BIBLIOTECA VIRTUAL de Derecho, Economía y Ciencias Sociales


ANTECEDENTES DO CAPITALISMO

Carlos Gomes
 


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8.7 – CORSO E PIRATARIA

O corso foi uma actividade marítima caracterizada pelo assalto aos navios de comércio para os apresar e lhes retirar a carga. Os corsários estavam sob a disciplina militar do seu monarca. A actividade corsária foi praticada em larga escala em muitos países, tanto cristãos como muçulmanos. O corso ou guerra de corso significa o ataque e apresamento dum barco, pessoas e bens levados a efeito por um particular ou por uma entidade pública, a coberto duma ordem jurídica ou estatal. O corso punha em causa a coexistência pacífica entre as nações e paralisava os circuitos comerciais com pesados danos para as economias dos países em conflito.

A palavra pirataria é aplicada quando este tipo de violência no mar é exercido a título privado com fins de aquisição de riqueza e sem qualquer fundamento legal. Paralelamente ao corso, eram frequentes os assaltos, de iniciativa particular, cometidos por piratas desligados da obediência a qualquer autoridade. Os motivos eram económicos e a pirataria tornou-se uma proposta atractiva e proveitosa, com os principais piratas a enriquecerem e a acumularem fortunas consideráveis. A pirataria foi um obstáculo ao desenvolvimento do comércio marítimo e a pilhagem dificultou as trocas por via terrestre.

Com o corso e a pirataria todo o comércio exterior mergulhava no caos. De pouco serviam, então, aos interessados os contratos de seguros de que se muniam. Os diversos acordos e tratados entre os estados revelavam-se de escassa eficácia, sobretudo quando era fácil à gente do corso encontrar pretexto para a agressão. O corso assumiu-se, nos séculos XVI e XVII, cada vez mais como uma guerra naval dirigida contra Portugal e Espanha, conduzida pelos países europeus que pretendiam dominar os mares e ocupar novos territórios.

Os lucros obtidos no quadro duma economia de saque permitiram uma adequada reprodução do capital, apesar dos enormes investimentos exigidos pelo armamento das esquadras e dos riscos comportados. A longa duração do fenómeno comprova a sua rentabilidade. Eram beneficiados os cofres dos estados protectores do corso que, por sua vez, propiciavam o avolumar da riqueza que o capital mercantil extraía da sua projecção ultramarina. Muitas fortunas edificaram-se sobre os lucros do corso. Poderá admitir-se que, no processo de génese do capitalismo, a expansão do corso tenha constituído uma forma de acumulação de capital.


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