El cooperativismo una alternativa de desarrollo a la globalización neoliberal para América Latina
CARLOS GOMES
TROCA DIRECTA
Com o aparecimento do modo de produção baseado no cultivo de plantas e
criação de animais, os utensílios e os instrumentos de trabalho começaram
a ser produzidos por indivíduos mais dedicados a essa actividade. Estas
modificações tornaram inevitável uma progressiva penetração dum sistema de
troca directa no seio da própria comunidade. Numa primeira fase essa
permuta assumia naturalmente um carácter rudimentar e ocasional. A
progressiva diferenciação da produção, o aparecimento de novas técnicas e
a divisão de trabalho que se foi implantando entre os habitantes,
incrementaram a regularidade do regime destas trocas entre agricultores,
pastores e artesãos. Certas matérias-primas já só podiam ser obtidas por
troca, por vezes, no decurso de deslocações a longas distâncias.
O aparecimento duma produção
remanescente originou uma disponibilidade de bens susceptíveis de serem
objecto de permuta, incluindo produtos alimentares, especialmente animais,
peles, objectos de artesanato, como cerâmica ou tecidos, objectos
decorativos ou de prestígio. A técnica de polimento e o tratamento mais
aperfeiçoado da pedra deram lugar a um acréscimo e extensão da procura dos
materiais adequados para o fabrico de instrumentos de trabalho. A
utilização do sal no cozimento dos alimentos pode ter influenciado a
frequência de permutas a longas distâncias. Estes factores, e
eventualmente outros, como o contacto com populações piscatórias,
exerceram uma forte influência no regime de troca directa entre as
diferentes comunidades. Mesmo os grupos humanos, que mantiveram o seu
tradicional estilo de vida, permutavam regularmente os seus produtos com
as comunidades agrícolas.
Por sua vez, estas relações entre as
comunidades, originadas pela progressiva expansão das trocas directas,
tiveram presumivelmente grande importância na difusão do cultivo das
plantas e na domesticação e criação de animais.
A troca recíproca, colectiva e
individual, a troca cerimonial de ornamentos ou de produtos alimentares
persiste ainda nos nossos dias. É uma característica dos povos que, unidos
entre si por laços de parentesco, mantêm um tipo de relações regidas pelo
princípio da reciprocidade.
É essencial ficar bem claro que,
neste modo de produção, os materiais, utensílios e objectos que os
habitantes ou as comunidades trocam entre si não são produzidos com esse
fim, pelo que não podem ser classificados como mercadorias.