El cooperativismo una alternativa de desarrollo a la globalización neoliberal para América Latina
CARLOS GOMES
TRIBOS
As tribos surgem a partir das comunidades primitivas, pela junção de dois
ou mais clãs unidos por ligações exogâmicas. A reunião de vários clãs e a
formação alargada da família, após três ou quatro gerações, deu lugar a
uma nova organização social mais avançada, caracterizada por uma
determinada unidade cultural.
A sociedade tribal acompanha a
transição das comunidades de caçadores e recolectores para as comunidades
agrícolas. Com o modo de produção alimentar mantém-se na tribo a
inexistência de classes, exploração dos homens ou a divisão em governantes
e governados. Os seus membros trabalham em conjunto, continua a existir a
propriedade comunitária dos meios de produção e, em particular, da terra.
Não se altera a partilha dos bens de consumo e os bens excedentes são
conservados pela colectividade. A tribo dá vida a uma forma de propriedade
social, tribal, que envolve o território de residência, de caça, de
pastagem, de cultivo ou outras terras comuns.
Surgem regras de conduta do homem
que se assumem como usos e costumes com características tradicionais. Não
se verifica ainda a existência duma categoria especial de homens que se
destaquem para governar sistemática e permanentemente, não sendo visíveis
sinais de existência do Estado. Os membros adultos resolvem em conjunto as
questões de importância vital.
A comunidade tribal acompanhou o
processo de funcionamento e desenvolvimento do novo modo de produção. Esta
forma existiu em todos os povos na fase de transição da comunidade
primitiva ao longo de vários milénios. Permitiu o desenvolvimento da
actividade económica e contribuiu para a coesão dos seres humanos. Criaram-se
condições favoráveis à conservação e acumulação de experiências produtivas,
ao germinar da cultura e aperfeiçoamento da linguagem.
Ao ultrapassar os limites da
consanguinidade desenvolveu-se o crescimento numérico, a deslocação dos
indivíduos dum para outro lado e, consequentemente o aparecimento de
relações económicas, como a troca directa, e a ocorrência de
desenvolvimentos originários de outras comunidades.
Entretanto surgem diferenciações
entre as tribos. Umas adoptaram uma actividade produtiva localizada que
permitiu e exigiu a sedentarização. Outras preferiram a vida nómada,
vivendo essencialmente da caça e da criação de gado. Estes diferentes
rumos, resultantes de condições ambientais, exercerem uma grande
influência no estabelecimento de meios de troca, sobretudo de alimentos
vegetais e produtos de origem artesanal, como a cerâmica.
O aparecimento posterior de
federações de tribos indicia o início duma mudança na estrutura da
comunidade tribal. Aos poucos foram aparecendo unidades políticas maiores
que uniam várias aldeias sob uma autoridade comum. Trata-se, porém, duma
organização social que ainda não conhece o Estado.
A estrutura das tribos é idêntica em
todos os povos, seja entre os ameríndios, as tribos africanas, ou entre os
povos germânicos, eslavos e mongóis do passado. À estrutura dos povos
pescadores, caçadores, agricultores ou pastores, sedentários ou nómadas,
corresponde invariavelmente a estrutura tribal.