Carlos Gomes
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As corporações de comerciantes procuravam regular o mercado em matéria de qualidade e preço dos artigos e celebrar acordos de partilha dos lucros obtidos. A maior parte das vezes, estas associações apenas se ocupavam dos seus membros. Nem sempre, os interesses do Estado e das corporações coincidiam. Por estas e outras razões as corporações comerciais perderam a pouco e pouco a sua importância e algumas das suas funções foram assumidas por autoridades políticas. A influência crescente do Estado sobre a economia, exercida pela vigilância dos mercados, a protecção do comércio e o apoio fornecido às empresas comerciais e industriais, foi mais responsável pelo seu declínio do que os factores puramente funcionais.
Ante a intensificação da concorrência capitalista as corporações tenderam a fechar-se e a conservar ciosamente os seus privilégios, aumentando as taxas de ingresso e agravando as condições de acesso. A pouco a pouco foram substituídas por comerciantes independentes, por sociedades, companhias ou ligas comerciais. Ao longo do século XVII converteram-se em corpos sociais petrificados.
Muitos destes agrupamentos comerciais adaptaram-se a novas condições, permitindo uma razoável liberdade aos seus membros, facilitando assim a extensão do comércio a vastas regiões e procurando aproveitar as boas ocasiões para os seus negócios. Os novos comerciantes procuravam que o Estado lhes assegurasse monopólios muito restritos e que um estatuto privilegiado os libertasse dos regulamentos governamentais que dificultavam a sua actividade. Obter a liberdade do comércio tornou-se o objectivo fundamental dos grandes comerciantes.
As associações de mercadores, denominadas hansas, eram formadas para promover os interesses comerciais dos seus membros e garantir o exclusivo do comércio marítimo duma região. Formaram-se hansas, com fins comerciais, em finais do século XIII, em numerosas cidades do Norte da Europa. Estas ligas adoptavam uma lei comum que regulamentava a sua actividade comercial, assegurava aos seus membros uma protecção militar e naval e tentava obter e salvaguardar monopólios para a região onde exercia a sua actividade. As cidades onde se formaram as ligas conservavam a sua autonomia nos negócios internos. A política externa visava proteger e melhorar a situação comercial dos seus membros. As hansas negociavam com os soberanos da região para obterem privilégios comerciais e poderem abrir estabelecimentos ou sucursais, conseguir uma melhoria dos portos e pôr fim às actividades dos corsários e piratas. Nos dois séculos seguintes as hansas dominavam o comércio do Norte da Europa e exerciam um poder político considerável. Os seus privilégios comerciais foram depois atacados por outros interesses e países, como ingleses e holandeses, e no século XVI não se dissolveram mas perderam a sua importância.
Na China, no século VIII, os mercadores agrupados em quarteirões independentes formavam corporações, dispondo duma relativa autonomia, que os governantes protegiam porque lhes facilitavam o controlo do comércio. No século XVI, diferentes sectores do comércio eram controlados por grandes corporações. Todos os negócios tinham de passar pela Corporação dos Mercadores Chineses, que estabelecia as taxas alfandegárias, os preços das mercadorias importadas e exportadas, controlando a compra e venda das mesmas. O seu sistema muitíssimo organizado protegia os seus interesses comuns e regulamentava os numerosos aspectos do comércio.
Na Índia, as corporações revelaram aspectos surpreendentes na organização e administração do comércio nos centros urbanos, ao emitiram moeda e servirem de bancos, recebendo depósitos em troca de juros. Existiam corporações de comerciantes que chegavam a dispor de caravanas e de navios, praticavam toda a espécie de comércio, por grosso ou retalho, em especial de cavalos, elefantes, pedras preciosas e drogas.
No comércio transariano na África Ocidental chegou a ser fundada uma sociedade internacional que era uma réplica das hansas europeias.
Em algumas regiões andinas, a formação de áreas de trocas a médias e longas distâncias motivou a existência de grupos ou corporações de mercadores, ligadas aos chefes étnicos, que se ocupavam fundamentalmente do comércio de alguns produtos para entrega como tributo.
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