El cooperativismo una alternativa de desarrollo a la globalización neoliberal para América Latina
CARLOS GOMES
CLASSES SOCIAIS
As formas assumidas pela divisão social do trabalho e pela propriedade dos
meios de produção deram lugar à diferenciação de grupos humanos segundo o
seu nível de intervenção e domínio na actividade produtiva, estabelecendo
as bases duma estratificação social, que originou o aparecimento de
classes sociais.
O aparecimento da divisão da
sociedade em classes acompanha os modos de produção dominantes, sendo
muito variável no espaço e no tempo. Só no final do modo comunitário de
produção alimentar, já em fase de transição e onde teve lugar, surge a
diferenciação entre camadas sociais com maior intervenção na actividade
produtiva, ainda duma forma embrionária. Manifestou-se primeiro em zonas
de maior fertilidade agrícola, próximas dos vales dos rios Iang-Tse-Kiang
e Hoang-Ho, Nilo, Tigre e Eufrates, Ganges, ou seja, há pouco mais de uma
dezena de milhares de anos.
Nem todos os grupos sociais são
classes. Como muito claramente definiu Lénine “Chama-se classes a grandes
grupos de pessoas que se diferenciam entre si pelo seu lugar num sistema
de produção social historicamente determinado, pela sua relação com os
meios de produção, pelo seu papel na organização social do trabalho e,
consequentemente, pelo modo de obtenção e pelas dimensões da parte da
riqueza social de que dispõem. As classes são grupos de pessoas, um dos
quais pode apropriar-se do trabalho do outro graças ao facto de ocupar um
lugar diferente num regime determinado de economia social”.
Estes grupos de pessoas assumem
posições antagónicas, porque os seus interesses são irreconciliáveis. As
classes que se apoderam dos excedentes, dos meios de produção e os
utilizam para se apropriarem do trabalho alheio são exploradoras e as
classes que ficam privadas de disporem desses meios são exploradas. Esta
divisão torna mais profundas as contradições entre as classes. As posições
opostas originam a luta de classes que está presente em toda a história da
humanidade, após a desagregação do sistema comunitário. Esta luta atinge
todas as esferas da vida social, desde a actividade produtiva até à
consciência social, passando a constituir uma das forças motoras mais
importantes da história.
Numa sociedade estratificada, as
classes sociais dominantes ocupam um lugar diametralmente oposto às
restantes, impõem as suas próprias instituições e ideias, detêm o poder
material e, ao mesmo tempo, o poder espiritual, dominam a estrutura
económica, social e política, constituindo o Estado a coluna vertebral da
sua estrutura. A divisão da sociedade em classes resulta de causas
económicas, que se reflectem no regime político e social e, também, na
vida espiritual.
Nem todos os grupos sociais são
classes antagónicas. Podem usar e possuir meios de produção próprios e não
explorar o trabalho alheio: camponeses, artesãos, pequenos produtores,
intelectuais e outras camadas que não ocupam um lugar de destaque no
sistema produtivo. Não existe exploração quando a propriedade dos meios de
produção e a sua utilização é colectiva ou, embora privada, pertence e é
de uso comum por um grupo humano específico e, em geral, restrito e
fechado.
O interesse da classe dominante
tornou-se um elemento impulsionador da produção, na medida em que esta
deixou de se limitar ao sustento da vida, passando a desempenhar uma
função mercantil e de acumulação de riqueza.