BIBLIOTECA VIRTUAL de Derecho, Economía y Ciencias Sociales


ANTECEDENTES DO CAPITALISMO

Carlos Gomes
 


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5 – ACTIVIDADES COMERCIAIS

5.1 – DESENVOLVIMENTO DO COMÉRCIO

A esfera da actividade económica alargou-se graças aos produtores que ofereciam directamente à venda os artigos que fabricavam e, posteriormente, ao aumento gradual dum sector inteiramente dedicado à vida mercantil. A expansão do comércio e o crescimento do mercado deram lugar a uma economia mercantil generalizada.

A introdução dos metais e o desenvolvimento das técnicas de metalurgia tiveram consequências consideráveis no desenvolvimento do comércio. O ferreiro fabricava objectos que outros não podiam produzir, mas que eram úteis, e a troca tornava-se inevitável. A matéria-prima raramente se encontrava ao seu alcance pelo que tinha de contar com as importações e os pagamentos, fenómenos económicos novos que implicavam uma organização de larga envergadura. Há um efeito claro do progresso tecnológico sobre o desenvolvimento das relações mercantis que se reflectiu também no alargamento do comércio de importação e no incremento dos bens exportáveis.

A actividade comercial cresceu sobretudo devido à melhoria dos transportes. Uma fase importante do crescimento do comércio produziu-se quando os marinheiros europeus, dotados de navios mais modernos, de instrumentos e métodos mais aperfeiçoados, puderam atingir os grandes centros da Ásia e o acesso aos recursos quase intactos das Américas.

O progresso da actividade comercial, tanto nas trocas internas como nas transacções externas, traduziu-se numa multiplicação de relações entre todos os intérpretes da actividade económica através dos contactos estabelecidos entre os produtores e os distribuidores que tinham inevitavelmente de surgir. Uma característica que contribuiu para a expansão do comércio consistiu na difusão de redes comerciais entre os diversos países e continentes.

Na Mesopotâmia, I milénio a. C., as casas comerciais tornaram-se muito influentes tanto no comércio interno, como no externo. O comércio tornou-se o elemento vital da vida da comunidade o que obrigou o governo a supervisionar a regulamentação das actividades comerciais. O Código d’Hammourabi sujeitava a um regulamento o comércio interior e exterior.

No Império Romano, as classes dirigentes e os ricos proprietários de terras pouco se interessavam pelos negócios. A ingerência do Estado estava reduzida ao mínimo, enquanto novos mercados se desenvolviam. O conjunto dos comerciantes pertencia às classes intermédias da sociedade e eram inteiramente livres de agir à vontade. Não era praticada uma política de expansão comercial e as trocas eram sobretudo interiores. As importações estavam quase limitadas aos artigos de luxo pagos com a exportação de ouro e prata. Apesar disso, grupos de cidadãos romanos estabeleceram-se em diversas províncias do Império.

Na China, grande número de agrários entravam em contacto com o mercado e, em alguns casos, as terras passaram a ser cultivadas com um objectivo comercial. No início da era cristã, o comércio ainda era encarado com desconfiança. O estabelecimento de medidas governamentais restringiu o seu desenvolvimento. A elaboração dum “Estatuto do comércio” sujeitou à supervisão e regulamentação governamental os horários comerciais, a qualidade das mercadorias e a categoria dos preços. Foram estabelecidos armazéns estatais com o fim de estabilizar os preços das mercadorias básicas e obter lucros para o governo. Mas, no século XIV, os mercadores chineses conheciam bem, antes dos europeus, a contabilidade, os tratados, as associações comerciais, os métodos complicados para efectuar transacções a grandes distâncias e diversas práticas que facilitavam as trocas.

A actividade comercial dos muçulmanos, sobretudo a dos árabes, era talvez superior à dos chineses. A posição central do Islão, entre a África, a Ásia e a Europa desde muito tempo que qualificou os muçulmanos como intermediários naturais entre os vários países destes continentes.

Nos dois primeiros séculos da era cristã, a Europa desempenhou o papel duma importante zona de trocas comerciais. Porém, em termos relativos, os produtos comercializados eram apenas uma pequena parcela do total dos produtos produzidos, pois o consumo na origem era ainda muito elevado. A grande expansão comercial na Europa registou-se nos séculos XVI com a expansão colonial. O comércio colonial foi a base do enriquecimento e do progresso económico da época. No século seguinte, surgiram algumas inovações: registou-se uma melhoria das leis comerciais; criação de instituições representativas dos interesses comerciais (consulados e câmaras de comércio); aparecimento de empresas especializadas em ramos específicos, como o dos seguros; multiplicação de centros de crédito comercial; consolidação das empresas por acções e do princípio da responsabilidade limitada.

Na Europa, na cidade de Antuérpia, as autoridades municipais atraíram habilmente negociantes de todos os lados e de qualquer religião. Criaram-se e desenvolveram-se consulados oficiais, os grandes grupos mercantis estabeleceram os seus escritórios, armazéns e dispunham de molhes de carga e descarga. No século XVII, o porto de Amesterdam, que sucedeu ao de Antuérpia, dispunha duma total liberdade mercantil. Não tinha feiras periódicas e a contratação fazia-se na bolsa durante o ano inteiro. Adquiriu o monopólio dos produtos coloniais e transformou-se no maior mercado de metais preciosos, que então podiam circular sem entraves legais.

A actividade comercial na África Ocidental era dominada pelo desenvolvimento do comércio entre as comunidades locais e regionais e pelas relações comerciais com os países para lá do Sara. O comércio podia expandir-se com desenvoltura, através do transporte das mercadorias oriundas do norte com destino aos grandes mercados. As afamadas minas de ouro eram as principais fontes de abastecimento dos mercados mediterrâneos e europeus. Este envolvimento acabaria por conduzir a um conjunto de decisivas transformações sociais, culturais e políticas. O pequeno comércio envolvia a participação de vendedores e compradores de todo o tipo de mercadorias, controlado por uma classe específica de comerciantes. O tipo de organização mais comum consistia num modelo de base familiar. Mesmo os grandes negociantes operavam nos diferentes mercados com membros da sua própria família, servos e amigos, sob a liderança dum chefe.


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