3.2 – LEIS DO MERCADO
Ao examinar as relações no mercado é imprescindível destacar a natureza
acessória e subsidiária das determinantes recíprocas do jogo da oferta e da
procura com a sua incidência sobre os preços. Quando a quantidade oferecida é
insuficiente em relação à procura, aos desejos dos consumidores, os preços têm
tendência a subir. Inversamente, se a oferta é mais elevada que a procura, o
preço baixará. Este fenómeno dá lugar a que, quando os preços estabelecidos
baixam, os produtores retenham as mercadorias não as apresentando no mercado. Se
os preços aumentam, os produtores apressam-se a vender a sua produção, daí
retirando um lucro adicional. Os preços de mercado, em determinados momentos e
lugares, diferem dos preços administrativos. Estas regras só actuam em curtos
lapsos de tempo em que os preços não podem coincidir com o valor de troca das
respectivas mercadorias, tendo em atenção os múltiplos factores que se fazem
sentir na realidade viva e imediata. As leis que influenciam a formação dos
preços são observadas ainda hoje, no dia-a-dia das transacções mercantis.
As obrigações monetárias fixas, como as decorrentes dos impostos, que têm de ser
satisfeitas, exercem uma influência indirecta na política de determinação dos
preços, pois podem forçar os produtores a vender contra a sua vontade numa
situação em que os preços tendem a decair.
No sistema mercantil, os limites relativamente estreitos da técnica produtiva
não permitiam uma ampla resposta dos vendedores ou um vantajoso estímulo
decorrente da mobilidade dos preços. A quantidade de mercadorias postas à venda
decorria também da dependência dos produtores e distribuidores perante factores
incontroláveis, tais como: as oscilações na produção agrícola ou na oferta de
mercadorias importadas, os atrasos ou estragos ocorridos no transporte sobretudo
por via marítima.
A dimensão e a composição da procura nos mercados locais eram influenciadas pela
organização da produção e da distribuição e pelas relações económicas
estabelecidas entre os diversos sectores da sociedade. No seu todo, a procura
social dependia da tendência da taxa da renda que quanto mais elevada fosse
menor seria a procura efectuada pelas classes sujeitas ao seu pagamento. Noutros
sectores da sociedade, como os diversos estratos da burguesia e das camadas que
estavam na sua dependência, a procura estava relacionada com o progresso
tecnológico susceptível de criar novas necessidades e alterar as existentes. Dum
modo geral, a procura apresentava poucos altos e baixos, devido ao facto de
predominarem no mercado bens que satisfaziam necessidades fundamentais e o
consumo dos próprios artigos de luxo se restringir à classe senhorial e à
burguesia próspera.
As imposições senhoriais e as adoptadas pelos concelhos para que os produtos se
transaccionassem exclusivamente nos mercados sob o seu domínio constituíam um
dos elementos que restringia o livre movimento da possível oferta em face da
oscilação dos preços. Estas restrições aos movimentos espontâneos dos mercados
propiciavam manobras especulativas de artigos de amplo consumo. As variações da
moeda a curto prazo, em geral no sentido da desvalorização, eram suscitadas pelo
factor preço. Só quando as variações atingiam uma grande amplitude, ocorriam
desequilíbrios que podiam desencadear movimentos ajustadores. Face a estes
elementos, é notório que as leis da oferta e da procura, embora se fizessem
sentir, desempenhavam uma função modesta.