8.7 – CORSO E PIRATARIA
O corso foi uma actividade marítima caracterizada pelo assalto aos navios de
comércio para os apresar e lhes retirar a carga. Os corsários estavam sob a
disciplina militar do seu monarca. A actividade corsária foi praticada em larga
escala em muitos países, tanto cristãos como muçulmanos. O corso ou guerra de
corso significa o ataque e apresamento dum barco, pessoas e bens levados a
efeito por um particular ou por uma entidade pública, a coberto duma ordem
jurídica ou estatal. O corso punha em causa a coexistência pacífica entre as
nações e paralisava os circuitos comerciais com pesados danos para as economias
dos países em conflito.
A palavra pirataria é aplicada quando este tipo de violência no mar é exercido a
título privado com fins de aquisição de riqueza e sem qualquer fundamento legal.
Paralelamente ao corso, eram frequentes os assaltos, de iniciativa particular,
cometidos por piratas desligados da obediência a qualquer autoridade. Os motivos
eram económicos e a pirataria tornou-se uma proposta atractiva e proveitosa, com
os principais piratas a enriquecerem e a acumularem fortunas consideráveis. A
pirataria foi um obstáculo ao desenvolvimento do comércio marítimo e a pilhagem
dificultou as trocas por via terrestre.
Com o corso e a pirataria todo o comércio exterior mergulhava no caos. De pouco
serviam, então, aos interessados os contratos de seguros de que se muniam. Os
diversos acordos e tratados entre os estados revelavam-se de escassa eficácia,
sobretudo quando era fácil à gente do corso encontrar pretexto para a agressão.
O corso assumiu-se, nos séculos XVI e XVII, cada vez mais como uma guerra naval
dirigida contra Portugal e Espanha, conduzida pelos países europeus que
pretendiam dominar os mares e ocupar novos territórios.
Os lucros obtidos no quadro duma economia de saque permitiram uma adequada
reprodução do capital, apesar dos enormes investimentos exigidos pelo armamento
das esquadras e dos riscos comportados. A longa duração do fenómeno comprova a
sua rentabilidade. Eram beneficiados os cofres dos estados protectores do corso
que, por sua vez, propiciavam o avolumar da riqueza que o capital mercantil
extraía da sua projecção ultramarina. Muitas fortunas edificaram-se sobre os
lucros do corso. Poderá admitir-se que, no processo de génese do capitalismo, a
expansão do corso tenha constituído uma forma de acumulação de capital.