El cooperativismo una alternativa de desarrollo a la globalización neoliberal para América Latina

CARLOS GOMES

FORÇAS PRODUTIVAS

As forças de que se vale a sociedade para exercer a sua influência sobre a natureza e a transformar denominam-se forças produtivas e incluem como elementos básicos e fundamentais: o próprio homem, na qualidade de produtor, o objecto sobre que incide o seu trabalho, os meios de que necessita para produzir.

No processo produtivo estabelece-se uma interacção recíproca entre os elementos material e pessoal. O homem ao transformar a natureza, desenvolve as suas próprias faculdades e eleva o seu nível cultural. Com a experiência adquirida e os seus novos conhecimentos desenvolve novos meios de produção. Quando estes se materializam, alteram-se os seus hábitos e conhecimentos e consequentemente mudam as forças produtivas.

Simultaneamente , estabelece-se uma relação social entre os próprios homens quer por se tratar duma acção conjunta (na produção o homem nunca está isolado) quer por a sua actividade se destinar à realização dos seus próprios meios de vida. Esta relação influencia as formas de convivência e cooperação humana e o grau de desenvolvimento da própria sociedade.

As forças produtivas são ainda uma força adquirida, produto duma actividade prática anterior. Mas são também o elemento de maior mobilidade do modo de produção. Modificam-se continuamente na medida em que os homens aperfeiçoam sem cessar os seus meios de trabalho e usufruem da faculdade de acumular conhecimentos e transmitir experiências. O seu nível de desenvolvimento reflecte-se na quantidade e na qualidade, e até na modalidade, dos diferentes ramos de actividade económica. A progressão das forças produtivas afecta o desenvolvimento dos meios de produção, na produtividade do trabalho social e da preparação cultural e técnica do próprio homem. À medida que evoluem cresce a população e aumentam entre os povos as relações multilaterais.

Na história económica da humanidade têm-se verificado grandes mudanças nas forças produtivas e, consequentemente, nas relações de produção, que correspondem a autênticas revoluções económicas e sociais, tais como:

1. A mudança decorrente da passagem da economia recolectora para um novo modo de produção baseado no aparecimento da agricultura e da pastorícia e na criação e utilização de novos instrumentos de trabalho;

2. O aparecimento e formação de classes sociais que determinaram uma profunda alteração no comportamento e no modo de cooperação entre os indivíduos na prática produtiva e deu lugar à utilização do próprio homem como instrumento de trabalho;

3. O aparecimento duma produção não destinada à satisfação das necessidades imediatas do homem que gera os bens e assegura os serviços, mas à obtenção dum excedente destinado a manter a classe dos não produtores;

4. A criação de bens materiais tendo como finalidade a troca, ou seja, a produção de mercadorias;

5. O desenvolvimento comercial e dos transportes, o aparecimento de novas matérias-primas, fontes de energia e da moeda, que conduziu ao estabelecimento de intensas relações entre os grupos humanos e os diversos povos e a criação de centros populacionais urbanos;

6. A passagem dos instrumentos e ferramentas utilizadas no trabalho artesanal, para a maquinaria e a criação da industria, mudança que corresponde à denominada revolução industrial;

7. A produção fundamentada na obtenção prioritária do lucro, invertendo o circuito económico da produção que passa a atender em primeiro lugar o consumo, e baseada na acumulação e rotação do capital;

8. A recente revolução científico-técnica, susceptível de conduzir a uma nova base económica e social apoiada numa produção amplamente automatizada;

9. O inicio da construção duma sociedade socialista capaz de influenciar a natureza do trabalho humano, o modo de cooperação, os objectivos e os meios de produção e, consequentemente, as características dos actuais elementos básicos das forças produtivas.

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