BIBLIOTECA VIRTUAL de Derecho, Economía y Ciencias Sociales


ANTECEDENTES DO CAPITALISMO

Carlos Gomes
 


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3.2 – POPULAÇÃO

A população é o total dos habitantes do planeta ou o conjunto de pessoas que vivem habitualmente numa dada zona geográfica, numa dada época. Considera-se que a população é activa quando se encontra em condições de fornecer a sua força de trabalho ao processo económico. A população é inactiva quando não possui capacidade para integrar a esfera produtiva ou se recusa a exercer qualquer actividade por pertencer a uma classe social dominante, por razões de ordem tradicional, religiosa ou comportamentos complexos de difícil explicação.

A acção dos factores demográficos deve ser examinada em conjunto com as circunstâncias ecológicas e sócioeconómicas que influem no desenvolvimento da sociedade. Entre esses factores incluem-se o número de habitantes e a sua distribuição territorial, o crescimento e a densidade da população, o povoamento e as migrações, a estrutura e a influência recíproca entre os diferentes povos.

Segundo algumas fontes, a população mundial rondava, por volta de 500 anos a. C., os 120 milhões e atingia os 250 milhões no início da era cristã. Em 1500, este montante teria já duplicado. Os primeiros censos da população eram uma tradição antiga, mas a sua realização efectiva e periódica estava relacionada com a recolha de rendas, tributos ou cobrança de impostos e, ainda, com recrutamentos militares. Assim, eram especialmente inventariados os agregados familiares, a ocupação dos chefes de família, a propriedade da terra e do gado. Estes registos eram, por vezes efectuados por conservadores profissionais.

O aumento da população mundial ficou a dever-se principalmente ao aperfeiçoamento das técnicas agrícolas e artesanais, à disseminação da metalurgia do ferro e ao crescimento do comércio. As inovações técnicas e culturais e a urbanização conduziram a uma explosão demográfica, formando-se grandes cidades com algumas centenas de milhares de habitantes. O aumento demográfico desempenhou, por sua vez, um papel essencial na acção de pôr em prática as diferentes técnicas elaboradas, o que exigiu uma profunda especialização nos métodos de trabalho e na distribuição dos produtos.

O aumento do número de pessoas depende do grau de desenvolvimento da produção, mas nem sempre se verifica uma correlação entre o ritmo de crescimento da população e a produção dos meios de existência. Em alguns casos esse ritmo pode acelerar o desenvolvimento e noutros pode travá-lo. O crescimento e a estrutura da população, a sua constituição profissional e etária são influenciadas não só pelo modo de produção, mas também por outros factores como a cultura, as tradições dos povos, epidemias, fome, acontecimentos histórico, guerras, etc.

Razões ambientais ou outras, contribuíram para diminuir, deter a expansão ou alterar as zonas de fixação de numerosas populações. É o caso das doenças com origem em insectos que afectam tanto pessoas como o gado, aves e outros animais, as grandes epidemias como a peste, o contacto entre povos europeus e ameríndios com consequências desastrosas, as guerras com o seu rol de massacres, a fome que dizima as populações de tempos a tempos. As epidemias disseminaram-se ao longo das rotas mercantis. A crescente concentração demográfica nas cidades cria condições favoráveis ao rápido contágio.

A população excedentária não é o resultado dum crescimento da população demasiado rápido, mas antes a consequência duma determinada forma de organização social. O aumento significativo da população reflecte-se na sua disseminação pelas áreas possíveis de utilização produtiva. A existência de um excedente de população e de mão-de-obra (trabalhadores livres, mas também servos e escravos) conduziu à circulação de pessoas e bens e à fundação de colónias que se estenderam por vastas áreas.

A demografia estuda a estrutura, a dinâmica das populações humanas e, sobretudo, o processo da sua reprodução, migração e mobilidade. A pressão demográfica define-se como a relação entre a dimensão da população e a dimensão do território. A fraca densidade populacional é uma das características das zonas desérticas, geladas e das regiões montanhosas ou onde imperam as florestas tropicais. A densidade populacional tem sido sempre superior junto à costa, aos grandes rios, aos vales ou planícies de terras férteis. Nas terras de oásis, a presença da água determina os padrões de fixação dos seus habitantes. O transporte marítimo permitiu o povoamento de numerosas ilhas, até aí não habitadas, em consequência de viagens de marinheiros e mercadores. Os factores demográficos influem na actividade económica e até na evolução do modo de produção. É objecto da demografia económica e social o estudo das relações entre os fenómenos demográficos e os fenómenos económicos e sociais.

O povoamento estava relacionado com os meios de pressão praticados com o fito de manter os cultivadores e outros profissionais nas povoações dos domínios senhoriais. Quando os governantes se confrontavam com os espaços que iam ocupando pela força, urgia pôr a funcionar a actividade económica, única forma de poderem cobrar as rendas dos produtores. Em algumas regiões o povoamento serviu de apoio a viagens marítimas e ao estabelecimento de entrepostos comerciais.

No século XVII, nas sociedades mais evoluídas, começaram a surgir os primeiros estudos sobre a evolução das populações com o aparecimento das estatísticas demográficas e a elaboração de tábuas de mortalidade. Todavia, os arrolamentos eram organizados por razões fiscais e, para corresponderem a essa finalidade, eram elaborados na base de lares ou casas. Eram objecto de atenção preferencial das entidades fiscais.


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