6.2 – ADMINISTRAÇÃO DA PRODUÇÃO E DO PATRIMÓNIO
As mais importantes atribuições da estrutura administrativa consistiam em
controlar a produção e o trabalho, armazenar os vários bens produzidos, gerir a
sua adequada distribuição, efectuar pagamentos. São notórias as relações entre a
administração civil e a religiosa, havendo transferências e contributos mútuos.
O desenvolvimento, a diversificação e a especialização foram os traços mais
característicos. Em geral, os soberanos vão buscar ao círculo familiar os altos
funcionários, os juizes, os sacerdotes, os chefes militares, os governadores da
província.
No Egipto, os serviços administrativos deviam organizar cuidadosamente os
trabalhos agrícolas e a produção artesanal. Estas tarefas eram fundamentais para
um rápido e eficaz controlo das estruturas económicas do país. Altos
funcionários zelavam pela construção e manutenção dos canais, sulcos e valas
para as águas, controlando o regadio, arrecadando impostos e estabelecendo os
limites das propriedades após as cheias anuais, e ainda pela redistribuição de
bens de consumo destinados ao serviço civil e aos templos. Os “escribas dos
cadastros” chefiavam as comissões de agrimensura. Era tarefa dos serviços
administrativos proceder à distribuição das corveias para a construção e
conservação dos diversos edifícios públicos, como diques, canais, caminhos ou
monumentos.
Na Mesopotâmia, III milénio a. C., nas explorações económicas pertencentes ao
Estado e aos templos, um numeroso aparelho de escribas e funcionários procedia
ao registo de todos os aspectos da administração até aos mais pequenos
pormenores. As explorações económicas dos templos exigia uma enorme quantidade
de trabalhadores, os quais perdiam os seus direitos de membros livres da
sociedade e deixavam de poder ser incorporados no exército.
No Mundo Egeu, II milénio a.C., o sistema produtivo era controlado pelo palácio
através dum sistema administrativo bem estruturado da responsabilidade dos
escribas, responsáveis pela escrituração e pelos armazéns. As colheitas e os
rebanhos, tanto reais como privados, eram mantidos sob estreita supervisão,
estando a produção dos domínios privados sujeita ao pagamento de impostos. Era
mantida uma lista actualizada dos artesãos livres e dos escravos ocupados nas
diferentes tarefas e nas várias oficinas, ainda que privadas. Às oficinas eram
fornecidas matérias-primas, sendo controladas a quantidade e a qualidade dos
produtos manufacturados. Era fiscalizado o cumprimento de normas de entrada e
saída dos armazéns. Aos pedreiros e outros artesãos eram entregues os materiais
e atribuídos os serviços a que estes materiais se destinavam. Algumas oficinas e
armazéns localizavam-se no palácio, outras ocupavam anexos situados em áreas
rurais.
Na China, nos séculos VII e VIII, eram feitos acordos particulares a fim de
apressar as transacções económicas. As pessoas começaram a redigir contratos que
passaram a ser considerados como o único registo seguro para a venda de
propriedades. A formalização dos contratos escritos tornou-se prática corrente
para a compra ou hipoteca duma terra ou de outra propriedade qualquer, para a
aquisição de bens, de escravos, de vacas ou de cavalos. Igualmente, as
sociedades comerciais e agrícolas podiam ser formalizadas e protegidas através
do uso efectivo de contratos. No século XIV, as actividades económicas eram
regulamentadas por um sistema uniforme de legislação administrativa codificada
com estatutos, regulamentos e decretos complementares.