POTENCIALIDADES LOCAIS, TURISMO E DESENVOLVIMENTO LOCAL CARIRI PARAIBANO

Luiz Gonzaga De Sousa

CAPÍTULO I - INTRODUÇÃO

Este trabalho pretende realizar um estudo multidisciplinar das potencialidades locais, incluindo capital social, impulsionadas pelo turismo, para fomentar estratégias para desenvolvimento local, no Cariri paraibano; daí a seguinte tese: as potencialidades econômicas e sociais, do Cariri paraibano, via estratégias turísticas, são caminhos para um desenvolvimento local.
Com respeito à formação histórica do local, verifica-se que, para a Enciclopédia dos Municípios Paraibanos (1973), a ocupação do Cariri paraibano, presume-se seu inicia no século XVII, com a chegada do alferes Custódio Alves Martins, morador da capitania de Pernambuco, que fundou um sítio de nome São João, que deu origem à cidade de São João do Cariri, que foi se desmembrando ao longo da história, ao começar a formação de novas cidades com estrutura própria de sobrevivência e progresso.
Segundo Costa (2003), o Cariri paraibano possui este nome devido à presença de índios da nação Cariri, cujo cognome advém do tupi, com a mutação do Kiri’ri, que quer dizer: “silencioso”, “deserto”, “ermo” ou pode indicar “caatinga pouco áspera”, que é o que se observa nessa grande extensão de terra, com fracos índices de densidade demográfica.
Em visita ao local, observa-se que essa microrregião comporta um clima aconchegante, cujos visitantes ficam embevecidos com a brisa que recebem; com a chuva que cai, mesmo com longas estiagens que acontecem; com água de biqueira que a população e os animais ingerem, nos momentos de sede; com o encantamento da fauna e da flora, típicas de um ambiente que desperta curiosidade e descobertas constantes; e, também, por conta de uma fotografia que deixa muita gente encantada com a beleza natural que existe, ao insinuar grande valor econômico e social.
A propósito, constatou-se que a posição geográfica, do Cariri paraibano, beneficia toda uma população e sua circunvizinhança, com distâncias onde a interação sinergésica é freqüente; com festas pomposas de finais de semana; com piqueniques nos ambientes mais encantadores que deleitam aos visitantes das diversas partes do país, sem contar com os filhos da terra que voltam para uma visita rotineira à família e aos amigos, ao fomentar a economia local.
Ao caminhar e/ou conviver no Cariri paraibano, recorda-se com muita facilidade, “Os Sertões”, de Euclides da Cunha (1903), que descreve com grande habilidade e destreza as paisagens, o modo de vida das comunidades, os hábitos e costumes, os tipos de fauna e flora; descreve-se o sertão baiano que representa com muita propriedade todo o Nordeste brasileiro, e porque não dizer, o Cariri paraibano.
Como se constatou in loco (2009), com o transcorrer da história, o nível de baixíssima renda perdura implacável, de maneira acintosa; com aumento no diferencial de renda entre os municípios, que obtiveram algum progresso, ou desenvolvimento e aquelas outras, que até pioraram em sua condição de atraso, ao expulsarem os jovens para lugares onde ofereciam melhores condições de sobrevivência.
Como detectado, o Cariri paraibano, por ter uma de baixa renda, as condições financeiras são frágeis, para que haja investimentos privados e consiga uma decolagem efetiva, que dinamizem o local, com envolvimento de todas as estratificações sociais, desde a mais baixa até a mais alta; daí, a importância do bem-estar incorporar o conjunto dos membros economicamente ativos e não-ativos, como agentes econômicos, sociais e políticos.
Ao longo dos anos, o sistema de comando político foi se organizando em todo o país e, pari passu, o estado paraibano também conseguia a sua participação no cenário nacional; o interior paraibano, no caso o Cariri não foi impulsionado para uma modernidade, que envolvesse todos os setores de produção, que viria como melhora das comunidades que habitam aquele ambiente.
Para Samuelson (1975), os recursos escassos, da sociedade, administrados de maneira eficiente, possuem a capacidade de promover o desenvolvimento econômico e social, isso com a incorporação dos recursos naturais, dos recursos monetários; dos recursos humanos; dos recursos construídos; dos recursos organizacionais; dos recursos administrativos; e, todas as outras maneiras de envolver as comunidades na condução de uma estruturação que prima por uma gestão eficaz.
O Cariri paraibano, tendo as cidades de Monteiro e Cabaceiras, como as mais influentes, tem implantado um processo de desenvolvimento local, que envolve a sociedade (DURSTON, 2003); é uma atuação da população no processo político e administrativo, para reivindicação de investimentos públicos e privados, para satisfazer a demanda, em um elo sistêmico entre os setores produtivos da economia, cujo resultado é a inclusão social, quanto à distribuição dos benefícios, devido à geração de riqueza que culmine com o bem estar para todos.
Em Buarque (1999), para conhecer o Cariri paraibano, busca-se inicialmente fazer um diagnóstico do potencial dos recursos disponíveis na localidade, ao considerar que as condições locais oferecem os elementos naturais que possuem possibilidades de serem incorporados na atividade econômica de forma turística; de tal maneira que o ambiente local possa ser transformado progressiva e participativamente a uma melhora no bem-estar coletivo.
Em visita ao local (2009), nessa microrregião, as secas têm maltratado os recursos naturais disponíveis, cuja situação de semi-aridez está aumentando a área de desertificação, por falta de uma ação mais efetiva para a reversão de tal fato; pois, a utilização dessas disponibilidades internas, incluindo o capital social local, via turismo, são fontes importantes para desenvolvimento participativo.
No Cariri paraibano, observou-se (2009), uma regular infra-estrutura em estradas e rodagens, hotéis, pousadas e residências particulares, que recebem turistas e/ou outras formas de visitantes. Ao mesmo tempo, aos empreendedores são concedidos subsídios ou incentivos para investimentos na agropecuária, na industrial de transformação e/ou agroindústria, ou de serviços, para que seja possível uma inserção econômica e social dos fatores de produção, os da natureza e os da sociedade, que atuam de forma precária na localidade.
Em visita ao local (2009), constatou-se nesta microrregião existe um campo farto para turismo, frente a inserção das potencialidades locais com inserção de capital social existente via aplicação de empowerment populacional, assim como, a incorporação de spillovers como estratégias, por conta de experiências que deram certo em outros lugares, como repercussão na melhora na qualidade de vida do povo local.
Alguns pontos turísticos importantes são visíveis, como a utilização dos recursos naturais locais, tais como a fauna e a flora existentes; as saliências geográficas (inselbergs) para passeios; ou outras formas que proporcionem instantes de lazer, ou descanso, livre de poluição; assim como: atividades de práticas esportivas diretamente ligadas à natureza, que melhoram a saúde e as condições de relacionamento entre as pessoas que trabalham por um mundo melhor.
Ao considerar que no Cariri paraibano, são poucos os programas desenvolvimentistas, com participação efetiva do Município, do Estado e da Federação, que têm atingido o seu intento; pois, os cenários mais detalhados de atuação governamental ou não-governamental (ONG), indicam os pontos prementes a serem minimizados em projetos de melhora na qualidade de vida; objetivamente, os que são direcionados para turismo.
A maneira como estão expostas as potencialidades locais, tipos: solos, rios, açudes, lagoas, montanhas, montes, fauna e flora, assim como outros elementos naturais, incluindo capital social, proporcionam condições a que se possam fomentar estratégias a uma inserção desses recursos via turismo, ao incorporar mão-de-obra desocupada, melhorar o nível de renda dos que já ocupam atividade pouco rentável, conseqüentemente, pode-se ter um desenvolvimento local.

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