El cooperativismo una alternativa de desarrollo a la globalización neoliberal para América Latina

CARLOS GOMES

ANÁLISE, INVESTIGAÇÃO E MÉTODO

A análise económica consiste em acompanhar as relações funcionais, ou seja as relações de causa e efeito, no domínio dos fenómenos económicos. Para tal é indispensável distinguir e separar as partes de um todo, examinando com todo o detalhe o processo pelo qual se engrenam e desencadeiam as acções e reacções, tanto no espaço como no tempo. É uma tarefa muito melindrosa e complexa, visto que os efeitos económicos podem resultar das mesmas causas ou de causas diferentes; e causas diferentes dão lugar umas vezes a efeitos idênticos e outras a efeitos distintos. Trata-se duma relação complexa de causalidade.

A análise económica pressupõe um trabalho aturado de observação e investigação baseada em elementos concretos, dados que os economistas têm de aceitar, sobre os quais não têm influência e que estão sujeitos a constantes modificações que devem ser explicáveis pela teoria económica.

A tarefa do economista fundamenta-se na recolha e observação dos elementos recolhidos, descrição e classificação dos fenómenos considerados e na ordenação de resultados cujas conclusões, consequências ou tendências, sejam sintetizadas e confirmadas pela verificação.

Para proceder à investigação é indispensável, tal como nas restantes ciências, recorrer a um método. Este consiste no recurso a um conjunto de regras constantes que se apoiam na experiência da vida ou nos conhecimentos científicos, para chegar a um determinado objectivo ou fim.

Em Economia não é possível recorrer ao método experimental, como acontece noutras ciências como a física ou a biologia. Como refere Karl Marx no Prefácio de “O Capital”, “na análise das formas económicas não podem servir nem o microscópio nem os reagentes químicos”. O processo económico desenrola-se numa escala muito vasta de acções e reacções humanas indissociáveis, ao longo do tempo e do espaço. A experimentação apenas pode servir, duma forma restrita, como instrumento de verificação.

Na impossibilidade de recorrer à experimentação, a investigação económica tem de se basear, como ponto de partida, na observação comparativa do desenvolvimento concreto do processo económico nas diversas estruturas e sistemas. O material de observação é obtido através da descrição histórica, demográfica, geográfica, sociológica, estatística ou na descrição de factos conhecidos. A observação deve abranger dados qualitativos e quantitativos.

A complexidade do processo económico, constituído por acções extremamente diversas, repetidamente realizadas, em constante movimento e interdependência, obriga a recorrer à abstracção como método indutivo de pesquisa. Este método, baseado na passagem do particular ao geral, permite isolar os elementos essenciais e específicos do processo económico, elimina o que é secundário ou fortuito, e permite destacar o que se produz e repete constantemente, distinguir os diversos elementos e relações que se interligam. Porém, a abstracção não pode ser arbitrária, tem-se de basear na observação comparativa e na sua análise.

Para isso, procede-se à criação de conceitos abstractos que exprimem propriedades gerais, comuns a elementos do processo económico que se manifestam em determinadas condições, isto é, propriedades comuns a certos actos e relações de natureza económica. Estes conceitos amplos e universais, definidos como categorias económicas, incluem o trabalho, os meios e os objectos de trabalho, as forças produtivas, as relações de produção, os meios de produção, de distribuição e de consumo, a troca, etc., para referir apenas os mais utilizados no estudo do sistema comunitário. Na análise deste sistema predominam os métodos indutivos, que permitem passar do nível empírico, baseado na observação directa e na experiência, para o conhecimento científico.

Um segundo componente a utilizar na investigação económica consiste em extrair as conclusões derivadas das premissas conhecidas, pelo método lógico dedutivo, através da concretização progressiva ou de aproximações sucessivas, isto é, aprofundar os elementos particulares do processo económico e das relações que entre eles se estabelecem. A passagem dum nível superior para um nível inferior obriga a proceder a degraus sucessivos, a acrescentar condições cada vez mais detalhadas, a avançar passo a passo do mais abstracto para o mais concreto, isto para que o confronto com a realidade seja possível.

Por fim, é indispensável proceder à verificação pela prática. Esta verificação consiste em comparar os resultados obtidos com o desenvolvimento concreto e real do processo económico nas condições de observação consideradas, isto é, saber se há ou não conformidade entre as afirmações científicas e a realidade. Esta conformidade nunca será total, mas apenas aproximada. O processo económico pode ser ou não mensurável. No primeiro caso podemos ter uma verificação estatística. Quando não é quantitativamente mensurável, a verificação apresenta-se essencialmente como descritiva ou histórica..

O método histórico consiste em analisar todas as etapas da constituição, desenvolvimento e formação dos fenómenos ou processos em estudo. Ao analisar a ordem e as causas do aparecimento dum dado sistema económico, da passagem dum modo de produção anterior para um novo modo de produção, torna-se viável explicar a especificidade e originalidade de cada situação económica e compreender com maior profundidade as leis detectadas pela análise lógica.

O recurso a métodos eficazes que permitam chegar a um conhecimento humano próximo da realidade é indispensável à Economia, como de resto a qualquer ciência. Um dos seus objectivos é facilitar a determinação das leis económicas, o seu carácter, o seu alcance histórico, a sua interferência nas diversas formações económicas e sociais. A prática é a base da força estimulante do conhecimento. É na acção prática que os homens deparam com as propriedades distintas dos objectos e dos fenómenos, muitas vezes incompreensíveis. Quando se produz um divórcio entre as teorias e os factos, são aquelas que estão erradas.
 

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