El cooperativismo una alternativa de desarrollo a la globalización neoliberal para América Latina
CARLOS GOMES
NOMADISMO
O nomadismo na economia recolectora era motivado pela deslocação das
populações que, na procura constante de alimentos, acompanhavam as
movimentações dos próprios animais que pretendiam caçar, procuravam os
locais onde existiam frutos ou plantas a recolher ou necessitavam de se
defender das condições climáticas ou dos predadores. Este tipo de
nomadismo manteve-se entre as comunidades que persistiram no modo de
produção recolector.
Há, portanto, uma diferença básica
entre este tipo de nomadismo e o nomadismo coincidente com o início da
criação de gado. Alguns povos, eventualmente por razões de natureza
ambiental ou por ao longo dos anos se terem afastado dos agricultores,
preferiram um tipo de vida exclusivamente dedicado à criação de ovelhas,
cabras, bovinos e outros animais. A pastorícia implica uma frequente
deslocação dos animais criados em função dos recursos naturais existentes
ou para possibilitar a renovação da flora. Em consequência da sua
constante mobilidade, os nómadas não produziam, em geral, qualquer espécie
de cerâmica, que tinham de obter por troca.
Na Ásia Central e Setentrional a
população optou e continuou com o seu estilo de vida característico dos
nómadas, mudando frequentemente os seus locais de acampamento. Ampliou-se
com o avanço e a diversificação da criação de gado e tem sobrevivido até
aos nossos dias sem modificações assinaláveis. É o caso das tribos nómadas
mongóis, a viverem em regiões onde a vegetação típica das estepes
proporciona boas pastagens com condições naturais para a manutenção de
grandes rebanhos.
Na Índia uma cultura nómada de
caçadores destacou-se na domesticação e criação de animais. Grupos de
pequenas famílias ou comunidades, atravessavam os rios utilizando
jangadas, cobriam o corpo com peles de animais e usavam equipamento de
caça como o arco e a flecha com micrólitos na ponta.
No Sara uma economia de pastoreio
nómada mais desenvolvida pode ter sido também uma consequência da
desertificação crescente. Na África Oriental, fenómenos como a dessecação
dos lagos, onde eram abundantes os recursos alimentares, alterou a fixação
das populações que passaram a um regime de pastoreio nómada que permaneceu
até tempos recentes.