BIBLIOTECA VIRTUAL de Derecho, Economía y Ciencias Sociales

A UTOPIA NEGATIVA: LEITURAS DE SOCIOLOGIA DA LITERATURA

Jacob J. Lumier




Esta página muestra parte del texto pero sin formato.

Puede bajarse el libro completo en PDF comprimido ZIP (158 páginas, 763 kb) pulsando aquí

 


A Análise Personalista

Retornando neste ponto à análise mais personalista de Nathalie Sarraute, tem-se que a ação ou elemento dramá-tico é caracterizado pelo conceito sociológico-literário essencial da fantasia, compreendendo os subterfúgios estranhos, os achados, os disfarces, os movimentos sutis mal perceptíveis, fugidios, contraditórios, evanescentes, movimentos dos frágeis temores, dos esboços de apelos tímidos e de recuos, das fugas, das sombras ligeiras que escorregam cujo jogo incessante constitui a trama invisí-vel de todas as colorações nas relações humanas, e o substrato mesmo que ocupa nossa vida.

Nessa autora, para quem o fato literário é acessível di-retamente à experiência do leitor, tomado este em sua ir-redutibilidade humana, a defesa do exemplo de Proust passa não só pelo resgate da arte de Dostoyevski, em fa-ce da supervalorização do modelo do romance de Kafka – o homo absurdus –, mas também passa pelo esclareci-mento das origens deste na obra daquele.

Na reflexão personalista é posta em questão e é refutada a proposição de que o romance do século XX não mais teria ligação com a idéia de Proust atribuindo um valor maior ao procedimento de busca de um fundo extremo onde reside nossa impressão autêntica.

Em tal abordagem, é posta em questão e vem a ser re-futada a proposição de que o romance do século XX não mais teria ligação com a idéia de Proust, que atribui um valor maior ao procedimento de busca de um fundo extremo onde reside nossa impressão autêntica.

Haveria uma crise do chamado romance com orienta-ção psicológica, cujo tipo estaria supostamente ultrapas-sado e impossibilitado de falar ao homem moderno, intei-ramente absorvido este na e pela civilização da maquina-ria.

A crença na imagem de um homem moderno identifi-cado à consecução de metas que não desejou e não compreende nega a possibilidade de que o romance seja elaborado com base em procedimentos de análise psico-lógica, a exemplo do monólogo interior de Proust.

A convicção voltada para buscar o fundo da nossa im-pressão autêntica, que houvera impulsionado o romanes-co proustiano, não mais encontraria referência no homem moderno, o qual então desmentiria a idéia de que existe um fundo para a impressão humana autêntica.

Segundo o modelo do Homo Absurdus, supostamente tratado na obra de Kafka, como excluindo toda a possibi-lidade de impressões em um sujeito humano, o homem moderno não seria coisa alguma d’outro senão o que dele aparece ao exterior.

Quer dizer, quando ele se abandona a ele mesmo, o torpor inexpressivo e a imobilidade de seu rosto não en-cobririam movimentos ou estados interiores, em modo tal que o tumulto do silêncio aparente, notado em sua alma pelos escritores do chamado romance psicológico, nada mais seria que somente silêncio.

Segundo Nathalie Sarraute, o enfoque pelo esquema do Homo Absurdus nos mostraria o substrato da consci-ência do homem moderno como trama ligeira de opini-ões convencionadas, recebidas como tais do grupo a que ele pertence.

Todavia, os clichês assim repetidos, por sua vez, eles mesmos encobririam um Nada profundo, uma quase au-sência de si mesmo.

Menos que uma tendência predominante nos temas li-terários levando a definir o romance como gênero, a au-sência seria notadamente um aspecto da imagem que resume o universo simbólico de Kafka quando tomado nas antípodas de Dostoyevski.

Mas não é tudo. Nesse enfoque pelo Homo Absurdus, o elemento psicológico da consciência, o foro íntimo, a inefável intimidade consigo, fonte de tantas decepções e penas deixa de existir.

Sob o aspecto mais sociológico, Sarraute observa que a crença nessa imagem absurda do homem moderno con-figurou também a expectativa de uma corrente de opinião. Projetava-se que o romance europeu tiraria proveito das novas técnicas do cinema e viesse a ser feito em maneira mais acessível, modesta, com a simplicidade do que nos anos cinqüenta chamou-se jovem romance americano . Isto é, com a redução do objeto literário ao elemento pu-ramente descritivo e uma narrativa exterior, sem proveni-ência nas impressões de um sujeito humano.

Será em vista de esclarecer a ingenuidade da expecta-tiva dessa corrente pró-cinema, que separava a união de autor, seus personagens e leitor, que Sarraute comenta-rá os procedimentos literários articulados por Dostoyevski ao construir seus personagens.

Nossa autora visa igualmente pôr em relevo a improcedên-cia da teoria do choque misterioso e salutar propalada à época, choque moral idealizado e atribuído a um projetado efeito pro-fundo no leitor – ou nas supostas regiões dispersas e sem con-trole de uma imaginária alma sensitiva.

"Efeito" esse que, em tal teoria do choque misterioso e salu-tar, resultaria de uma suposta força de penetração decorrente da opacidade mesma do universo simbólico desse tipo de ro-mance tido por novo. Desta forma, a presença do leitor seria re-duzida, contemplado ele por uma espécie de comoção emotiva permitindo-lhe apreender de um só golpe e como num clarão o objeto literário todo, inteiro.


Grupo EUMEDNET de la Universidad de Málaga Mensajes cristianos

Venta, Reparación y Liberación de Teléfonos Móviles
 
Todo en eumed.net:

Congresos Internacionales


¿Qué son?
 ¿Cómo funcionan?

 

15 al 29 de
julio
X Congreso EUMEDNET sobre
Turismo y Desarrollo




Aún está a tiempo de inscribirse en el congreso como participante-espectador.


Próximos congresos

 

06 al 20 de
octubre
I Congreso EUMEDNET sobre
Políticas públicas ante la crisis de las commodities

10 al 25 de
noviembre
I Congreso EUMEDNET sobre
Migración y Desarrollo

12 al 30 de
diciembre
I Congreso EUMEDNET sobre
Economía y Cambio Climático

 

 

 

 

Encuentros de economia internacionales a traves de internet


Este sitio web está mantenido por el grupo de investigación eumednet con el apoyo de Servicios Académicos Internacionales S.C.

Volver a la página principal de eumednet