6.3 – CONSUMO DE BENS CULTURAIS E DE LAZER
O lazer é uma forma de consumo que difere da dissipação. O lazer varia segundo
as condições económicas dos povos e as épocas históricas. Consiste numa expansão
de necessidades não primordiais, paralela à riqueza, que estabelece uma harmonia
na sua satisfação e uma graduação com limites determinados. O desejo natural de
desfrutar o lazer é um poderoso estímulo da actividade económica. Empregar os
tempos livres em satisfazer novas necessidades ou em aperfeiçoar as já
alcançadas não é mais do que seguir a via natural de melhorar o bem-estar.
O consumo de bens culturais e de lazer é um sintoma de prosperidade e de
progresso, que pode começar por ser encarada como uma coisa supérflua mas que se
transforma num útil bem-estar em que se generalizam e aumentam prazeres
legítimos. Tal acontece quando nos alimentamos com manjares que, além de
nutritivos, são agradáveis ao paladar e a outros sentidos; quando a
arquitectura, além da solidez e comodidade, apresenta formas e proporções
agradáveis; quando a pintura e a escultura produzem quadros e estátuas que nos
dão prazer contemplar; quando a poesia e a música nos proporcionam espectáculos
que nos educam e refrescam o nosso espírito, elevando-nos à concepção de grandes
e generosos ideais.
Os objectos que fazem parte destes bens, dotados de características especiais,
podem ser fungíveis, duradouros ou trocáveis. Possuem pois um valor de uso e um
valor de troca, que variam com a sua capacidade de se permutarem por qualquer
outra coisa ou comercializarem. Quanto mais vasto for o conjunto variado de
objectos susceptíveis de troca, mais extensa a sua eficácia no tempo e mais
vasto o seu espaço de aceitação, mais elevado será tanto o seu valor de uso como
de troca. Nas sociedades dominadas por classes favorecidas, o consumo destes
bens é usufruído quase exclusivamente por elites que, quanto muito, integram
classes intermédias ou grupos sociais protegidos pela aristocracia ou pela
burguesia.