BIBLIOTECA VIRTUAL de Derecho, Economía y Ciencias Sociales


ANTECEDENTES DO CAPITALISMO

Carlos Gomes
 


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4 - MEIOS DE CIRCULAÇÃO

4.1 – DISTRIBUIÇÃO

A distribuição é o conjunto de operações destinadas a colocar os meios de produção à disposição do consumo produtivo ou os artigos de consumo directo ao alcance dos indivíduos para uso próprio ou colectivo dos grupos humanos. Embora existindo como função derivada da produção, a distribuição desempenhou sempre um papel activo. A distribuição pode acelerar o crescimento da produção, mas também pode travá-lo. É, portanto, uma parte inseparável do processo de reprodução.

A distribuição é uma actividade económica que exige a execução dum trabalho, a existência de certos objectos materiais e a prestação de serviços. Algumas técnicas são específicas, desde a entrega física por várias pessoas, lugares ou organizações, até à utilização de meios de transporte e à troca directa ou mercantil, através dos circuitos comerciais.

Os pontos de aplicação da função de distribuição são os seguintes: um espacial, que consiste em transportar e difundir os produtos com o fim de os aproximar dos consumidores; um funcional, que consiste em ajustar as exigências de quantidade e qualidade às possibilidades e necessidades dos produtores e consumidores; e outro de ordem temporal, que consiste em compatibilizar as datas e os ritmos de disponibilização dos produtos com os ritmos da produção.

O carácter e a forma de distribuição são determinados pelos modos de produção, pelo regime de propriedade dos meios de produção e pelos diferentes graus de desenvolvimento técnico e organizado. A distribuição pode assumir formas naturais directas como a entrega simples de géneros ou manifestar-se através da troca, como forma de distribuição das mercadorias produzidas. O mercado constitui assim um vínculo entre produtores especializados e simultaneamente separados.

A organização dos meios rurais reflectia as circunstâncias locais que governavam a distribuição das colheitas. Nalguns casos, eram quase inteiramente auto-suficientes, limitando-se os poucos excedentes a serem objecto duma distribuição e troca local. Noutras áreas os produtos agrícolas eram encaminhados para os mercados nas cidades.

Nas sociedades caracterizadas pela existência de classes sociais dominantes, verifica-se uma distribuição desigual, tanto qualitativa como quantitativa e uma apropriação parcial dos bens e serviços produzidos. Num primeiro período de desenvolvimento do modo de produção tributário, há uma entrega coerciva, sob a forma de tributo ou renda em espécie, duma parte da produção conseguida pelas classes subordinadas.

Com a produção mercantil, a distribuição começa a assumir, dum modo predominante a forma de troca indirecta. Entre os distribuidores incluem-se os que se dedicavam ao comércio, à travessia de grandes distâncias em busca de locais para o escoamento de produtos, recolhendo os excedentes dum local e colocando-os num qualquer outro.


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