ECONOMIA SERGIPANA

Cid Olival Feitosa

O setor de serviços e a retomada das atividades industriais em Sergipe

Desde que o governo federal passou a atuar mais fortemente na economia sergipana, verificou-se o crescimento constante do setor industrial, acima das taxas de crescimento da agropecuária e dos serviços, tornando as atividades secundárias com grande alcance no dinamismo econômico do estado.
A partir da segunda metade dos anos 1980, porém, verificaram-se algumas transformações significativas na economia sergipana. Houve um forte encolhimento do setor industrial, entre 1985 e 2000, uma pequena redução na participação agropecuária, e, por conseqüência, um aumento extremamente elevado no setor de serviços. A indústria de transformação perdeu 18,1 pontos percentuais de participação no Valor Adicionado Bruto (VAB) estadual e a indústria extrativa 11, 4 pontos percentuais no VAB. No total, a perda do setor industrial no período considerado foi de 30,5 pontos percentuais no Valor Adicionado do estado. Em contrapartida, verificou-se o crescimento das atividades inerentes ao setor de serviços da ordem de 31,1 pontos percentuais, ou seja, a inflexão do setor industrial sergipano encontrou guarida no crescimento do setor de serviços (IBGE/Contas Regionais, 2006).
Assim, o setor terciário que respondia por 24% do PIB sergipano, em 1985, representava 44,9% em 1990, 54,2% em 1995 e 55,1% em 2000. Nos anos mais recentes, o setor de serviços registrou uma perda de participação, por conta, sobretudo, do incremento valor da produção da indústria extrativa mineral e dos serviços industriais de utilidade pública, caindo para 39%, em 2004.
Ao longo da década de 1990, o aumento das atividades do setor terciário foi mais intenso nas atividades de administração pública, incluindo a previdência social, atividades de intermediação financeira (atividades bancárias, seguros, crediários, etc.), atividades imobiliárias e serviços prestados às empresas, este último com crescimento em grande parte associado ao processo de terceirização das atividades do setor secundário, e as atividades da área social sob encargo do setor privado, como saúde e educação 1 (CEPLAN, 2005).
Desse modo, o aumento da participação do setor terciário na economia sergipana refletiu, de um lado, a perda de dinamismo do setor industrial, a exemplo do que ocorreu com outras unidades da federação brasileira, e de outro, as novas tendências da terceirização das atividades produtiva, tornando ainda mais complexa a classificação dos ramos inerentes a este setor.
Vale lembrar que as atividades do setor terciário concentraram-se em Aracaju e no seu entorno, não só pela concentração da estrutura fundiária do estado, como também por ser a área sergipana que apresenta maior nível de urbanização e, por conseqüência, melhores serviços especializados nos setores de educação, saúde, finanças, comunicação etc. No entanto, não se pode deixar de considerar algumas cidades do interior do estado, como Itabaiana, Estância, Boquim, Tobias Barreto, Lagarto, Nossa Senhora da Glória e Propriá, que apesar de não concentrarem serviços altamente especializados ainda figuram como importantes centros comerciais para as áreas contíguas, dinamizando algumas atividades do setor de serviços.
No período recente (2000-2004) o setor industrial apresentou sinais de recuperação, reaparecendo como principal atividade econômica de Sergipe, com aumento de participação no PIB estadual de 16,6 pontos percentuais contra a redução do setor de serviços (16,1 pontos percentuais). Deve-se assinalar, como já havíamos chamado atenção, que o crescimento do setor industrial deveu-se, quase que exclusivamente, ao aumento das atividades de eletricidade, gás e água, que contribuíram com 13,8 pontos percentuais, decorrentes das atividades da Hidrelétrica de Xingó. A indústria extrativa também apresentou desempenho satisfatório, indicando a retomada das atividades petrolíferas e de extração de outros minérios no estado. As indústrias de transformação e construção civil, por sua vez, permaneceram perdendo posição no PIB. Já o setor de serviços apresentou redução em todas as categorias, sendo mais intensa nas atividades de administração pública (menos 5,9 pontos percentuais) e atividades imobiliárias e serviços prestados às empresas (queda de 4,3 pontos percentuais).
Nessa nova fase da indústria sergipana, dos quatro segmentos do setor secundário, em dois, serviços industriais de utilidade pública (eletricidade, água e gás) e indústria extrativa mineral, a participação no total do PIB sergipano foi significativamente maior do que a observada, para essas indústrias, na média da economia brasileira. Situação oposta se apresentou para a construção civil e a indústria de transformação que, em Sergipe, tiveram uma participação menor no PIB comparado à estrutura do PIB do setor secundário na economia brasileira (CEPLAN, 2005). Assim, o peso do setor extrativo era, em 2004, 4,3 vezes maior para Sergipe do que para o Brasil. Já o setor de Serviços Industriais de Utilidade Pública era 4,2 vezes maior para Sergipe que para o Brasil (Tabela 3.18).
Observa-se, ainda, que até o ano 2000, o setor de eletricidade não se constituía uma das especializações industriais sergipanas, apresentando índices abaixo da economia brasileira. Conforme já se assinalou, esse aumento deveu-se à inclusão da subestação de Xingó na computação do PIB industrial a partir de 2001. Reafirma-se, assim, o elevado peso que o setor industrial apresenta na composição do Produto Interno Bruto sergipano, bem como a condição de dependência que o estado continua subjugado, seja da “tradicional” indústria extrativa, seja da recente indústria de serviços industriais de utilidade pública, polarizando, em grande medida, as atividades industriais sergipanas nesses dois setores.


1 No período compreendido entre 1985 e 2000, as atividades de administração pública aumentaram sua participação no VAB em 17,2 pontos percentuais; as atividades imobiliárias e serviços prestados às empresas cresceram 6 ponto percentuais; em seguida, apareceram os serviços de educação e saúde cresceram 2 pontos percentuais; por fim, os serviços de intermediação financeira, com aumento de 1,9 pontos percentuais.

Volver al índice

Enciclopedia Virtual
Tienda
Libros Recomendados


1647 - Investigaciones socioambientales, educativas y humanísticas para el medio rural
Por: Miguel Ángel Sámano Rentería y Ramón Rivera Espinosa. (Coordinadores)

Este libro es producto del trabajo desarrollado por un grupo interdisciplinario de investigadores integrantes del Instituto de Investigaciones Socioambientales, Educativas y Humanísticas para el Medio Rural (IISEHMER).
Libro gratis
Congresos

17 al 31 de enero
I Congreso Virtual Internacional sobre

Economía Social y Desarrollo Local Sostenible

15 al 28 de febrero
III Congreso Virtual Internacional sobre

Desafíos de las empresas del siglo XXI

Enlaces Rápidos

Fundación Inca Garcilaso
Enciclopedia y Biblioteca virtual sobre economía
Universidad de Málaga