estribo de ferro difundiu-se em toda a estepe. A riqueza era avaliada pelo número de cavalos possuídos. Os nómadas a cavalo foram a base económica e militar das invasões mongóis. A sua supremacia militar sobre os exércitos dos povos agrícolas foi evidente até ao dia em que a invenção das armas de fogo pôs fim à supremacia dos archeiros a cavalo e retirou-lhes toda a espécie de importância.

O domínio sobre os povos sedentários deu lugar a que uma aristocracia nómada aí se instalasse, aproveitasse a riqueza da terra e assimilasse a sua cultura. Esta aristocracia perde o contacto com as tribos pobres que permanecem nas estepes. De tempos a tempos, alguns destes povos nómadas desempenharam um papel importante na história política de grandes civilizações. No Império Mongol, a exploração económica das sociedades sedentárias era assegurada através da cobrança de taxas e tributos.


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