BIBLIOTECA VIRTUAL de Derecho, Economía y Ciencias Sociales

A UTOPIA NEGATIVA: LEITURAS DE SOCIOLOGIA DA LITERATURA

Jacob J. Lumier




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A Fantasia

Sem dúvida, ao evidenciar as contradições e inverossi-milhanças de que provêm o mal-estar na leitura de L’Étranger, a análise do fato literário desenvolvida por Nathalie Sarraute é orientada para enfocar a manifestação pela qual o herói de Camus ele próprio alcança o senti-mento de que, na sua fala monóloga, “alguma coisa há tocado (nele)” e “derrama... todo o fruto do (seu) cora-ção”.

Quer dizer, Sarraute põe em relevo em Camus, por baixo da conduta insensível e indiferente de seu perso-nagem, a ocorrência daquele elemento do chamado ro-mance psicológico designado por Proust como “o fundo extremo das nossas impressões autênticas”. E nos a-presenta as seguintes frases de Meursault: “... eu tinha o ar de ter as mãos vazias. Mas eu estava seguro de mim, seguro de tudo... seguro de minha vida e dessa morte que iria vir... eu tivera razão, eu tinha ainda razão, eu ti-nha sempre razão...”. “Que me importava a morte dos ou-tros, o amor de uma mãe, que me importavam... as vidas que a gente escolhe, os destinos que a gente elege, pos-to que um só destino devia me eleger eu mesmo e comigo os milhares de privilegiados...”. “Todo o mundo era privi-legiado... não havia que os privilegiados...”. “Os outros também se lhes condenará um dia” . É o fim do mal-estar, exclama nossa autora.

Essa libertação do herói de Camus pela tomada de consciência do reencontro em foro íntimo de seu destino é igualmente a libertação do leitor atento. Desta forma, a caracterização do tipo literário de tal personagem pode enfim ser posta em relevo, bem esclarecido o mal-entendido igualmente refutado em considerar Meursault o protótipo europeu do homem novo imaginário debulhado do elemento psicológico e apreendido por uma descrição feita unicamente do exterior que, a exemplo do herói do chamado jovem romance americano personificado em Steinbeck esperava-se nele visualizar – como houvera desejado Maurice Blanchot.

O personagem Meursault, “um jovem empregado tão simples e tão rude” revela uma atitude que, embora pu-desse lembrar em certos momentos “o negativismo cabe-çudo de uma criança enfadada”, significava uma tomada de partido resoluta e altiva, “uma recusa desesperada e lúcida”, “um exemplo e talvez uma lição”. Comparável aos verdadeiros intelectuais, Sarraute arrola os traços que o caracterizam, seguintes: (a) – o cultivo da sensação pura, exercido com frénésie voluntária; (b) – um egoísmo muito consciente, que se afirma como fruto de certa experiência trágica que ele reportou em virtude de (c) – sua sensibili-dade excepcional; (d) – um sentimento agudo e constante do nada.

Desta forma, nossa autora conclui esta análise do fato literário afirmando a proximidade do “L’Étranger”, de Al-bert Camus, ao “L’immoraliste”, de André Gide.

A fantasia é um conceito sociológico essencial. Sem uma apreciação detida e cuidadosa em que se recorre à experiência vivida, refletida, própria ou de outro, reco-nhecendo os pensamentos fugidios, os sentimentos sutis e dificilmente perceptíveis, contraditórios, jamais um leitor poderia alcançar ao menos uma ínfima parte do que a a-ção dramática em Dostoyevski revelou.

Há exagero em pretender descrever do exterior o obje-to literário, bem como acreditar ao leitor uma suposta ex-traordinária capacidade intuitiva, uma ilusão ou sensação de reviver nele a ação, ao mesmo tempo em que se priva o personagem de toda a capacidade interior, tal como re-presentado na refutada teoria de um choque elevando uma suposta alma sensível.

Sem dúvida, a análise por Nathalie Sarraute desdobra claramente uma orientação sociológica levando à explica-ção especificamente literária do por que se buscou um modelo para o romance na imagem do Homo Absurdus, esclarecendo estar essa busca intimamente em correlação com o interesse de desenvolvimento de um tipo de ro-mance associado às técnicas do cinema.


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