1.4 – MODOS DE PRODUÇÃO
Os modos de produção são formados pelo conjunto das forças produtivas e pelo
conjunto das relações de produção, na sua interacção, num certo estádio de
desenvolvimento. Simultaneamente designam as condições técnicas e sociais que
constituem a estrutura dum processo historicamente determinado. Os homens ao
produzirem bens materiais criam, com isso mesmo, um regime para a sua vida. O
modo de produção é uma forma determinada da actividade vital dos indivíduos, um
determinado modo de vida.
Podem-se distinguir alguns tipos historicamente mais significativos de modos de
produção: um, destinado à satisfação directa das necessidades dos produtores; um
segundo, destinado a manter uma classe dominante através da entrega regular de
tributos e de trabalho compulsivo; outro, baseado na produção de mercadorias; e,
finalmente, um outro assente na lógica da obtenção do máximo lucro. Uma das
particularidades dos modos de produção consiste na sua transformação permanente,
sendo de salientar que o seu desenvolvimento e alteração determinam a
modificação do regime social no seu conjunto.
A evolução dos modos de produção explica-se pelo facto do desenvolvimento das
forças produtivas levar, a certa altura, a uma contradição com as relações
sociais de produção, de tal forma que estas se revelam como um obstáculo ao
pleno desenvolvimento daquelas. Estes fenómenos não existem desunidos, são
partes integrantes do processo produtivo e podem ser considerados como uma
mudança estrutural da economia.
A fase de formação dum novo modo de produção constituí um período muito agitado
e de excepcional importância na vida concreta das sociedades. Os modos de
produção existentes enfrentam cada vez maiores dificuldades em manter a
estrutura económica em que se baseiam, tentam reorganizar-se e resistir à
influência dos novos modos de produção, por vezes através de formas
perturbadoras ou até violentas. Surgem realidades diferentes com novas formas de
apropriação dos meios de produção, alteração dos modelos redistributivos ou de
relações de trabalho, mudanças na composição das classes ou grupos sociais.
Quando o novo modo de produção assume um papel preponderante numa determinada
sociedade, é acompanhado pelo declínio dos existentes, embora estes continuem a
subsistir em espaços económicos onde ainda não surgiram as condições económicas
e sociais que originaram a mudança. Os traços e as propriedades dos modos de
produção manifestam-se de maneira diferente nas várias regiões. O modo de
produção dominante assume a determinação dos processos, das relações e das
instituições fundamentais.
O reconhecimento da forma específica de cada modo de produção implica a recolha
e análise dos dados que os distinguem. Entre outros factores, é indispensável
observar: o nível de desenvolvimento das forças produtivas, com relevância para
a formação dos trabalhadores, os instrumentos e as técnicas adoptadas; o tipo de
relações existentes entre os membros da sociedade e o papel de cada classe
social no processo produtivo; a propriedade dos meios de produção e os direitos
de cada grupo social ou classe sobre esses meios; o objectivo da actividade
económica, conforme se destina a satisfazer as necessidades e interesses dos
produtores, dos mercadores ou dos não produtores, mas que se apropriam dos
excedentes; a ordem de grandeza, a forma, a utilização e a apropriação do
produto do processo de trabalho entre os membros da sociedade; a forma como está
assegurada a reprodução social.