7.3 – CIRCULAÇÃO DE CAPITAL
A circulação do capital é o processo do movimento ininterrupto do capital que
passa sucessivamente por três fases: transformação do capital monetário em
produtivo, deste em mercantil e, de novo, em capital monetário. Este movimento
de capital compreende a fase de produção e por duas vezes a fase de circulação.
A primeira fase começa com a antecipação duma determinada soma de dinheiro para
adquirir meios de produção e força de trabalho. A segunda fase ocorre depois do
processo de produção e está relacionada com a transformação do capital mercantil
em capital monetário. A produção e a circulação do capital estão organicamente
entrelaçadas, não podendo existir uma sem a outra. Nas fases primeira e
terceira, o capital funciona na esfera da circulação; na segunda actua na esfera
da produção. A primeira fase serve de acto preparatório para o auto-incremento
do capital; na terceira fase realiza-se o valor e a mais-valia criada na
produção. Ao passar por estas três fases da sua movimentação, o capital adopta
sucessivamente três formas: a monetária, a produtiva e a mercantil. Como o fim
imediato e insaciável da produção capitalista é obter mais-valia, este movimento
de capital não constitui um acto único, mas uma repetição ininterrupta dos
processos do ciclo do capital, efectuando-se assim uma constante rotação.
A fase decisiva do ciclo do capital é a produção, pois só esta cria mais-valia.
Parte deste ciclo decorre no mercado. O movimento do capital não constitui um
acto único, mas uma repetição ininterrupta do processo produtivo, o que dá lugar
a uma rotação repetitiva de capital que começa e termina sob a forma monetária.
O tempo de rotação do capital compõe-se do tempo de produção e do tempo de
circulação. Os espaços de tempo actuam de modo distinto, conforme o capital
desembolsado se destina a adquirir edifícios, instalações, máquinas e outros
equipamentos, cujo valor se repercute por vários períodos de produção, ou se
destina a adquirir matérias-primas e auxiliares que se incorporam no decurso dum
período de produção. Quanto mais rapidamente circula o capital, ou seja, quanto
maior é a sua velocidade de rotação menor é o capital a desembolsar para cada
rotação e maior é a taxa de lucro, se as restantes condições permanecem
inalteráveis.
O factor impulsionador da circulação do dinheiro é a circulação de capital,
expresso na fórmula D-M-D’, em que a diferença D’ e D se torna o objectivo de
qualquer produtor capitalista quando lança o seu capital em circulação. A
repetição sucessiva desta fase de movimentação do capital exige a existência dum
estoque de dinheiro a funcionar como meio de circulação e de tesouro. Não se
alterando a velocidade de circulação da moeda, este estoque aumenta na razão
directa da acumulação de capital. As exigências resultantes deste estoque de
dinheiro criam as condições para o desenvolvimento dum comércio especial - o
comércio do dinheiro – associado ao desenvolvimento das relações de crédito.