CARLOS GOMES
PRODUÇÃO DE ALIMENTOS - DOMESTICAÇÃO DE PLANTAS
A domesticação de plantas não foi um acontecimento ou invenção súbita, nem
resultou da actividade específica duma sociedade com características
particulares. Foi antes a continuação lógica da apanha de frutos, sementes,
nozes, bolotas, grãos de cereais, raízes e tubérculos. Os seres humanos,
no decorrer de muitos milénios de recolha de plantas, adquiriram um amplo
e sólido conhecimento das mais úteis à sua alimentação e do seu ciclo
biológico. Estavam conscientes de que as sementes e os tubérculos e
estacas germinavam, dando origem a plantas da mesma espécie, os frutos
amadureciam ou as raízes se propagavam. Familiarizaram-se com os
diferentes vegetais, que seleccionaram, e foram conhecendo os períodos de
crescimento e maturação e as condições de reprodução.
As populações aprenderam o que precisavam de saber por forma a praticar a
reprodução vegetativa, a qual antecedeu a plantação de sementes.
Preocupavam-se em deixar as plantas desenvolverem-se por si antes de as
colherem, cavavam e regavam as plantas selvagens.
As árvores eram com frequência vigiadas e protegidas, pois constituíam importantes fontes de alimento e obtenção de óleo. Era estimulado o crescimento de árvores de fruto em redor dos acampamentos. Eventualmente, foram cuidadas e domesticadas mais cedo. Os povos já tinham conhecimento dos efeitos da energia solar. È significativa a prática do abate de árvores para que o Sol atinja as bananeiras no meio da floresta tropical.
As plantas protegidas não forneciam só alimentos, mas também narcóticos e estimulantes, fibras e corantes, juntamente com substâncias de importância medicinal e mágica. É impressionante a prática muito divulgada de desintoxicação de plantas venenosas para depois serem utilizadas como alimentos. Conheciam-se métodos de demolha, filtragem, aquecimento e outras técnicas para os tornarem sãos. Os conhecimentos botânicos alargaram-se às drogas curativas e aos venenos mortíferos.
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