BIBLIOTECA VIRTUAL de Derecho, Economía y Ciencias Sociales

A UTOPIA NEGATIVA: LEITURAS DE SOCIOLOGIA DA LITERATURA

Jacob J. Lumier




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Os Personagens Suportes

Nada obstante, seria temerário avançar muito rapida-mente sobre a análise do fato literário ora a ler em “L’Ére du Supçon”.

Nathalie Sarraute é uma escritora com profundo inte-resse para a sociologia da literatura como, aliás, já o de-monstrei, e é isto o que sobressai não só de sua interpre-tação de Dostoyevski, mas de suas orientações sobre a maneira de ler Kafka. Em sua abordagem personalista podem encontrar à luz de Dostoyevski que os chamados personagens kafkianos, no sentido crítico da expressão, não o são tanto assim.

Porém, como disse será preciso antes lembrar Proust e observar a trajetória da figuração composicional do ele-mento “personagem” no romance moderno como germina-da em Dostoyevski, para descobrir os traços residuais de ação dramática em Kafka. A carência contínua e quase manía-ca de contato de que nos falou Sarraute à respeito do conte-údo dramático da arte composicional em Dostoyevski teria encontrado nas maneiras dos tipos humanos aí figu-rados, “nessas interrogações passionais e nessas respostas, nessas abordagens, nesses recuos fingidos, nessas fugas e nessas prossecuções, nessas carícias e nesses apertos do-lorosos” um meio apropriado aos procedimentos aplica-dos pelo artista/autor para fazer “aflorar e se repercutir no exterior” a “imensa massa estremecedora”, a “vibra-ção dificilmente perceptível” que ele mesmo plasmou como o seu “fundo eterno” ligando seus personagens.

“Sob a pressão desse elemento tumultuoso” o “invólu-cro que o contém se adelgaçaria e se rasgaria” de tal sorte que – prosseguindo nesse esboço da trajetória do elemen-to “personagem” na história estrutural-literária do ro-mance, como união autor-personagem-leitor – um deslo-camento se verificaria no próprio “centro de gravidade do personagem” que “passaria do externo para o interno nessa trajetória moderna.

Sustenta nossa autora que os personagens de Dosto-yevski dão uma impressão irreal porque já têm tendência a tornarem-se o que os personagens de romance serão cada vez mais, isto é, não tanto tipos humanos como aqueles que a gente acredita perceber em torno do ambiente e cujo des-membramento “parecia ser o objetivo principal do romancis-ta”, mas, sim, somente “simples suportes”, os portadores de estados da subjetividade que as pessoas podem reencon-trar nelas mesmas ainda que sejam estados ou “movimen-tos” ainda inexplorados.

Será com referência a este traçado do elemento “per-sonagem” como simples suporte que Nathalie Sarraute aventa a hipótese de que o esnobismo mundano de Proust “a repercutir-se com um caráter de obsessão quase maníaca em todos os seus personagens” não seja outra coisa senão uma variedade dessa mesma carência obsessi-va de fusão verificada em Dostoyevski, só que cultivada em um solo artístico diferente, formalista e dos começos do século XX.

Na pior alternativa, nossa autora considera como ad-quirido que a obra de Proust vista com a distância entre o leitor dos anos de 1960 e os começos do século XX, mos-tra como aqueles estados ou movimentos complexos e sutis já verificados na composição da fantasia em Dosto-yevski foram captados por Proust em sua procura ansiosa através de todos os seus personagens. Mais ainda: aque-les estados da subjetividade são o que subsiste na obra proustiana de mais precioso e mais sólido, são o que se preserva mesmo se os invólucros pelos tipos humanos de Swann, Odete, Orianne de Guermantes ou os Verdurin tenham se tornado com a distância do contexto um pouco espessos demais.

Neste ponto, deve ter a acuidade em notar a aplicação e a relevância sociológica do conceito de “unanimismo” tirado ao pensamento da teoria literária que Sarraute põe em obra para esclarecer sua interpretação. Trata-se de saber como deve ser vista a trajetória da figuração do e-lemento “personagem” no romance moderno como levan-do ao deslocamento de seu centro de gravidade, com o personagem deixando de figurar tipos humanos e se tor-nando essencialmente o simples suporte ou portador dos estados de alma sutis e complexos que inclui a noção so-ciológica de fantasia. Ou seja, a trajetória do “persona-gem” não pode ser vista separadamente do “novo unani-mismo” constatado em Dostoyevski, mas está em corres-pondência com a via que exprime os estados de alma co-letivos, que exprime o sentimento coletivo.

Quando Sarraute fala do irrealismo aparente, da im-pressão irreal despertada pelos personagens de Dosto-yevski, isso releva de que já têm eles a tendência para se tornarem os simples suportes vistos em Proust. Portanto, tal assertiva deve ser reposta no quadro de referência da análise personalista, aquele constituído pela união de au-tor-personagem-leitor. No dizer de nossa ensaísta, os es-tados ou “movimentos” da composição da fantasia em Dostoyevski são aqueles sobre os quais se concentra to-da a atenção dele, a de todos os seus heróis e a do leitor. Isto porque tais estados complexos e sutis não somente estão ancorados num fundo comum, mas tendem sem cessar através dos invólucros que os separam, a se rea-grupar e a se misturar na massa comum. Além disso, mas nessa mesma trilha, o novo unanimismo detectado nesta fórmula por Sarraute está traçado na constatação de que tais estados complexos “passam de um personagem ao outro, se reencontram em todos, são refratados em cada um segundo um índice diferente e nos apresentam cada vez uma de suas inumeráveis nuances ainda desconheci-das”.


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