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ANTECEDENTES DO CAPITALISMO

Carlos Gomes
 


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3.8 – MEIOS TÉCNICOS DE PRODUÇÃO

A técnica é uma materialização do conhecimento científico. O desenvolvimento e a aplicação dos conhecimentos científicos são uma fonte poderosa do progresso técnico. Por sua vez, as técnicas põem ao conhecimento, à teoria, novas questões e exigem que as mesmas sejam solucionadas. As técnicas de investigação são os meios adequados que se utilizam no processo de pesquisa, com o fim de atingir um objectivo.

A tecnologia, para a ciência económica, é o conjunto dos conhecimentos empíricos ou científicos, dos procedimentos ou dos métodos, quando aplicáveis ao processo produtivo, na melhoria ou utilização dos bens o serviços, o que só ocorre quando se encontram reunidas as condições económicas e sociais indispensáveis. Muitas invenções só revolucionaram a técnica cem ou mais anos depois das primeiras experiências. Assim aconteceu, por exemplo, com a máquina a vapor.

A análise dos efeitos dos processos materiais usados pelos homens para transformar ou multiplicar os recursos naturais e facilitar a sua exploração é uma tarefa da própria essência da economia política. As descobertas tecnológicas possibilitaram o desenvolvimento económico mas, por sua vez, a aplicação prática da própria técnica e o seu ritmo dependem em grande medida do modo de produção.

Nas sociedades pré-capitalistas as realizações técnicas situam-se quase ao mesmo nível em todas as regiões, embora em períodos diferentes: os mesmos instrumentos, as mesmas técnicas de corte e de polimento da pedra, os mesmos ardis de caça, os mesmos métodos de cultivo e de irrigação, os mesmos processos metalúrgicos, os mesmos meios de transporte, encontram-se separados por continentes e, por vezes, até por séculos ou milénios. Condições similares criam necessidades similares e suscitam invenções similares, daí resultando que uma técnica idêntica possa aparecer em dois ou mais locais diferentes. O grau das técnicas de produção resulta duma herança social que cada geração recebe das antecedentes e que transmite às seguintes.

Os próprios homens, graças ao seu esforço acumulado, vão aperfeiçoando e fazendo progredir a tecnologia da produção, de que resultam determinadas incidências sobre a estrutura económica e social nos mais diversos sectores. O surto das forças produtivas e as relações económicas estabelecidas podem fomentar ou frear o progresso tecnológico. O desenvolvimento técnico da produção imprime a longo prazo uma real importância, num sentido geral ao processo histórico no seu conjunto.

O progresso técnico tem efeitos perturbadores na vida social, agrava as diferenças de nível de desenvolvimento entre as diferentes regiões, arrasta consigo mudanças económicas e culturais. Tal progresso dá aos homens meios formidáveis de acção sobre a natureza que permitem aumentar a produção em proporções consideráveis. Isto não significa que os problemas tecnológicos da produção expliquem só por si o desenvolvimento dos processos económicos. No progresso técnico há que distinguir duas grandes vertentes: uma abrangendo o fabrico de meios de produção e outra referente ao fabrico e enriquecimento dos bens de consumo.

Os meios de difusão tecnológica variaram consideravelmente ao longo do tempo e no espaço. Transmitiram-se através dos artesãos das várias comunidades, das relações e contactos entre gentes autóctones, das migrações, através de marinheiros, do comércio e das invasões. Os povos tecnicamente mais atrasados copiaram as ideias dos povos mais avançados e tentaram aplicá-las às suas condições específicas. Invariavelmente modificavam-nas, daí resultando um produto composto e nunca uma mistura. O surto mercantil impeliu os mercadores a procurar novos artigos para comercializar, influenciando deste modo as técnicas de produção. Assim, aparece a balança, os sistemas graduados de pesos e medidas, os calendários com funções de carácter agrícola e administrativo, que permitiam determinar as datas de cobrança dos impostos e das rendas devidas pelos camponeses.

As diferentes técnicas exigiram uma especialização nos métodos de trabalho, na distribuição dos produtos e na evolução demográfica. As novas tecnologias deram lugar a intensas divisões técnicas de trabalho e à formação de grupos profissionais específicos. A divisão do trabalho cria uma relação mútua entre os diferentes tipos de produção de tal forma que as mudanças num ramo de actividade repercutem-se rapidamente em muitos outros. O avanço tecnológico cria novas profissões, faz desaparecer umas e distingue gradualmente outras.

Durante o modo de produção tributário, as técnicas mais avançadas estavam sob o controlo dos soberanos, sacerdotes e seus servos, deles dependendo directamente. As oficinas eram frequentemente agrupadas na vizinhança dos palácios, dentro dos limites das cidades, ou dos templos.

Com o modo de produção capitalista, são as empresas que assumem a direcção e o controlo da aplicação de novas técnicas, tornando-se o trabalhador num apêndice da máquina. Porém, na realidade é o homem que está presente no trabalho e, por conseguinte, na criação. A estandardização da vida e a despersonalização do indivíduo não á causada pelo progresso da técnica, mas pelo domínio dos meios de produção e das relações de exploração que se estabelecem. O desenvolvimento da técnica das forças produtivas não pode ser focalizado à margem da sua conexão com as relações de produção existentes. O progresso técnico ao contribuir para alterar os modos de produção, a redução dos custos de produção e as relações sociais, constitui um factor de agravamento da luta de classes e dos conflitos inerentes, enquanto as mudanças inevitáveis não corresponderem às exigências resultantes da aplicação dos novos meios tecnológicos.


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