SOCIALISMO: Um Projecto de Sociedade


Miguel Judas

Propósito

O presente texto visa contribuir:
- Para o entendimento do momento actual, no longo percurso de evolução das sociedades humanas;
- Para o esclarecimento do que poderá ser, na prática, o Socialismo, sobre o qual têm existido as mais variadas concepções teóricas e exercícios de aplicação;
- Para lançar pistas sobre as vias de superação da actual crise sistémica do capitalismo, a qual parece configurar o fim de um sistema e o início de uma nova era para a humanidade.

QUESTÃO PRÉVIA

Porquê "Socialismo"?

No mundo de hoje quase que não há tempo para a filosofia. Tudo assume um carácter prático e imediato. Vivemos num tempo dos post-it, das marcas, das imagens, da realidade virtual.
As técnicas publicitárias e de condicionamento encontram-se num elevado patamar de desenvolvimento. A revolução simbólica ocorrida nas últimas décadas desconstruiu os conceitos e colou em cada um deles uma "marca", uma imagem que provoca nos indivíduos reacções emotivas de adesão ou rejeição.
A atomização e "estandardização" dos cidadãos coloca, cada vez mais, problemas de identidade remetendo-os para um processo de retribalização segundo uma "marca", um "produto", que pode ser um clube desportivo ou de fãs, uma moda de vestuário, um partido político, um estilo de vida ou uma rede social na internet.
Os Conceitos, que ainda não há muitos anos estavam carregados de significado foram sendo substituídos por mensagens cada vez mais telegráficas: o grande decisor só pretende ler, no máximo, uma página A4 com um quadro de números; nos telemóveis escreve-se "lol".
Neste contexto em que a política se tornou hegemonicamente uma variedade de espectáculo e as "palavras de ordem" foram substituídas por slogans publicitários, não será de admirar que a escolha das palavras tenha de ser muito cuidadosa, tanto mais que algumas delas como socialismo, comunismo, proletariado, revolução, etc., por via da propaganda burguesa, ficaram "agarradas" a emoções negativas, a tudo o que se possa considerar ineficiência, crime ou atropelos aos "direitos humanos".
Foi por esta razão que muitos partidos políticos mudaram de nome e de linguagem, preferindo adoptar palavras mais "soft", tais como democracia avançada, mudança, cidadãos, alternativa contra-hegemónica, etc., até aos limites difusos do aceitável pelos consumidores, tais como "esquerda" e "participação" ...
Neste jogo de máscaras, as guerras imperialistas de conquista, ocupação e roubo de recursos naturais transformaram-se em operações "anti-terroristas", de "reposição da democracia" ou mesmo "humanitárias"; até o nazismo mudou de nome para "tea party"!!
Colocando-se alinhado com a tendência geral, o autor poderia ter escolhido outro nome para o território que deseja percorrer: em vez de Socialismo, que parece hoje ser um conceito pouco preciso e de carga publicitária negativa, poderia ter optado por Sociedade Alternativa ou, ainda mais atraente e precisa, por Sociedade do Viver Bem.
Contudo, o tempo histórico não se confunde com o tempo de umas gerações e, passado o período efémero e alienante dos post-it e das "marcas", a Humanidade, confrontada com sérios e urgentes problemas, será impelida a resgatar de novo os Conceitos que configuram eventuais soluções e as discussões mais ou menos filosóficas sobre os respectivos conteúdos.
O conceito de Socialismo, apesar de todas as suas ambiguidades e imprecisões ainda hoje objecto de acesa discussão entre todo o tipo de revolucionários e progressistas, e de ter sido diabolizado pela grande burguesia dominante e os seus meios de propaganda ideológica, continua a constituir o referencial ideológico fundamental dos movimentos libertadores e progressivos da actualidade.
Por essa razão, correndo embora o risco de alguns poderem supor que aqui se irá falar de algo que "falhou" e que, por isso, pertence ao passado, este texto procura evidenciar que o Socialismo diz respeito, essencialmente, ao Futuro.

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