CARLOS GOMES
OUTRAS ACTIVIDADES PRODUTIVAS - CONSTRUÇÃO DE HABITAÇÕES
Com o novo estilo de vida os agricultores começaram a necessitar de abrigos mais estáveis não só para viver mas também para guardar os cereais e outras plantas e proteger as crias de animais. As habitações começam a ser ampliadas com compartimentos destinados a pessoas, a animais e géneros.
O sedentarismo foi acompanhado do abandono dos abrigos ocasionais em grutas e covas subterrâneas seguido dum grande desenvolvimento da construção de habitações adaptadas aos diversos climas e condições naturais. O tipo de construções e as técnicas utilizadas variam com o meio natural ambiente, dependem dos materiais disponíveis e do nível de desenvolvimento económico e social das populações.
Em climas quentes e temperados eram construídas edificações de madeira ou vime, revestidas de adobe, mais duráveis que as cabanas primitivas. Nos Andes, um conjunto de casas era construído com varas de salgueiro e acácia, com telhados feitos dos mesmos materiais, ou com canas atadas com cordas de junco. Na Europa Central, os agricultores que viviam num ambiente florestal utilizavam largamente a madeira na construção dos seus abrigos.
Entre os materiais mais acessíveis encontra-se o barro, de fácil obtenção, bom para a construção em climas secos e que tem boas condições estruturais e térmicas. Os tijolos feitos de barro eram moldados à mão e postos a secar ao sol, servindo para construir paredes, usando argamassa do mesmo material. Em regiões bem distantes, como o Norte da China e a Europa, as paredes das casas eram de taipa e os telhados de colmo ou de canas.
A pedra simples, material usado na vida corrente, serviu para a construção de habitações mesmo de pedras apenas sobrepostas, em substituição das cabanas e cavernas primitivas. Este avanço permitiu a construção em locais próximos de cultivo de plantas. A gruta natural é assim substituída por uma gruta artificial de acordo com as necessidades dos habitantes.
Surge, com frequência, o aparecimento de lareiras em redor das quais a família se reúne para comer num acto social, quase ritual. As lareiras interiores ou exteriores aos locais de abrigo representam um importante passo na actividade de construção. Eram abertas concavidades no chão onde se colocavam blocos de argila aquecidos para cozinhar. Como combustível utilizavam a madeira e os ossos dos animais abatidos. As lareiras exteriores nos acampamentos confirmam o elevado grau de cooperação entre os habitantes da comunidade.
A organização do espaço interno, começa a ser dividido em áreas distintas, sendo possível identificar áreas de talhe ou áreas com pequenas covas utilizadas como braseiro ou armazenamento. Tulhas de argila serviam para armazenar cereais e farinha.
As estruturas habitacionais não podiam abrigar mais do que um número reduzido de pessoas. Porém, em muitas sociedades sedentárias de caçadores e recolectores ou de cariz agrícola eram construídas estruturas comunitárias, bem maiores que as residências normais, onde se realizavam reuniões religiosas ou do conselho da tribo. Em muitos casos, linhagens inteiras viviam no interior da mesma estrutura, como acontecia na bacia amazónica.
Esta actividade não podia ser
realizada apenas por artesãos ou indivíduos isolados. Em geral, toda a
comunidade participava da construção.
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