EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA MOEDA


Yolanda Vieira de Abreu
Sanay Bertelle Coelho

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DAS PRIMEIRAS MOEDAS DE METAL NA CHINA ATÉ AS MOEDAS METÁLICAS DA ÁFRICA

China

Foi na China no período Chou (1112-256 a.C.) que nasceram as moedas de bronze com formas variadas: peixe, chave ou faca (Tao), machado (Pu), concha e a mais famosa (Bu) que tinha a forma de uma enxada. As formas das moedas vinham das mercadorias e objetos que possuíam valor de troca. Nessas peças, encontravam-se gravados o nome da autoridade emitente e o seu valor. No final desta dinastia, surgiu o ouro monetário (Yuanjin). Este tinha a forma de um pequeno lingote com o sinete imperial. Também nessa época surgiram as moedas redondas de bronze, com um furo quadrado no centro.

O papel-moeda chinês

Os primeiros registros da utilização do papel como moeda remonta do ano 89 (d.C.). As matrizes para a impressão eram confeccionadas em tabuleiros de madeira ou de bambu, sobre as quais era aplicada uma pasta especial, feita de polpa vegetal amolecida e batida. A madeira recebia tinta e os desenhos e textos gravados eram passados para o papel. Essa invenção permaneceu escondida durante séculos. Sua importância se deve ao fato de os chineses terem erguido um templo em homenagem ao inventor dessa técnica. A partir de 610 (d.C.) missionários cristãos espalharam a novidade em outras terras.

África

As manilhas ou moedas-argolas feitas em sua maioria de cobre, eram empregadas como meio de troca na África Ocidental, que hoje compreende a Nigéria, Gana Benin e Togo. Seus valores eram proporcionais à quantidade de metal que continham, podendo pesar entre 2.700 e 200 gramas. Suas formas também variavam: ferradura, semicircular, anel, bracelete ou corda retorcida. Com oito delas comprava-se um escravo. Ao lado do valor monetário, essas peças tinham também clara função de ornamentação. Alguns exemplares são totalmente decorados, o que elevava muito seu valor artístico.

Moedas na Grécia Antiga

As primeiras moedas gregas começaram a serem cunhadas a partir do século VII a.C. com figuras de animais verdadeiros, plantas e objetos úteis ao homem.

As figuras das moedas primitivas mais famosas eram a coruja, o pegasus e a tartaruga. As tartarugas foram as primeiras a serem cunhadas na Grécia. Seus exemplares mais antigos são de 625 a.C. e durante um século foram elas que ditavam as leis nas trocas comerciais. As mesmas representavam Egina, florescente empório comercial do Peloponeso, e eram mais valiosas que as corujas, valiam o dobro: duas dracmas (dracmas- unidade da moeda de prata).

Os potros vinham em segundo lugar na ordem de valor monetário. Era cunhado em Corinto, importante centro comercial no istmo de mesmo nome, trazendo a impressão de um Pegasus (mítico cavalo alado). Podiam ser dracmas ou estateres (o estater era a unidade da moeda de ouro). Já as corujas que eram cunhadas em Atenas, sendo menos valiosas entre as três, valiam uma dracma ou um estater. Mas, anos depois, foram descobertas várias jazidas de prata perto de Atenas e começou a ascensão desta cidade e conseqüentemente das corujas.

Por volta do ano 525 a.C, Atenas cunhou uma moeda esplêndida no valor de quatro dracmas, a tetradracma. Estas moedas estão entre as mais fascinantes da Antigüidade e por quase dois séculos não sofreram modificações. Mais tarde, os atenienses cunharam uma moeda no valor de dez dracmas, o decadracma.

Aos poucos, todas as cidades gregas começaram a cunhar moedas com efígies divinas. De simples instrumento de troca, as moedas transformaram-se em obra de arte. Pelo bom gosto, pelo requinte da cunhagem, pelo relevo acentuado das figuras em perfeita harmonia com a espessura do metal, as moedas gregas são únicas.

A evolução e classificação das moedas gregas

Partindo da Grécia, uma grande quantidade de prata inundou todos os países conhecidos da época com uma variedade de tipos de moedas. Em Acrópole de Atenas, no Partenon, criou-se uma coleção de moedas preciosas do mundo inteiro (o Tesouro de Delos). Enquanto isso, o templo de Apolo em Delfos, transformava-se no primeiro banco do mundo. Assim, nasceu a profissão de banqueiro e com ela surgia o sistema de empréstimo a juros.

Magna Grécia

Magna Grécia é a região do Sul da Península Itálica e parte da Ilha da Sicília que ficou ocupada pelos gregos até a sua tomada pelo Império Romano. Nesta região se encontravam as moedas mais bonitas do mundo: as decadracmas e as tetradracmas. Há vinte e cinco séculos essas moedas em prata quase pura – 43g no caso das decadracmas – são objetos de admiração e imitação.

Na Sicília e na Magna Grécia nasce, no final do século V a.C, a primeira moeda do Ocidente em que se podia confiar, vinculada ao valor do metal. A variedade também era enorme: peças quadradas, pequenas, cuneiformes, recunhadas, fragmentadas ou cortadas.

As moedas de Alexandria

Em Alexandria (Grécia), Oriente e Ocidente se fundiam: povos de três continentes conviviam em paz, unidos pela mesma língua, o grego. Naquela cidade, ciência, literatura e arte falavam grego, influenciando a cultura dos outros países. Na Casa de Moeda de Alexandria, marcadas por um L, foram cunhadas algumas tetradracmas de prata, que eram as mais belas do seu período. Tais moedas possuíam um número que correspondia ao ano de reinado do soberano, ao contrário das antigas moedas gregas, que eram desprovidas de data.

As moedas de Roma até o fim do Império Romano do Ocidente

Antes do início da moedagem

A moedagem romana começou dois séculos mais tarde do que a das cidades da Magna Grécia. No século IV a.C., enquanto as moedas no mundo grego e na Sicília alcançavam a perfeição estilística, em Roma os animais ainda eram o principal meio de troca. Mais tarde, foi desenvolvida uma moedagem excepcional quanto à continuidade e variedade.

As moedas romanas "arcaicas"

A partir do século VII a.C, Roma adotou um bem para intermediar as trocas: o bronze (a prata precisava ser importada e desconhecia-se a existência do ouro na época). Eram peças de metal bruto fundido, avaliado com base no peso (92g a 4g), sem figuras. Essas moedas eram mais práticas que os animais, mas ainda não ofereciam as vantagens da moeda.

As primeiras moedas romanas

Por volta de 335 a.C. com o bronze pesado (aes grave), Roma ganhou sua primeira moeda – o as ou asse – fundida em forma redonda, com indicações de valor e impressos oficiais. A série do aes grave também é chamada libral (unidade de peso latina), pois, assim como a libra, o "as" dividia-se em doze uncias. Em 268 a.C. Roma, já poderosa, passou a confeccionar moedas de prata, iniciando a esplêndida era do denário romano.

Império Romano: início e fim da moedagem imperial

A moedagem imperial romana iniciou-se com César, em 44 a.C. Nesta época, as moedas republicanas transformaram-se em imperiais, acentuando seu caráter propagandístico e celebrativo, baseado em líderes, em personagens isolados, que dominavam a cena política. Não é de se estranhar que César, em 45 a.C, tenha sido o primeiro a colocar seu retrato em moedas, seguindo o exemplo do mundo grego, onde os reis cunhavam sua efígie sobre as peças. Por fim, a moedagem terminou em 476 d.C, com a queda de Rômulo Augusto e do Império do Ocidente.

A moedagem bizantina

Bizâncio, uma das mais poderosas cidades da Antiguidade, foi fundada em 675 a.C. pelos habitantes da cidade grega de Megara. A cidade tornou-se muito poderosa graças ao intenso comércio e à sua estratégica posição geográfica, no estreito que une o mar Egeu ao mar Negro, a Europa e a Ásia.

A moedagem bizantina apresenta uma iconografia (descrição ou representação de imagens) toda particular, menos realística e expressiva, mas ainda assim cheia de fascínio e mistério. São muitas as moedas de ouro: o sólido, o semisse (1/2 de sólido) e o tremisse (1/3 de sólido), todos originados de moedas romanas. Muitas vezes em forma de globo, elas tinham dimensões e forma de tigela. Devido à presença de figuras hieráticas de Cristo, da Virgem, de santos e do imperador e seus familiares, as moedas bizantinas tinham um caráter sacro. Um dos mais freqüentes motivos ornamentais era a cruz, simples ou dupla. O imperador aparecia com vestes suntuosas, coroado por anjos, sentado no trono com um cetro ou um globo na mão, sempre retratado como se fosse um deus. Nas moedas bizantinas, nunca se representavam animais, cenas mitológicas ou festas leigas (que não são sacras). As legendas, gravadas em caracteres gregos, dispunham-se verticalmente ao longo do bordo externo ou, às vezes, ocupavam todo o reverso.

As moedas ibéricas

No ano de 711 d.C. travou-se na Espanha a Batalha de Guadalete, onde morreu o último visigodo (povo que habitava a península Ibérica até essa data). Começava a dominação árabe na península Ibérica. Depois de uma longa e conturbada etapa inicial, os muçulmanos edificaram uma civilização esplêndida que existiria até o século XV. Em seu auge, o domínio árabe estendeu-se por dois terços da península Ibérica. Mas na virada do milênio, o poder dos califas na região entrou num lento e prolongado declive. Estados cristãos surgiram em meio a esse processo, e os cristãos reconquistaram a península devido ao enfraquecimento dos árabes.

As moedas ibéricas refletem o choque de duas culturas, povos e religiões diferentes. Antes da invasão muçulmana, haviam circulado na região moedas gregas, celtas, cartaginesas, romanas e grosseiras imitações destas últimas, feitas pelos bárbaros. A partir do século VIII, juntaram-se ao grupo peças árabes,no início de prata e depois de ouro.

As moedas ibéricas mais importantes (excluindo as árabes) são as posteriores à união do reino de Castela e Aragão (1479), onde a abundância de ouro e prata, vindos do Novo Mundo, deu lugar às novas emissões antigas e mais rústicas. Dentre elas, sobressai-se o ducado – ou excelente – de ouro, com sua metade e múltiplos, que surgiu após a reconquista de Granada. A moeda traz os bustos de Isabel I e Fernando II o Católico (1479-1516). A denominação "excelente" vem do elevado título da moeda. Também se tornaram famosos os "reales de ocho" de prata (oito reales), que passariam pela história como o dólar espanhol e sobreviveriam até meados do presente século.

As moedas do Renascimento

O Renascimento se caracterizou pela exaltação do homem e da criação. A cultura clássica foi redescoberta, e dela surgiu o Humanismo – o aspecto literário e filosófico do Renascimento. A moeda está relacionada com essa "evolução" de várias maneiras. Do ponto de vista econômico, a expansão do comércio e do bem-estar pede uma moedagem variada e de qualidade.

Do ponto de vista artístico, as moedas dessa época são o fruto de uma produção extremamente refinada: a cunhagem mais bem cuidada permite aos artistas obter mais precisão nos detalhes e criar cenas arejadas, muitas vezes transportadas das pinturas, dando admiráveis estudos de perspectiva e uma notável profundidade de relevo. Nunca nessa época a moeda foi a expressão fiel de seu tempo.

Nesse momento histórico, o volume de ouro em circulação na Europa aumentara aproximadamente doze vezes em apenas meio século. Predominam como moedas fortes, além do genovivo de Gênova de 1251, as florins de Florença de 1252 e os ducados de Veneza de 1284. Essas duas últimas moedas eram cunhadas em ouro puro. As moedas do Renascimento têm uma originalidade própria: a harmonia, o senso de composição e de espaço são características únicas das moedas dessa época. Nelas o artista buscava transceder o aspecto físico para tentar captar a alma do personagem. Instala-se, a partir de 1450, uma iconografia excepcional, variadíssima no estilo, sempre marcada por uma técnica muito evoluída.


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