BIBLIOTECA VIRTUAL de Derecho, Economía y Ciencias Sociales


ANTECEDENTES DO CAPITALISMO

Carlos Gomes
 


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3.9 – LINGUAGEM ORAL E ESCRITA

Fazem parte das forças produtivas o pensamento e os meios linguísticos necessários para os exprimir e transmitir os conhecimentos de geração em geração. O pensamento é uma função do cérebro humano e está ligado com a linguagem que é a forma da sua expressão material, ao dar a conhecer a realidade imediata da ideia. Há um pensamento económico que se desenvolve no processo da actividade laboral e que reúne as opiniões, as doutrinas e as propostas, relativas à economia, que foram sendo elaboradas no decurso da história.

A actividade laboral colectiva impôs aos homens a necessidade de comunicarem entre si e de transmitirem as suas ideias, instruções, ensinamentos, sem o que teria sido impossível organizar processos laborais colectivos. No processo de trabalho surgiu a necessidade de compreensão mútua, da troca de experiências acumuladas na produção, de conhecer e cumprir uma ordem de comando, de acumular e transmitir informações de importância vital.

A linguagem, oral ou escrita, é um meio de transmitir as ideias, os conhecimentos acumulados, os hábitos práticos, a experiência de vida de uma geração para outra e promover a educação das novas gerações. A linguagem exprime-se por um conjunto de sinais que permite a comunicação, tais como: o gesto; o som dos instrumentos musicais, como o tambor ou o corno; o fogo. A linguagem oral assegura a comunicação entre as pessoas no trabalho e o contacto entre os povos. A linguagem escrita surgiu muito mais tarde como resultado da necessidade do contacto e do conhecimento entre as comunidades separadas pelo espaço e pelo tempo. As mensagens escritas caracterizam-se por poderem ser lidas por outras pessoas em diferentes lugares ou épocas.

A escrita é um invento relativamente recente: nas regiões particularmente favorecidas data de há cerca de 5000 anos. Numa primeira fase desenvolveu-se a pictografia, em que a ideia era transmitida por meio de símbolos ou representações figurativas. A expansão da escrita foi bastante lenta e em numerosos locais apareceu em épocas muito recentes, por vezes, só após a colonização. As tradições históricas foram transmitidas oralmente através dos séculos. Com o aparecimento da forma escrita fortaleceu-se a identidades dos grupos sociais, foi possível entender a evolução humana no seu todo e estabelecer relações entre os diferentes grupos sociais. Ainda hoje há muitos povos sem escrita que apenas conhecem a comunicação oral. Em algumas cidades da região andina da América do Sul, a escrita era desconhecida, mas foi inventado um outro sistema mnemónico de registo bastante complicado baseado no uso de atar nós nas cordas.

O desenvolvimento da escrita foi também um instrumento essencial para a evolução da ciência e um sintoma do aparecimento da nova estrutura económica, social e política, a cidade. A exigência da cobrança de impostos, em conjunto com outras exigências provenientes da distribuição e do comércio, forçou a evolução da escrita. A escrita deu lugar ao aparecimento do escriba ou do copista, indivíduos detentores das ferramentas e das técnicas de escrever. A sua importância tornou-se relevante pois o domínio da escrita facilitava a entrada nas esferas do poder.

O sistema alfabético constituiu uma profunda mudança que tornou a escrita acessível a grupos sociais mais abrangentes e facilitou as relações comerciais crescentes entre os povos de variadas origens étnicas e com línguas diferentes. O alfabeto implicou uma inquestionável divulgação da escrita e facilitou a expansão do comércio, da política e da cultura.

Os materiais utilizados eram abundantes e variados: onde não havia pedra, o barro e placas de argila tornavam-se um material de escrita; o papiro veio a ser substituído pelo pergaminho; o papel suplantou as tabuinhas de madeira ou de bambu, o que sem dúvida estimulou o desenvolvimento da caligrafia, da escrita alfabética e o aparecimento do formato do livro. A invenção do papel foi uma novidade criada pelos chineses no início da era cristã, que permitiu a existência dum material mais barato e prático à disposição de quem escrevia.

Devido aos laços comerciais, às migrações, às invasões e instalação de colónias, ao aparecimento e interacção de novos países, algumas línguas passaram a assumir um papel determinante como meio de fácil comunicação, quer oral, quer escrita. Esta evolução revelou-se como uma importante força unificadora que contribuiu para uma mudança e expansão das relações económicas entre os povos. Os negociantes que tinham de recorrer a contratos de compra e venda, de empréstimos em dinheiro, a doações ou até a testamentos, tinham de recorrer a tabeliães que se disponibilizavam a redigir e escrever os respectivos documentos. A escrita acompanhava assim uma realidade com origem na expansão da actividade mercantil.

A invenção da impressão com caracteres móveis originou a multiplicação de livros, estimulou a aprendizagem da leitura, o incremento da cultura e permitiu a criação do papel-moeda. Com a revolução tipográfica, o livro tornou-se numa nova mercadoria extensiva a novas paragens e a outros povos.


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