1.2 – FORÇAS PRODUTIVAS
As forças produtivas incluem o próprio homem, na qualidade de produtor, e os
meios materiais e intelectuais de que necessita para produzir. Integram o
resultado duma actividade prática anterior de que se vale a sociedade para
exercer a sua influência sobre a natureza e a transformar. Os conhecimentos
adquiridos, a experiência e os hábitos de trabalho, permitem aos homens
movimentar os instrumentos de produção e aperfeiçoá-los, inventar máquinas,
dominar a energia e, simultaneamente, aperfeiçoar o seu saber. As forças
produtivas são o resultado da actividade prática dos seres humanos, embora
limitada pelas condições, espaciais e temporais, em que se encontram situados.
Ao aplicar as suas capacidades físicas e mentais, os conhecimentos, experiência
e hábitos adquiridos ao longo dos tempos, o homem desenvolve o seu nível
cultural e técnico. Estas características humanas materializam-se na criação ou
aperfeiçoamento de novos meios de produção. Estes, por sua vez, forçam os homens
a adaptarem-se a eles e a usá-los, a moldarem-se aos novos instrumentos e
técnicas. O pensamento é um dos elementos activos das forças produtivas ao
assumir as funções de conhecimento, de memorização de conduta e controlo do
processo de produção. Considerar que o homem é uma força produtiva não significa
rebaixá-lo ao nível duma coisa. Pelo contrário, significa reconhecer a sua
capacidade de desenvolver uma actividade que o elevou a uma posição superior em
relação ao reino animal e assegurou o domínio sobre a natureza.
O expoente do progresso das forças produtivas é a produtividade do trabalho
social. O progresso técnico, com a criação e aperfeiçoamento de instrumentos e
meios de trabalho de maior rendimento, é um factor essencial do aumento da
produtividade. Os meios de produção incluem as riquezas naturais, as matérias já
antes submetidas a algum trabalho, a energia, os instrumentos de trabalho, os
conhecimentos científicos e as técnicas utilizadas na produção, o modo como a
produção está organizada e toda a variedade de elementos necessários para
produzir os bens materiais e os serviços. O pensamento e a linguagem, enquanto
forma pela qual o pensamento se exprime socialmente, são elementos activos das
forças produtivas. Estes meios podem distinguir-se como tangíveis ou
intangíveis.
A mobilidade das forças produtivas reflecte-se intensamente nas relações
económicas e sociais que se estabelecem nas diferentes épocas e nas regiões onde
ocorrem. Por outro lado, as alterações nas relações de produção desencadeiam uma
incessante transformação das forças produtivas, em particular dos meios de
produção, que se reflecte nos diferentes ramos de actividade económica. É
impossível analisar as causas do desenvolvimento das forças produtivas à margem
das condições sociais em que se opera esse desenvolvimento, isto é,
separadamente do sistema concreto de relações de produção. Este fenómeno é
particularmente relevante nos modos de produção que se seguem ao sistema
comunitário.