3.3 – MATÉRIAS-PRIMAS
Os recursos naturais só são considerados matérias-primas depois de já terem
sofrido uma modificação mediante um trabalho anterior. Os filões de minério, a
argila, a terra virgem, a floresta, os animais ou plantas a domesticar, são
objectos de trabalho dados pela Natureza que só adquirem a categoria de
matérias-primas após serem submetidos a alterações ou deslocações desencadeadas
pelo trabalho.
Toda a matéria-prima é objecto de trabalho, mas nem todo o objecto de trabalho é
matéria-prima. Com excepção das actividades cujo objecto de trabalho é dado pela
natureza, todos os ramos de actividade produtiva tratam de objectos que já são
matérias-primas. As matérias-primas adquirem, com a intervenção do trabalho, uma
característica activa económica.
Uma matéria-prima pode ser de consumo imediato ou entrar num processo produtivo
tornando-se matéria-prima dum novo produto. Neste caso terá de percorrer todo um
processo faseado em que figura sempre modificada e funcionando de novo como
matéria-prima até ao processo de trabalho final. Pode integrar-se durante o
processo de criação dum novo produto e perder a sua figura anterior, ou entrar
apenas como matéria auxiliar na sua formação.
Nas estruturas económicas senhoriais os recursos naturais faziam parte dos
territórios dominiais e, como tal, pertenciam aos soberanos, à nobreza, às
instituições religiosas ou aos chefes tribais. Em geral, encontravam-se sobre a
alçada senhorial as jazidas de minérios, o mesmo acontecendo, em parte, com
outras substâncias como a argila ou as madeiras das matas existentes nos seus
domínios. A sua utilização pelos produtores implicava o pagamento de tributos
sob a forma de renda ou outras modalidades. Por vezes, algumas matérias-primas
escapavam à posse dominial, sendo obtidas directamente pelos produtores ou
adquiridas através de transacções comerciais.
Com o desenvolvimento das trocas o incremento do acesso às matérias-primas
tornou-se inevitável. Para procurar e transportar a matérias-primas fixaram-se
rotas marítimas, fluviais e terrestres, sobretudo durante o modo de produção
mercantil. A aquisição de matérias-primas e o seu fornecimento à indústria
tornou-se numa ocupação específica de mercadores e comerciantes.
A introdução da máquina e o desencadear da industrialização, durante o processo
de formação do modo de produção capitalista, provocaram um aumento intenso da
procura de matérias-primas, que envolveu todos os continentes. Algumas regiões,
dominadas pelos países colonizadores da Europa Ocidental, foram por isso
coagidas a produzir algodão, lã, juta, cana-de-açúcar e outros produtos.