El cooperativismo una alternativa de desarrollo a la globalización neoliberal para América Latina
CARLOS GOMES
CONSUMO, DISTRIDUIÇÃO E TROCA
Inicialmente o homem comeu alimentos crus ou secos ao sol. Numa fase mais
avançada a carne era comida depois de cozinhada no fogo, directamente
sobre a chama, em água aquecida com pedras abrasadas, em covas ou em
bolsas de couro. Também podia ser seca ou fumada ou guardada em cinzas A
dieta alimentar é muito à base de plantas e de caça, embora haja variantes
conforme os recursos predominantes existentes. Por exemplo, no Brasil era
frequente os habitantes sobreviverem com um dieta baseada em moluscos
terrestres e nozes de coco.
Os produtos recolhidos são
distribuídos e consumidos em comum, segundo um padrão de solidariedade e
reciprocidade. Os víveres e outros produtos eram obtidos com o trabalho de
todos os membros da comunidade e transportados para os acampamentos base
para aí ser partilhados, de acordo com as disponibilidades e as
necessidades, ou aprovisionados.
Isto não significa que os grupos
vivam fechados sobre si próprios. Encontram-se em cerimónias rituais e
festivas, no decurso dos quais se oferecem colectivamente dádivas,
independentemente do seu valor de uso, criando-se entre os doadores e os
recebedores laços de participação mística. A passagem dum objecto dum
grupo ou dum indivíduo para outro origina a celebração dum ritual, que
ainda hoje se mantem. A dádiva pode assemelhar-se a uma permuta, quando
surge uma obrigação de retribuir associada a uma exigência de equivalência.
Como a produção não tem por
finalidade a obtenção dum excedente, a forma da troca é sempre directa e
reveste-se dum carácter de excepção. A troca limita-se apenas aos
excedentes acidentais ou aos desejos de obtenção de matérias ou objectos
não produzidos pela comunidade.
A disparidade dos recursos naturais
e o surgir de novas necessidades conduz o homem comunitário a procurar
alguns materiais de que carece ou deseja junto doutros grupos humanos,
nomeadamente entre os do interior e das orlas marítimas, lacustres ou
fluviais. Estas trocas originam, por vezes, o percurso de longas
distâncias. As investigações dos historiadores assinalam a existência de
trocas que incluíam conchas marítimas, obsidiana, pedra lascada ou
objectos ornamentais.